A jovem de 21 anos que perdeu parte da perna direita num acidente de moto no bairro Enéias, em Patrocínio, só chegou viva ao hospital porque havia um policial de folga por perto. O cabo Samuel de Souza Prado, da Polícia Militar do Distrito Federal, estava na cidade quando as duas motocicletas colidiram, na noite de sexta-feira, 4 de setembro, e usou o treinamento de atendimento pré-hospitalar para conter a hemorragia até a chegada da equipe médica.

Segundo a equipe de saúde que recebeu a vítima, sem aquele atendimento imediato havia risco real de ela não sobreviver ao trajeto. A jovem segue internada em uma UTI em Uberlândia, acompanhada pela família.

O que fez o policial de folga

Quem já passou por um curso de socorro sabe que sangramento arterial não espera. O cabo Samuel aplicou compressão direta no ferimento e manteve o controle da hemorragia até o socorro assumir. A esposa dele ajudou no atendimento. Nenhum dos dois estava em serviço.

O detalhe que muda o peso da história é que ele conhecia o terreno. Antes de servir no Distrito Federal, o cabo integrou o 46º Batalhão de Polícia Militar, em Patrocínio, e passou pelo curso de atendimento pré-hospitalar tático. Foi esse treinamento, e não improviso, que apareceu na hora.

O acidente que deixou a jovem sem parte da perna

A colisão aconteceu na noite de 4 de setembro. Uma das motocicletas desrespeitou sinal de parada obrigatória e atingiu a outra em velocidade alta, segundo o relato registrado pela polícia. O condutor responsável fugiu sem prestar socorro e não foi localizado.

A jovem era passageira da moto conduzida pelo marido, de 20 anos. Ela foi levada à Santa Casa de Patrocínio e depois transferida para Uberlândia, onde passou pela amputação de uma das pernas, como a Folha noticiou no fim de semana.

Fugir do local sem socorrer a vítima é crime. O Código de Trânsito Brasileiro prevê detenção de seis meses a um ano para quem deixa de prestar socorro, e a pena aumenta quando o condutor foge para escapar da responsabilidade.

Os primeiros minutos são os que decidem

Em hemorragia grave de membro, o tempo útil se conta em minutos, não em horas. Uma artéria rompida na perna pode levar uma pessoa adulta ao choque antes de qualquer ambulância chegar, por mais rápido que ela seja. Por isso a orientação padrão de socorro começa por conter o sangramento, não por mover a vítima.

O procedimento básico, ensinado em qualquer curso de primeiros socorros, é comprimir o ferimento com firmeza usando pano limpo e as duas mãos, manter a pressão sem ficar checando se parou, e chamar o SAMU no 192. Torniquete é recurso de exceção, para quando a compressão não resolve, e exige registro do horário em que foi aplicado.

Mexer no ferimento, tentar recolocar ossos ou dar água à vítima são reações comuns e erradas. Quem chega primeiro faz mais diferença mantendo a calma e a pressão sobre o sangramento do que tentando resolver o quadro sozinho.

Um caso que expõe o que falta no trânsito de Patrocínio

A cena do bairro Enéias resume dois extremos da mesma noite: um condutor que fugiu e um policial de folga que parou. O primeiro é o comportamento que os números de acidentes na cidade vêm registrando com frequência. O segundo é o que raramente aparece nas estatísticas, porque socorro bem feito não vira ocorrência.

Patrocínio acumula colisões envolvendo motocicletas em cruzamentos de bairro, quase sempre com o mesmo elemento: parada obrigatória ignorada. É um tipo de acidente que não depende de rodovia, velocidade de estrada nem álcool para acontecer, e que costuma cobrar caro de quem vai na garupa.

A família da jovem não divulgou boletim médico atualizado. O cabo Samuel voltou ao Distrito Federal. Não houve, até esta publicação, nenhum ato oficial de reconhecimento ao policial de folga que atendeu a vítima em Patrocínio.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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