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Igreja Presbiteriana decide veto ao Legendários em julho

Sínodo do Tocantins recomenda que pastores e membros deixem de participar do movimento, citando risco de desvio da centralidade das Escrituras.

Integrantes do Legendários com uniforme laranja, movimento alvo de proposta de veto na Igreja Presbiteriana
Fotos: reprodução/Instagram @cslewisbr

A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) marcou para o dia 26 de julho, em Manaus, a reunião que pode definir o veto ao Legendários dentro da denominação. O movimento reúne homens em acampamentos que combinam uniformes, dinâmicas de grupo e técnicas de coaching com linguagem cristã, e agora enfrenta resistência formal de parte da própria igreja reformada.

O que diz o documento do sínodo

A proposta de veto ao Legendários partiu do Sínodo do Tocantins, uma das instâncias regionais da IPB. O texto recomenda que pastores, presbíteros e diáconos deixem de participar ou incentivar o movimento entre os fiéis. Segundo o documento, o Legendários usa “práticas associadas ao universo de coaching” e “experiências de forte impacto emocional” que podem “relativizar a centralidade das Escrituras e da obra de Jesus Cristo”.

O sínodo também questiona elementos de identidade visual do movimento, como uniformes padronizados, numeração de participantes e expressões próprias criadas pelo grupo, vistos como incompatíveis com a sobriedade da tradição reformada.

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Integrantes do movimento Legendários com uniforme laranja, alvo de proposta de veto na Igreja Presbiteriana
Integrantes do Legendários em eventos do movimento. Foto: reprodução/Instagram @cslewisbr

Como funciona o Legendários

Criado como uma proposta de formação para “restaurar o verdadeiro potencial masculino”, o Legendários organiza acampamentos, palestras e encontros voltados a homens, com forte apelo emocional e simbologia própria, incluindo o uniforme laranja que aparece nas fotos que circulam em redes sociais. O movimento tem crescido dentro de igrejas evangélicas de diferentes denominações, o que já provocou debates semelhantes em outras tradições cristãs nos últimos anos.

Veto ao Legendários: quando e onde sai a decisão

O Supremo Concílio da IPB, instância máxima de decisão da denominação, se reúne a cada quatro anos, e o encontro de 2026 está marcado para começar em 26 de julho, em Manaus (AM). Caso a proposta do Tocantins seja aprovada pelos delegados, o Legendários passaria a ser formalmente considerado incompatível com os princípios doutrinários da IPB, embora a decisão final e o alcance prático do veto (recomendação ou proibição) ainda dependam do texto que for votado em plenário. A cobertura do caso já circula em veículos como o Correio Braziliense.

Contexto da discussão

A discussão em Manaus não é isolada. Outras denominações evangélicas também debatem a presença do Legendários entre pastores e membros, pela mesma combinação de coaching motivacional com liturgia cristã. A IPB tem cerca de 700 mil membros no Brasil, segundo dados da própria denominação, e a decisão do Supremo Concílio deve orientar sínodos e igrejas locais em todo o país, incluindo congregações presbiterianas em Minas Gerais.

Um movimento em expansão e sob escrutínio

O Legendários surgiu no Brasil na última década e se espalhou por igrejas de várias denominações, atraindo homens com a proposta de “resgate da masculinidade” por meio de acampamentos intensos e sigilosos. Justamente por essa combinação de forte apelo emocional, sigilo e simbologia própria, o movimento passou a ser alvo de questionamentos por lideranças religiosas e por familiares de participantes.

A decisão da Igreja Presbiteriana do Brasil, uma das maiores denominações reformadas do país, tende a servir de referência para o debate em outras igrejas. Não é a primeira vez que grupos evangélicos discutem formalmente a compatibilidade entre métodos de coaching motivacional e a doutrina cristã, tema que ganhou força à medida que esses movimentos cresceram dentro das comunidades de fé.

A expectativa é de que o resultado da votação em Manaus seja acompanhado de perto por lideranças de outras denominações que enfrentam o mesmo debate sobre o movimento.


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