O resgate na BR-365 durou cerca de duas horas e terminou com o motorista vivo. Um caminhão tombou próximo ao trevo de Santana de Patos, em Patos de Minas, na tarde desta segunda-feira (7), e o condutor ficou preso às ferragens com as duas pernas presas dentro da cabine. Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal e SAMU trabalharam juntos na liberação.

Por que o resgate na BR-365 foi tão difícil

O caminhão tombou exatamente sobre o lado do motorista. Com o impacto e a posição em que a cabine parou, a estrutura ficou pressionada contra o asfalto, e foi isso que prendeu as pernas do condutor. Não era um caso de porta emperrada: o peso do próprio veículo estava sobre o espaço onde ele estava sentado.

A ocorrência mobilizou o 12º Batalhão de Bombeiros Militar de Patos de Minas. A equipe precisou usar desencarceradores, calços e equipamentos de estabilização do veículo, porque mover um caminhão tombado sem travá-lo antes pode piorar o esmagamento em vez de aliviá-lo.

Para liberar a segunda perna, os bombeiros recorreram a um caminhão munck. O guindaste içou a estrutura da cabine o suficiente para abrir espaço e permitir que a ferramenta de desencarceramento trabalhasse. Foi essa manobra que destravou o resgate na BR-365.

Vista de Patos de Minas ao amanhecer, cidade do resgate na BR-365
Patos de Minas vista da zona rural. O acidente foi na BR-365, perto do trevo de Santana de Patos. Foto de arquivo: Elvis Boaventura/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Atendimento médico dentro da cabine

Enquanto o desencarceramento avançava, o SAMU atuou com uma Unidade de Suporte Avançado. A equipe médica manteve o apoio à vítima durante todo o trabalho, com medicação e acesso venoso feitos ainda no interior da cabine, antes da retirada.

Esse detalhe não é protocolar por acaso. Em vítima presa por tempo prolongado, a liberação súbita do membro comprimido pode desencadear complicações graves, e por isso a orientação é estabilizar a pessoa antes de tirá-la, não depois. A PRF ficou responsável pelo isolamento do local e pelo controle do trânsito na rodovia enquanto a operação corria.

O desfecho

Depois da remoção, o motorista foi entregue à equipe do SAMU e encaminhado ao hospital. Ele apresentava múltiplas escoriações, mas, a princípio, não foram constatadas fraturas nem lesões graves no local do acidente. Nenhuma outra pessoa se feriu.

As causas do tombamento ainda não foram divulgadas pelas autoridades.

O trevo de Santana de Patos fica no distrito de mesmo nome, na zona rural de Patos de Minas, num trecho da BR-365 que concentra entroncamentos de acesso a comunidades e propriedades. É o tipo de ponto em que veículo pesado precisa reduzir e manobrar em pista de mão dupla, e onde o tempo de chegada do socorro é maior do que na área urbana. No caso desta segunda-feira, o resgate na BR-365 só terminou porque houve equipamento pesado disponível para içar a cabine, recurso que nem toda ocorrência em rodovia tem à mão.

Salvamento veicular é treino, não improviso

Operações como essa dependem de formação específica. A Folha de Patrocínio já noticiou a formatura de uma turma do Curso de Salvamento Veicular do Corpo de Bombeiros e um simulado que interditou o trânsito em Patrocínio justamente para treinar esse tipo de cenário.

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais mantém batalhões regionais com equipes e viaturas equipadas para desencarceramento. O 12º Batalhão atende Patos de Minas e municípios do entorno, incluindo trechos da BR-365 que cortam a região.

O que fazer diante de um acidente com vítima presa

A orientação dos serviços de emergência é não tentar retirar a vítima presa às ferragens. Sem estabilização do veículo e sem equipamento próprio, a tentativa costuma agravar a lesão. O papel de quem chega primeiro é acionar socorro pelo 193, dos Bombeiros, ou pelo 192, do SAMU, informar o quilômetro exato da rodovia, sinalizar a pista para evitar um segundo acidente e manter contato com a vítima até a chegada das equipes.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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