A colheita do café do Cerrado Mineiro chegou a 93% do volume previsto até 28 de agosto, e a conta final da safra começa a ficar clara para os produtores de Patrocínio e das cidades vizinhas. O número está no relatório semanal da Expocacer, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado, que tem sede na Avenida Faria Pereira, no distrito industrial da cidade.
Do que já saiu da lavoura, 77% passou pelo beneficiamento, com rendimento médio de 490 litros para cada saca de 60 quilos beneficiada. Na safra passada, no mesmo ponto do calendário, a colheita do café do Cerrado Mineiro marcava 95%, mas com um volume total bem menor.
Chuva derruba 30% do café e trava o recolhimento
O gargalo desta reta final está no chão. Segundo os técnicos da cooperativa, cerca de 30% de toda a safra caiu no solo por causa das chuvas, e pouco mais da metade desse volume, 54%, já foi recolhida.
A região voltou a registrar chuva depois de um período longo de tempo seco, com acumulados que variaram de 5 a 29 milímetros conforme a localidade. A umidade atrapalha justamente a operação que precisa andar: em algumas propriedades, as máquinas tiveram de parar. Quando o café já está enleirado, com os frutos juntados em fileiras para facilitar a retirada, às vezes é preciso espalhar tudo de novo para secar antes de recolher.
A orientação da Expocacer é aproveitar cada janela de tempo firme para acelerar o recolhimento. Fruto molhado por muito tempo perde qualidade, e isso já aparece nos números da cooperativa: a catação média dos cafés recebidos segue acima de 20%, puxada pela fatia maior de café vindo do chão.
Safra 2026/27 deve crescer quase 40% no café do Cerrado Mineiro
Mesmo com a perda no chão, o ano é de bienalidade positiva e os números da safra são altos. A Expocacer projeta 2,859 milhões de sacas de 60 quilos de arábica na sua área de atuação, o que representa alta de 39,9% no volume e de 43% na produtividade sobre o ciclo anterior.
A área cultivada com café do Cerrado Mineiro dentro do alcance da cooperativa soma 82.020 hectares, dos quais 72.327 estão em produção nesta temporada. A conta fecha em produtividade média de 39,5 sacas por hectare, marca alta para o padrão da cafeicultura brasileira.
Patrocínio no centro do levantamento
O estudo da Expocacer é montado a partir de amostragens em propriedades sorteadas em toda a região, e Patrocínio encabeça a lista de municípios avaliados. Também entram Presidente Olegário, Coromandel, Paracatu, Guimarânia, Carmo do Paranaíba, Campos Altos, Serra do Salitre, Romaria, Araxá, Perdizes, Uberaba, Patos de Minas e Uberlândia.
Não é acaso que a cidade apareça primeiro. Dados do IBGE mostram Patrocínio como o município que mais produziu café no Brasil em 2024, com 64.225 toneladas, e o levantamento da cooperativa cobre exatamente o cinturão que sustenta esse desempenho. A cafeicultura também é o pano de fundo de discussões recentes na cidade, como o painel sobre reforma tributária no agro e a emergência econômica decretada no campo do Alto Paranaíba.

O que os produtores devem observar agora
Com a colheita perto do fim, o calendário já empurra a atenção para o ciclo seguinte. As chuvas colocaram a florada no radar, e a recomendação é acompanhar de perto a evolução dos botões florais e das novas floradas.
Nas áreas irrigadas, a cooperativa orienta ajustar o manejo conforme a umidade do solo, a evapotranspiração e a condição de cada talhão, para não faltar água na florada nem no pegamento dos frutos. Os técnicos também pedem atenção à chance de chuva nova a partir de 2 de setembro, com máximas entre 29 °C e 32 °C e mínimas entre 11 °C e 17 °C.
Para quem vive do café do Cerrado Mineiro, os próximos dias valem por duas contas: o quanto ainda dá para recuperar do que caiu no chão e a condição em que as lavouras entram no ciclo seguinte. Mais informações sobre a cooperativa estão no site da Expocacer, e o relatório semanal foi divulgado pela SpaceMoney. Outras pautas da cidade estão na editoria de Cidade.
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