A morte de pedestre em Patrocínio registrada neste fim de semana chamou atenção para os riscos de atravessar a Avenida Marciano Pires à noite. José Eurípedes Gomes, de 66 anos, foi atingido por uma motocicleta no cruzamento com a Rua Pinto Dias e não resistiu aos ferimentos um dia depois, já internado em Uberlândia.
Como aconteceu o atropelamento
O acidente ocorreu na noite de sábado (30), quando José Eurípedes atravessava a Avenida Marciano Pires. Segundo o relatório da Polícia Militar, um motociclista que conduzia uma Honda CG 150 Titan atingiu o pedestre nesse trecho da via.
Ao ser ouvido pelos policiais, o condutor da moto disse não ter visto a vítima a tempo de frear. Ele atribuiu a dificuldade de visualização à baixa luminosidade do local e a uma árvore que atrapalha a visão de quem se aproxima do cruzamento. O motociclista também ficou ferido no impacto e foi levado para atendimento médico.

Atendimento e transferência para Uberlândia
Equipes do SAMU socorreram José Eurípedes ainda no local e o levaram ao Pronto-Socorro Municipal de Patrocínio. Diante da gravidade dos ferimentos, ele foi transferido para o Hospital das Clínicas de Uberlândia, referência regional para casos de maior complexidade.
Mesmo com o atendimento especializado, o idoso não resistiu e morreu na noite de domingo (31), cerca de 24 horas depois do atropelamento. A causa da morte foi atribuída aos ferimentos sofridos no acidente.
O que se sabe sobre a morte de pedestre em Patrocínio
Segundo o 46º Batalhão da Polícia Militar, o condutor da motocicleta não tinha habilitação para dirigir, e o veículo estava sem licenciamento em dia. Por isso, foram lavrados autos de infração no local do acidente, o que deve ser levado em conta na apuração das responsabilidades pelo ocorrido.
Até a publicação desta matéria, a Folha de Patrocínio não teve acesso a informações sobre eventual abertura de inquérito policial para investigar as circunstâncias do atropelamento com mais profundidade.
Como a vítima morreu depois de registrado o boletim de ocorrência inicial, é comum que o caso seja reclassificado pela autoridade policial, passando de lesão corporal culposa para homicídio culposo no trânsito. Essa mudança costuma abrir espaço para uma investigação mais detalhada sobre as circunstâncias do cruzamento e a velocidade da motocicleta no momento do impacto.
A confirmação da morte de pedestre em Patrocínio também levanta a questão de quem responde civilmente pelos danos à família da vítima. Em casos assim, o Código Civil prevê indenização por danos morais e materiais, independentemente do desfecho na esfera criminal, o que normalmente é discutido em ação à parte movida pelos herdeiros.
Segurança na travessia de pedestres à noite
O relato do condutor sobre a baixa luminosidade do cruzamento reacende um alerta recorrente em cidades do interior: trechos com iluminação pública deficiente ou vegetação que reduz a visibilidade aumentam o risco de atropelamentos, principalmente à noite.
O Código de Trânsito Brasileiro determina, no artigo 69, que o pedestre deve levar em conta a visibilidade, a distância e a velocidade dos veículos antes de cruzar a via, usando faixa ou passagem sempre que houver uma a até 50 metros de distância. Na prática, essa exigência fica bem mais difícil de cumprir num trecho mal iluminado e com vegetação atrapalhando a visão, o que reforça a responsabilidade dos motoristas de reduzir a velocidade nesses pontos e a da administração pública de manter a sinalização e a iluminação em condições adequadas.
Este não foi o único atropelamento a preocupar moradores de Patrocínio nos últimos meses. Em julho, um atropelamento na Avenida João Furtado já havia deixado um homem ferido, também em uma via de grande movimento na cidade. Casos como esses reforçam a importância de cobrar da administração municipal a manutenção da iluminação pública e a poda de árvores que prejudicam a visibilidade em pontos de travessia.
Moradores que identificarem postes apagados, lâmpadas queimadas ou árvores atrapalhando a visão em cruzamentos de Patrocínio podem registrar a demanda diretamente com a Prefeitura, pelos canais de atendimento da Secretaria de Obras ou da SEMDES (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Defesa Social), responsável pela sinalização e fiscalização do trânsito na cidade. Reportar esses pontos antes que um acidente aconteça é uma forma simples de reduzir o risco de uma nova morte de pedestre em Patrocínio nos mesmos moldes deste caso.
A Folha de Patrocínio lamenta a morte de José Eurípedes Gomes e presta solidariedade aos familiares e amigos neste momento.

