Uma ocorrência atendida na tarde desta terça-feira (18) na região central de Patrocínio mobilizou a Polícia Militar e a perícia. As circunstâncias seguem em apuração e nenhum órgão oficial havia divulgado conclusão até a publicação desta matéria. A Folha de Patrocínio optou por não detalhar o caso e usa este espaço para informar onde encontrar ajuda, porque a prevenção do suicídio começa por saber que existe para onde ligar.

O número é o 188. Atende 24 horas por dia, todos os dias, é gratuito de qualquer telefone do país e o atendimento é sigiloso.

Como funciona a prevenção do suicídio pelo 188

O 188 é o telefone do Centro de Valorização da Vida, o CVV, uma associação civil sem fins lucrativos que existe desde 1962 e é mantida por voluntários treinados para escuta. Quem liga não precisa se identificar, não precisa ter um diagnóstico e não precisa estar em crise para conversar.

Não há tempo mínimo nem máximo de ligação. O voluntário não julga, não dá sermão e não oferece solução pronta. A proposta é simples e comprovadamente eficaz: alguém do outro lado disposto a ouvir enquanto a pessoa fala. É esse tipo de escuta que sustenta a prevenção do suicídio no dia a dia, muito antes de qualquer situação extrema.

Além do telefone, o CVV atende por chat e por e-mail no site da instituição. Para quem tem dificuldade de falar em voz alta, ou está num lugar sem privacidade, o chat costuma ser o caminho mais fácil.

Ambulância do SAMU e faixa de isolamento durante atendimento, em matéria sobre prevenção do suicídio
Equipes do SAMU e da Polícia Militar durante o atendimento na região central. Foto: Folha de Patrocínio.

Onde buscar atendimento em Patrocínio

Em situação de risco imediato, com pessoa em perigo naquele momento, o número é o 192, do SAMU, ou o 190, da Polícia Militar. A UPA 24h atende urgência e emergência em saúde mental a qualquer hora.

Para acompanhamento continuado, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde do bairro, que avalia e encaminha ao serviço especializado em saúde mental do município. Esse encaminhamento é o que garante consulta com psicólogo ou psiquiatra pela rede pública, sem custo.

Quem procura ajuda para outra pessoa também pode ligar para o 188. Boa parte das ligações ao CVV é feita por familiares e amigos que não sabem como agir diante de alguém em sofrimento, e essa também é uma forma de prevenção do suicídio.

O que fazer quando alguém dá sinais

Existe um mito antigo e perigoso de que perguntar sobre suicídio induz ao ato. As evidências apontam o contrário: perguntar de forma direta e acolhedora alivia, porque a pessoa percebe que pode falar sobre aquilo sem ser rejeitada.

Frases como “isso é frescura”, “pense em quem gosta de você” ou “tem gente em situação pior” fecham a conversa. Ouvir sem interromper, levar a sério o que a pessoa diz e oferecer companhia até um serviço de saúde funcionam melhor do que qualquer conselho.

Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, desesperança verbalizada, doação de objetos pessoais e menções à própria morte, mesmo em tom de brincadeira, merecem atenção. Não são diagnóstico, são sinal de que vale perguntar como a pessoa está.

Por que esta matéria não traz detalhes

A Organização Mundial da Saúde mantém recomendações específicas para cobertura jornalística desse tema, adotadas pela maior parte das redações brasileiras. Elas orientam não descrever o método, não detalhar o local exato, não publicar imagens do ocorrido, não tratar o caso como espetáculo e sempre informar onde buscar ajuda.

A razão é concreta. Estudos sobre o chamado efeito contágio mostram que cobertura detalhada e sensacionalista de casos individuais está associada a aumento de ocorrências nos dias seguintes, sobretudo entre pessoas que já estavam em sofrimento. O oposto também vale: matéria que oferece caminho de ajuda está associada a aumento de procura por atendimento.

Por isso a Folha não publica nome, iniciais, endereço nem método. A imagem que ilustra esta matéria mostra apenas o trabalho das equipes de atendimento na via pública, sem nenhuma cena do ocorrido. Não é omissão de informação relevante ao leitor, é escolha editorial de não causar dano evitável a uma família enlutada e a quem esteja passando por algo parecido.

Informações oficiais sobre a política pública de saúde mental estão no portal do Ministério da Saúde. Outras notícias de serviço da cidade estão na editoria de Cidade.

Guarde estes números

CVV, 188, 24 horas, gratuito e sigiloso. SAMU, 192. Polícia Militar, 190. UPA 24h para urgência. Unidade Básica de Saúde do seu bairro para acompanhamento. Se você chegou até aqui procurando ajuda para si mesmo, a prevenção do suicídio tem um primeiro passo que cabe hoje: ligar 188 e falar com alguém.