Patrocínio se despediu neste domingo (16) de Larissa Batista David, aos 37 anos. Antes do velório, uma aeronave do Governo de Minas pousou no aeroporto municipal para trazer de Belo Horizonte a equipe que faria a captação de órgãos e tecidos na Santa Casa.

Ela era doadora, e a família autorizou o procedimento. No Brasil a autorização familiar é sempre necessária, mesmo quando a pessoa manifestou o desejo em vida.

Velório e sepultamento

O velório começou neste domingo (16), às 21h, no Memorial Jardim dos Ipês, em Patrocínio. O sepultamento está marcado para esta segunda-feira (17), às 11h, no mesmo local. Os serviços são da funerária IPÊPREV.

A aeronave que pousou em Patrocínio

O avião que desceu no aeroporto da cidade pertence ao Comando de Aviação do Estado. É a mesma aeronave antes usada no transporte executivo de autoridades e que passou a atender também às ações da Secretaria de Estado de Saúde.

A equipe médica veio de Belo Horizonte para o procedimento, feito na Santa Casa de Patrocínio, onde ela estava internada. Segundo o portal Patrocínio Fácil, que noticiou o pouso, a causa da morte foi um acidente vascular cerebral.

Tudo isso aconteceu no mesmo dia. A aeronave desceu em Patrocínio na tarde de domingo, a captação foi feita em seguida na Santa Casa, e o velório começou às 21h. É esse o ritmo desse tipo de operação: os prazos de viabilidade de cada órgão são contados em horas, e o cronograma da família precisa se ajustar ao da equipe médica, não o contrário.

Quem era Larissa Batista David

Larissa Batista David deixa o esposo, Nilton César Batista, e quatro filhos: João Pablo, Lavínia, Manuella e Cecília. Deixa também um neto, Benício, e os pais, Neuza e José Lúcio, além de uma rede extensa de familiares e amigos.

Retrato de Larissa Batista David, que morreu aos 37 anos em Patrocínio e foi doadora de órgãos
Larissa Batista David, 37 anos. Foto: arquivo pessoal/divulgação

Como funciona a doação de órgãos em Minas

O caso de Larissa Batista David passa por uma logística que raramente aparece. Quando o doador está numa cidade do interior, o intervalo entre a captação e o transplante é curto demais para transporte por estrada em distâncias longas. Por isso o estado mantém aeronaves de prontidão.

A estrutura reúne aviões e helicópteros da Polícia Militar somados a outras aeronaves do governo. Em maio de 2026, a PMMG informou ter chegado a dois mil órgãos transportados em apoio à Secretaria de Estado de Saúde, ao longo de oito anos de operação.

A doação de órgãos sólidos só acontece depois do diagnóstico de morte encefálica, confirmado por exames e por médicos que não participam da equipe de transplante. É um protocolo rígido, e é o que separa a doação de órgãos da doação de tecidos, esta possível também após parada cardíaca.

Um único doador pode beneficiar várias pessoas ao mesmo tempo. De um mesmo doador podem sair coração, fígado, pulmões, rins, pâncreas e intestino, além de tecidos como córneas, pele, ossos e válvulas cardíacas. Cada um segue para um hospital e uma fila diferentes.

Como se tornar doador

No Brasil não existe carteira nem cadastro de doador. Não adianta registrar a vontade em cartório, em documento de identidade ou em rede social: nada disso substitui a autorização da família no momento da doação.

O único caminho que funciona é conversar. Dizer aos parentes próximos, com clareza, que você quer ser doador. Quem trabalha com transplantes insiste nesse ponto porque, sem esse aviso prévio, a decisão cai sobre a família no pior momento possível, e a recusa por dúvida sobre o que a pessoa queria é uma das causas mais comuns de doação não concretizada.

Outras notas de falecimento e coberturas da cidade estão na editoria de Obituário do site.