O advogado Jeffrey Chiquini, pré-candidato a deputado federal pelo Paraná, afirmou em vídeo que a Delta Force, unidade de operações especiais do Exército dos Estados Unidos, já estaria atuando no Brasil no combate a facções como o PCC e o Comando Vermelho. Segundo Chiquini, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia até ser alvo de uma ação dentro desse cenário. A declaração, feita sem qualquer documento ou fonte oficial citada, circula nas redes desde a última segunda-feira (11) e não tem confirmação do governo brasileiro nem de autoridades americanas.

Jeffrey Chiquini discursa em tribuna durante evento, imagem usada para ilustrar as declarações do advogado
Jeffrey Chiquini durante discurso. Foto: Gazeta do Povo

O que Jeffrey Chiquini disse

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Jeffrey Chiquini afirma que tropas de elite americanas estariam em solo brasileiro para apoiar ações contra o PCC e o Comando Vermelho, duas das maiores organizações criminosas do país. Ele vai além e especula que o presidente Lula “poderia ser alvo” nesse contexto, sem detalhar em que circunstância isso ocorreria nem apresentar qualquer prova da presença da Delta Force no território nacional.

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Até a publicação desta matéria, nem o Ministério da Defesa, nem o Itamaraty, nem a embaixada dos Estados Unidos no Brasil confirmaram ou comentaram a declaração de Jeffrey Chiquini. Trata-se, portanto, de uma afirmação pessoal do candidato, não de um fato verificado por fontes oficiais.

Quem é Jeffrey Chiquini

Jeffrey Chiquini é advogado criminalista e pré-candidato a deputado federal pelo Paraná no partido Novo, conhecido por defender o ex-assessor presidencial Filipe Martins e por embates públicos com ministros do STF. Ele ganhou notoriedade em casos de repercussão na Justiça paranaense e vem construindo presença nas redes sociais com discursos críticos ao governo federal e ao que classifica como avanço do crime organizado sobre instituições públicas. A pré-candidatura foi formalizada nos primeiros meses de 2026, e Chiquini tem viajado por cidades do Paraná para apresentar sua plataforma eleitoral.

O contexto: PCC, Comando Vermelho e a segurança pública

O PCC e o Comando Vermelho são apontados por autoridades de segurança pública como as duas maiores facções criminosas em atuação no Brasil, com histórico de disputa por rotas de tráfico de drogas e presença em presídios de diferentes estados. O tema da cooperação internacional no combate a essas organizações já apareceu antes em declarações de autoridades brasileiras e americanas, mas sempre no campo da troca de inteligência e cooperação institucional, nunca da presença de forças militares estrangeiras em operações dentro do território nacional.

Nos últimos anos, o governo dos Estados Unidos classificou facções como o PCC e o Comando Vermelho como organizações de interesse para agências de segurança americanas, sobretudo pela conexão dessas facções com rotas internacionais de tráfico. Essa classificação, no entanto, é distinta de uma autorização para operações militares em solo brasileiro, que dependeria de acordo formal entre os dois países e passaria por aprovação do Congresso Nacional, algo que não há registro de ter ocorrido.

Declarações sobre forças estrangeiras já geraram polêmica antes

Não é a primeira vez que um político brasileiro associa o combate ao crime organizado à presença de forças militares dos Estados Unidos no país. Esse tipo de declaração costuma repercutir rapidamente entre eleitores mais alinhados a discursos de linha dura contra facções criminosas, mas raramente vem acompanhada de documentação que comprove a informação. Uma operação militar estrangeira em território brasileiro dependeria de aprovação formal do Congresso Nacional e seria, por sua natureza, difícil de manter em sigilo, já que envolveria deslocamento de tropas, logística e coordenação entre governos.

Repercussão nas redes

O vídeo com a declaração de Jeffrey Chiquini gerou reações divididas nos comentários: parte comemora a possibilidade levantada por ele, enquanto outra parte pede cautela diante da falta de confirmação oficial. Declarações desse tipo, envolvendo nomes de repercussão nacional como o do presidente da República, tendem a se espalhar rápido nas redes justamente por isso, mesmo sem qualquer fonte verificável por trás.

A Folha de Patrocínio entrou em contato com a assessoria de Jeffrey Chiquini para obter mais detalhes sobre a origem da informação e vai atualizar esta matéria caso receba retorno.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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