A troca de assessoria jurídica na verba indenizatória de Maria Clara Marra (PSDB) deveria, em tese, ser neutra ou até reduzir custo. Não foi isso que os dados mostraram sobre a troca de assessoria jurídica no mandato. Em novembro de 2025, um segundo escritório de advocacia passou a receber pagamentos mensais ao lado da consultora que já prestava esse serviço havia anos, e o resultado, dois meses depois, foi um gasto mensal combinado mais alto do que qualquer valor pago antes da mudança. A verba que devia enxugar engordou.
Como funcionava a assessoria antes da troca de assessoria jurídica
Alana Carlech Correia prestou serviços de consultoria, assessoria e pesquisa para o mandato de Maria Clara Marra desde o início da legislatura, recebendo R$ 225.600,00 em 40 notas fiscais entre 2023 e 2026, um contrato praticamente ininterrupto mês a mês. O valor mensal variou ao longo do tempo: R$ 7.000,00 durante praticamente todo 2023 e a maior parte de 2024, caindo para R$ 5.800,00 em alguns meses de 2024, e se estabilizando em R$ 6.000,00 ao longo de 2025. Até aqui, um contrato de consultoria contínuo, sem sobressaltos visíveis na prestação de contas.

A entrada do Candido e Candido Neto Advogados
Em novembro de 2025, o escritório Candido e Candido Neto Advogados Associados passou a receber R$ 6.000,00 por mês da mesma verba indenizatória, na mesma categoria de serviços de consultoria e assessoria. Durante dois meses, novembro e dezembro de 2025, os dois prestadores foram pagos ao mesmo tempo: R$ 6.000,00 para Alana Carlech Correia e mais R$ 6.000,00 para o novo escritório, um gasto mensal combinado de R$ 12.000,00, o dobro do que vinha sendo pago até então.
A partir de janeiro de 2026, o valor pago a Alana Carlech Correia foi cortado para R$ 1.800,00 por mês, uma redução de 70% sobre o valor anterior. Ao mesmo tempo, o Candido e Candido Neto Advogados Associados manteve os R$ 6.000,00 mensais. Somando os dois, o gasto mensal combinado da categoria ficou em R$ 7.800,00, 30% mais caro do que a faixa de R$ 6.000,00 que vigorava antes de qualquer mudança de assessoria.
A pergunta que a troca de assessoria jurídica não responde
Se a intenção era trocar de prestador, por que manter Alana Carlech Correia recebendo, ainda que com valor reduzido, em vez de encerrar o contrato por completo? E se o novo escritório assumiu o trabalho, por que o custo mensal total da categoria subiu em vez de cair? O Portal da Transparência da ALMG não exige explicação de escopo de serviço, nem detalhamento do que cada prestador entrega em troca do valor recebido, o que torna impossível para o cidadão saber se há sobreposição de trabalho entre os dois contratos ativos simultaneamente hoje.
O Candido e Candido Neto Advogados Associados já recebeu R$ 48.000,00 em 8 notas fiscais desde novembro de 2025, um ritmo de contratação recente que, mantido pelo resto do mandato, pode superar rapidamente valores já pagos a fornecedores de longa data. Enquanto isso, Alana Carlech Correia segue recebendo mensalmente, mesmo com o corte, o que significa que a verba indenizatória está hoje pagando dois contratos de assessoria jurídica ao mesmo tempo, sem que nenhum documento público explique a divisão de tarefas entre eles.
Reportagem em série sobre a verba indenizatória
Esta é a quinta de uma série de reportagens da Folha de Patrocínio baseadas em levantamento completo, mês a mês, de toda a verba indenizatória de Maria Clara Marra disponível no Portal da Transparência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, órgão oficial responsável pela publicação desses dados. A Folha de Patrocínio vai pedir posicionamento da assessoria da deputada sobre a manutenção simultânea dos dois contratos de assessoria jurídica identificada neste levantamento.
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