Itamaraty e Milei: nota oficial chama de inaceitável post em que o argentino fala em “roubar a eleição”
No X, o presidente argentino escreveu esperar que a campanha de Lula não inclua roubar a eleição; para o governo, é ingerência externa a cinco dias do 2º turno.

O Itamaraty reagiu em nota oficial, na tarde desta terça-feira (20), a uma publicação do presidente da Argentina, Javier Milei, em que ele escreveu esperar que a campanha de Lula (PT) não inclua “roubar a eleição”. Para o governo brasileiro, a manifestação é uma “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa” no 2º turno de domingo (25), entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). O embate entre Itamaraty e Milei é o mais recente de uma crise diplomática que começou em julho.
O que Milei escreveu no X
O post saiu às 8h50 (horário de Brasília) na conta oficial de Milei no X. Ele compartilhou um vídeo de 25 segundos de Lula falando sobre a mulher que trabalha seis dias por semana e usa a folga para limpar a casa, e escreveu, em espanhol: “Espero que su último truco de campaña sucia no incluya robarse la elección… zurdo ladrón”.
Em português, a frase fica assim: “Espero que o último truque da campanha suja deles não inclua roubar a eleição… esquerdista ladrão”. No mesmo post, Milei chamou os adversários de “delincuentes” e terminou com “VLLC”, sigla do slogan “Viva la libertad, carajo”. O texto não cita Flávio, a urna eletrônica nem o Judiciário pelo nome.
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A resposta veio às 16h17, na Nota à Imprensa nº 320, com o título “Novas ofensas do Presidente da Argentina”. O ministério afirma que as declarações foram “dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico”.
O texto diz que Milei “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”, e classifica a manifestação como “inaceitável, desequilibrada” e incompatível “com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”.
Sobre a votação, a nota afirma que o voto eletrônico “é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades” e que “a decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro”. A íntegra está no site do Ministério das Relações Exteriores.

Itamaraty e Milei: a crise começou em julho
Na disputa entre Itamaraty e Milei, a nota desta semana é a segunda do ano. Em 26 de julho, um dia depois de Milei discursar na convenção do PL, em São Paulo, o chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador da Argentina, Daniel Raimondi, para “transmitir a repulsa do Governo brasileiro aos impropérios” ditos na visita. O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado de volta para consultas.
Alpha for Men“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”, dizia a nota de julho, a de número 244.
Em 4 de agosto, o Brasil rebaixou a relação ao nível de encarregado de negócios. Bitelli não voltou a Buenos Aires, e Raimondi foi dispensado. A chancelaria argentina lamentou a decisão e a chamou de unilateral, e o chanceler Pablo Quirno descartou rompimento. Por isso, desta vez, não houve embaixador para convocar: desde agosto, não há embaixador argentino em Brasília.
Milei e Flávio
O apoio de Milei a Flávio é público. Os dois se encontraram em Buenos Aires em junho, e em 25 de julho o argentino discursou ao lado do senador na convenção nacional do PL, em São Paulo. O post desta terça, porém, não menciona o candidato brasileiro.
Até o meio-dia desta quarta-feira (21), nem Flávio, nem Lula, nem o governo argentino tinham se manifestado publicamente sobre o novo capítulo entre Itamaraty e Milei.
A reta final do 2º turno
A troca de recados acontece na semana mais disputada da campanha. Nesta quarta, a nova pesquisa Quaest deu 45% a Flávio e 44% a Lula, e o senador aparece à frente em 13 das 14 pesquisas reunidas no quadro da Folha com as pesquisas do 2º turno. Na terça, Lula fez caminhada no Nordeste, como mostrou a reportagem sobre Lula em Juazeiro, e Flávio gravou vídeos com sertanejos em Goiás.
Em Patrocínio (MG), Flávio teve 61,18% dos votos válidos no 1º turno, e Lula, 30,44%, segundo o TSE. A votação é no domingo, das 8h às 17h, e a contagem sai na página de apuração em tempo real.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






