Pacote eleitoral de R$ 300 bilhões não tira Lula da desvantagem, diz Waack
Em dois dias, o Congresso aprovou o fim da escala 6x1 e o novo teto do MEI, com perdão de R$ 12,57 bilhões em dívidas. Para o jornalista, o eleitor segue cansado.

Nem o pacote eleitoral aprovado pelo Congresso em dois dias, com o fim da escala 6×1 e o perdão de dívidas de microempreendedores, mudou o cenário da disputa presidencial. A avaliação é do jornalista William Waack, que, em análise na CNN Brasil, calculou em cerca de R$ 300 bilhões o conjunto de benesses do governo Lula às vésperas do segundo turno, parte delas sem previsão no Orçamento.
As medidas mexem com o bolso de muita gente em Patrocínio (MG), onde o comércio e os serviços dependem de trabalhadores na escala 6×1 e de microempreendedores individuais. Para Waack, porém, o efeito nas urnas é pequeno diante do cansaço do eleitor e da desaprovação do governo, que não diminuíram.
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Na noite de quarta-feira (14), o Senado aprovou por 75 votos a 1 a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6×1. O texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, sem corte de salário. O único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), como a Folha mostrou na reportagem sobre o voto de Mourão contra o fim da 6×1. Os números da votação estão na matéria sobre a aprovação do fim da escala 6×1. Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, também votou a favor.
No mesmo dia, a Câmara aprovou o projeto de lei complementar que amplia o teto do MEI, proposta enviada pelo governo. Na quinta-feira (15), o Senado confirmou o PLP 186/2026 por 78 votos a 0, e o texto segue para sanção. Segundo a Agência Senado, o limite de receita sobe para até R$ 140 mil a partir de 2028, o microempreendedor poderá ter até dois empregados, em vez de um, e as dívidas com a União registradas até 13 de outubro de 2026 poderão ser perdoadas. O Executivo estima que 3,6 milhões de MEIs tenham débitos na Dívida Ativa, que somam R$ 12,57 bilhões.

Por que Waack diz que o pacote eleitoral não basta
Para o jornalista, a lista aprovada às pressas tem caráter eleitoreiro. Além da 6×1 e do MEI, ele citou uma transferência de R$ 5 mil para novos negócios. Segundo Waack, dependendo da conta, o total de medidas do governo neste fim de campanha chega a cerca de R$ 300 bilhões, e para parte disso “sequer há previsão orçamentária”. Ele resumiu o raciocínio com a imagem de uma festa feita hoje cuja conta alguém paga amanhã. Não há, até agora, um número oficial do governo para o custo total do pacote, e os cálculos de economistas variam conforme as medidas incluídas.
O comentarista também criticou a oposição. Ao lembrar que Flávio apoiou o fim da 6×1, disse que o Brasil é “prisioneiro da ideia” de que o populismo de Lula só se combate com outro populismo.
Alpha for MenO que pesa no segundo turno
A pergunta que Waack fez no ar foi se o pacote eleitoral ajuda Lula a virar a desvantagem com que saiu do primeiro turno. A resposta dele: até aqui, não. O jornalista atribui isso a fatores mais amplos, que já tinham aparecido no resultado do dia 4 nas eleições presidenciais, estaduais e, sobretudo, na disputa pelo Legislativo: o cansaço generalizado do eleitor e a alta taxa de desaprovação do governo. Esse “climão”, nas palavras dele, continua o mesmo. Waack disse que o espaço para uma virada existe, mas é apertado.
As pesquisas mais recentes vão na mesma direção. O Datafolha divulgado nesta quinta-feira registrou Flávio com 51% e Lula com 49% dos votos válidos, e a mediana de dez institutos ouvidos depois do primeiro turno marca 52% a 48%, como mostra a matéria sobre a pesquisa Datafolha de hoje. Não é a primeira vez que Waack trata o primeiro turno como divisor de águas: na semana passada, ele avaliou que a soma de rejeição e a força da centro-direita no Congresso dificultam a reeleição, como registrou o texto sobre a análise da aposentadoria de Lula.
Parte das medidas não nasceu na campanha: a PEC da 6×1 tramita no Congresso desde 2019. Já o perdão de dívidas e o novo teto do MEI partiram do próprio Executivo.
O que o pacote eleitoral muda em Patrocínio
Na prática, nada disso chega ao contracheque ou ao caixa do pequeno empresário de imediato. A transição para a jornada de 40 horas só começa 60 dias depois da promulgação da PEC, anunciada para esta sexta-feira (16). O dono de uma pizzaria da cidade, por exemplo, calculou R$ 400 mil a mais de custo por ano com a mudança, como mostrou a Folha na reportagem sobre a escala 6×1 numa pizzaria de Patrocínio.
Para o MEI, o teto maior só vale a partir de 2028, e o perdão das dívidas depende da sanção do presidente e da regulamentação. Quem tem débito em aberto deve acompanhar os canais oficiais da Receita Federal e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional antes de pagar ou renegociar qualquer parcela, e desconfiar de mensagens que ofereçam “quitação” em nome do governo.
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