Pastor preso por feminicídio é suspeito de matar a ex na festa do filho
Jeane Cristina Mattes, de 43 anos, tinha medida protetiva e morreu na festa de aniversário do filho; a polícia registrou o caso como feminicídio.

O pastor Jonatã de Jesus Batista, de 40 anos, foi preso em flagrante em Americana, no interior de São Paulo, suspeito de matar a facadas a ex-esposa, Jeane Cristina Mattes, de 43, durante a festa de aniversário do filho do casal. O caso de pastor preso por feminicídio aconteceu no domingo (11), no bairro Vila Conquista, e foi registrado pela polícia como feminicídio. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP) paulista, Jeane tinha medida protetiva de urgência contra ele.
O que se sabe sobre o pastor preso por feminicídio
De acordo com a SSP, o homem foi contido por moradores e ficou preso em flagrante. Pelo que consta no boletim de ocorrência, Jeane foi levada ao Hospital Municipal de Americana, mas não resistiu aos ferimentos. A mulher foi atingida por sete facadas, segundo as informações divulgadas até agora. Uma faca foi apreendida, e a perícia trabalhou no local. A ocorrência ficou a cargo do 4º Distrito Policial da cidade.
Segundo as informações iniciais, policiais tiveram de escoltar o suspeito na saída do local, porque moradores tentaram agredi-lo. Os dois filhos do casal estavam na comemoração e presenciaram o crime. A Folha não cita o nome das crianças.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Em depoimento, segundo o que foi relatado, o pastor afirmou ter agido por ciúme, depois que a ex-mulher começou um novo relacionamento, e disse ter usado álcool e drogas entre a noite de sábado e a manhã de domingo. São declarações do suspeito. Cabe à investigação confirmar ou descartar cada uma delas, e a defesa dele não havia se manifestado nas informações reunidas pela Folha até a publicação desta reportagem.

Medida protetiva estava em vigor
O ponto que mais chama atenção no caso é a medida protetiva. A mulher tinha a proteção da Justiça justamente contra o ex-marido, e, mesmo assim, os dois estavam no mesmo local por causa da comemoração do aniversário do filho. As informações divulgadas até agora não detalham como se deu esse encontro nem se havia combinação prévia entre a família. As informações divulgadas indicam ainda que o pastor já havia sido preso em julho, em outro episódio de violência doméstica contra a mesma mulher, o que deve pesar na investigação.
A medida protetiva é um instrumento da Lei Maria da Penha, e o juiz pode determinar, entre outras restrições, que o agressor mantenha distância mínima da vítima e não tenha contato com ela. O descumprimento é crime. Na prática, porém, o papel não impede o encontro quando ele acontece num ambiente familiar, com crianças e amigos em comum, como numa festa de aniversário. Foi nesse tipo de situação que o caso de Americana terminou em morte.
O que a Justiça considera feminicídio
Feminicídio é o assassinato de uma mulher por razões da condição de sexo feminino, o que inclui violência doméstica e familiar e menosprezo à condição de mulher. Desde a mudança feita pela Lei 14.994, de 2024, o feminicídio deixou de ser apenas uma qualificadora do homicídio e passou a ter pena própria, de 20 a 40 anos de reclusão. A pena ainda aumenta em situações como a presença de filhos da vítima no momento do crime ou o descumprimento de medida protetiva.
Alpha for MenA classificação feita pela polícia na ocorrência é inicial. O pastor preso por feminicídio é suspeito do crime e responde ao processo como acusado só depois que o Ministério Público apresentar denúncia e a Justiça a aceitar. Até lá, vale a presunção de inocência, mesmo diante da prisão em flagrante. O que está confirmado pela SSP é a morte de Jeane, a prisão do suspeito no local e o registro do caso como feminicídio.
Vínculo religioso e o que a igreja disse
O pastor preso por feminicídio se apresentava nas redes sociais como pastor e publicava vídeos e mensagens de reflexão religiosa. A igreja à qual ele esteve ligado informou que ele não faz parte da instituição desde março de 2024, segundo as informações reunidas sobre o caso. A Folha trata a condição de pastor como um dado de identificação do suspeito, sem relacioná-la a nenhuma denominação. Violência contra a mulher atravessa todas as profissões e crenças, e o caso não diz nada sobre a fé de quem frequenta ou lidera uma igreja.
Casos parecidos na região da Folha
A reportagem de Americana lembra outros casos que o leitor da região acompanhou nas últimas semanas. A Folha mostrou o feminicídio em Patos de Minas, em que uma mulher de 39 anos foi achada morta em casa, e a prisão do acusado, escondido na garagem de um primo. Em setembro, um homem descumpriu a medida protetiva e invadiu a casa da ex com uma faca, também em Patos de Minas.
Em Patrocínio (MG), a campanha Sinal Vermelho, que permite à mulher pedir ajuda mostrando um X vermelho na palma da mão em farmácias e comércios, completou cinco anos e ainda é pouco conhecida na cidade, segundo a Folha apurou.
Onde pedir ajuda
Mulher que vive violência doméstica pode ligar para o 190 (Polícia Militar) em caso de risco imediato ou para o Ligue 180, central de atendimento gratuita e sigilosa, que funciona todos os dias, a qualquer hora. Quem tem medida protetiva deve avisar a polícia ao menor sinal de aproximação do agressor, em vez de esperar o contato se repetir. Vizinhos e familiares que presenciarem agressão também podem chamar o 190.
O pastor preso por feminicídio continua detido, e o caso segue sob investigação do 4º Distrito Policial de Americana. A Folha acompanha o desdobramento e atualizará esta reportagem quando houver informação sobre a audiência de custódia e a denúncia.






