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Ex-bolsonarista que apoiou Lula, Otoni de Paula perde eleição para deputado

Pastor do PSD-RJ declarou voto em Lula no primeiro turno e somou 19.364 votos, cerca de 88% menos que os 158.507 de 2022. O mandato vai até janeiro de 2027.

Otoni de Paula discursa no plenário da Câmara dos Deputados. Foto: reprodução
Otoni de Paula discursa no plenário da Câmara dos Deputados. Foto: reprodução

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) não conseguiu se reeleger. O pastor, que rompeu com o bolsonarismo e declarou voto em Lula ainda no primeiro turno de 2026, recebeu 19.364 votos no Rio de Janeiro e ficou fora das 46 vagas do estado na Câmara dos Deputados.

Há quatro anos, ele era o sétimo candidato mais votado do estado. Desta vez, teve cerca de um oitavo daquela votação.

A queda de Otoni de Paula nas urnas

Em 2018, Otoni de Paula foi eleito deputado federal com 120.498 votos. Em 2022, já pelo MDB, subiu para 158.507 votos e ficou em sétimo lugar entre 1.079 candidatos ao cargo no Rio de Janeiro, segundo levantamento do Hub Político. No domingo (4), com a legenda do PSD, somou 19.364. É uma queda de cerca de 88% em relação a 2022. Naquela campanha, segundo o mesmo levantamento, ele declarou gastos de aproximadamente R$ 2,57 milhões. Em 2018, na primeira eleição para a Câmara, também foi o sétimo mais votado, entre 1.152 candidatos.

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Otoni de Paula discursa na tribuna do plenário da Câmara dos Deputados em 2019
Otoni de Paula no plenário da Câmara em junho de 2019, quando ainda era filiado ao PSC. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados (CC BY 3.0)

Outro nome conhecido do Rio também ficou pelo caminho. Benedita da Silva (PT-RJ), a quem Lula indicou para disputar o Senado e que também é evangélica, perdeu a vaga para Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL, de acordo com o Metrópoles.

Do “na bala” ao voto em Lula

A virada chamou atenção pelo ponto de partida. Em 2022, ele chamou Lula de “vagabundo” e disse que lidaria com o então candidato “na bala”, conforme registrou o Metrópoles. No ano passado, afirmou ter se arrependido da forma como se dirigiu ao petista.

Já na campanha de 2026, o deputado publicou um vídeo na própria página no X em que se dirige diretamente ao presidente. “Eu fiz oposição muito ferrenha ao senhor, até que eu tive um encontro com a verdade, não com as narrativas de quem era o senhor”, disse. Na mesma fala, anunciou que votaria em Lula já no primeiro turno e admitiu o custo político: “embora haja consequências dessa minha decisão”.

A disputa presidencial segue para o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro. Na fala, o deputado disse que a eleição do presidente é fundamental para o país.

O que explica a derrota

O voto em deputado federal é proporcional. As 46 cadeiras do Rio de Janeiro são distribuídas entre partidos e federações conforme a votação somada de cada um, e só então entram os candidatos mais votados de cada lista. Por isso, ter 19.364 votos individuais não bastou para garantir uma vaga.

A Revista Oeste apresentou o caso como consequência de ter trocado Bolsonaro por Lula. Só que as urnas não permitem isolar um único fator. Neste mesmo ciclo, o deputado também mudou de partido, saindo do MDB para o PSD.

Até a publicação desta matéria, a Folha de Patrocínio não localizou manifestação do parlamentar sobre o resultado.

Quem é Otoni de Paula

Otoni Moura de Paulo Júnior nasceu em Niterói, em 22 de novembro de 1976, é pastor evangélico e filho do também político Otoni de Paula Pai. Foi vereador do Rio de Janeiro entre 2017 e 2019, eleito em 2016 com 7.801 votos, e chegou à Câmara dos Deputados em 2019. Pelo caminho, passou por várias legendas: PSC, MDB e, agora, PSD. Integra a Comissão de Educação da Casa, conforme a página oficial do deputado.

Como a eleição de 2026 não renova o mandato dele, Otoni de Paula segue na Câmara até o fim da legislatura, em janeiro de 2027.

Renovação também na bancada de Minas

Em Minas Gerais, a eleição também deixou parlamentares de fora. A Folha de Patrocínio reuniu a lista completa em Reeleição em Minas: veja os 17 parlamentares que ficaram de fora.


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