Torcida do Flamengo exibe faixas contra Lula, Congresso e STF
Três faixas foram erguidas no Maracanã antes do Fla-Flu deste domingo. O protesto surge em meio à disputa sobre a MP que proibiu as apostas de quota fixa.

Faixas estendidas na arquibancada do Maracanã criticaram Lula, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) antes do clássico entre Flamengo e Fluminense, disputado neste domingo (11) pelo Campeonato Brasileiro. O recado, escrito em três faixas brancas lado a lado, dizia: “O futebol brasileiro não pode ser vítima desse gol contra: Lula, Congresso e STF”. A torcida do Flamengo não explicou na faixa o motivo, mas o protesto aparece em meio à briga em torno da medida provisória que proibiu as apostas de quota fixa, as chamadas bets.
O vídeo que circula nas redes sociais mostra as faixas de perto e também em plano aberto, com uma bandeira gigante rubro-negra ao fundo. O protesto foi registrado por vários veículos de imprensa no domingo. A Folha de Patrocínio não localizou, até a publicação, nota do clube sobre as faixas.
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A frase ocupa três faixas. A primeira diz “O futebol brasileiro não pode”, a segunda completa com “ser vítima desse gol contra” e a terceira fecha com “Lula, Congresso e STF”. As três foram erguidas lado a lado, no mesmo trecho da arquibancada.
Como a torcida do Flamengo não citou as bets na faixa, a ligação com a medida provisória é uma leitura do contexto. Nesse caso, o contexto pesa: o tema domina o debate do futebol desde o fim de setembro, e os dois clubes do clássico estão entre os que se manifestaram contra a proibição.

A medida provisória das bets e o futebol
A Medida Provisória 1.394/2026 foi editada pelo presidente Lula em 25 de setembro e proíbe a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país. O Flamengo e o Fluminense, segundo relatos do clássico, entraram em campo com a frase “Proibir não é proteger” no espaço das camisas onde costumam ficar os patrocinadores de apostas.
Os clubes também foram à Justiça. Flamengo e Fluminense pediram ao STF para entrar nas ações como interessados, a favor da suspensão dos efeitos da medida. O relator, ministro Luiz Fux, avalia adiar a decisão para depois do segundo turno, segundo informação de uma coluna publicada em 7 de outubro. O STF não confirmou o adiamento. A Folha detalhou o caso na matéria sobre a MP das bets e a avaliação de Fux.
Alpha for MenAntes da medida, o futebol já havia se posicionado. No dia 17 de setembro, clubes e federações divulgaram um manifesto com o título “O fim do futebol brasileiro”, que admite o dano social das apostas, mas defende manter o mercado regulamentado. A lista de assinaturas, que inclui Flamengo e Fluminense, está na matéria sobre o manifesto dos clubes sobre as bets.
O dinheiro das bets no futebol
O que está em jogo para os clubes é receita. O Corinthians, por exemplo, calcula perder ao menos R$ 480 milhões da patrocinadora máster, a Esportes da Sorte, entre 2027 e 2029 se a medida continuar valendo, conforme a Folha mostrou no caso do patrocínio do Corinthians. Esse valor é uma estimativa divulgada por site especializado em notícias do clube, e não um número confirmado pela empresa.
O governo defende a proibição, e a Advocacia-Geral da União (AGU) sustenta a medida no STF. O lado oposto argumenta que proibir empurra o apostador para sites clandestinos e tira dos clubes uma fonte de dinheiro. A Folha já registrou também o debate político em torno do tema, como na matéria sobre Lula e as bets, em que o deputado Nikolas Ferreira acusa o presidente de ter criado o problema.
Protesto de torcida em ano eleitoral
A manifestação aconteceu a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência. Faixa em estádio é uma forma tradicional de a torcida se expressar, e as da torcida do Flamengo foram a opinião de um grupo de torcedores, não uma posição do clube nem de todos os rubro-negros.
A Folha de Patrocínio publica o fato e o contexto, sem tomar partido na disputa entre o governo e o setor de apostas. Quem quiser acompanhar o andamento da ação pode consultar o portal do Supremo Tribunal Federal. Outras notícias da campanha e do cenário nacional estão na editoria Política.
A matéria sobre a torcida do Flamengo será atualizada se o clube, o STF ou o governo se pronunciarem sobre as faixas.
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