Prêmio do arábica sobe e vai ao maior nível em três anos
Seca do El Niño reduz a safra na América Central, e o prêmio do arábica sobe. Em Patrocínio, a Expocacer pagou R$ 1.645 a saca, R$ 25 abaixo de quarta.

O prêmio do arábica na América Central chegou ao maior nível em cerca de três anos, segundo a agência Reuters, nesta quinta-feira (8). É o valor extra que os compradores pagam acima do preço da bolsa de Nova York para garantir café da região, e ele sobe porque a seca ligada ao El Niño reduziu a oferta em Honduras, Guatemala, El Salvador e Nicarágua.
A cotação atualizada está na página preço do café hoje em Patrocínio, com o indicador CEPEA/ESALQ, a bolsa de Nova York e o dólar.
O que é o prêmio do arábica e por que ele subiu
O café vendido no mundo tem como referência o contrato do arábica negociado em Nova York. Quem compra de uma origem específica paga esse preço mais um diferencial, que é o prêmio. Quando o café de uma região fica escasso ou difícil de achar, o diferencial aumenta. É o que acontece agora na América Central, onde o chamado Corredor Seco, que abrange os quatro países, passou por uma seca que atingiu o pico em julho e agosto.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.A região responde por cerca de 15% da oferta mundial de arábica. As projeções para a safra 2026/27 já refletem o estrago: Honduras espera uma colheita 7% menor, e a Guatemala, 10% menor. Os dois países produzem dois terços de todo o café da América Central, e as estimativas ainda podem ser revisadas para baixo. Compradores que dependem desse café suave de altitude passaram a disputar o que sobrou, e o prêmio do arábica foi parar no patamar mais alto em cerca de três anos.
A seca também tem custo humano. Agências humanitárias alertam para uma crise alimentar na região, porque a seca destruiu parte das lavouras de feijão e milho de 3 milhões a 5 milhões de agricultores de subsistência e pequenos produtores. O café sofre menos, por ser uma cultura perene, com raiz profunda, mas a mesma estiagem pesa sobre as famílias que vivem dele.
Um piso para os preços, mas o dia foi de queda
Segundo analistas ouvidos pela Reuters, o prêmio do arábica em alta cria uma espécie de piso para os preços futuros no mundo: com o café centro-americano caro e escasso, fica mais difícil a bolsa afundar por muito tempo. Nesta quinta, porém, a bolsa não mostrou esse efeito. O contrato de dezembro do arábica em Nova York fechou a 289,05 centavos de dólar por libra-peso, queda de 3,65 pontos, o que estende o recuo de quarta-feira, quando o café tinha caído 3,86%, como a Folha mostrou na matéria sobre o café que cai em Nova York e encarece o adubo.
O motivo da pressão continua sendo o Brasil. Nesta quinta, o Notícias Agrícolas apontou o mercado atento às chuvas da florada e à oferta global. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) informou que o país exportou 3,93 milhões de sacas de café verde em setembro, o maior volume em 20 meses, tema da matéria da Folha sobre as exportações de setembro. E a Conab estima a safra brasileira de 2026 em 67,6 milhões de sacas, alta de 19,6% sobre o ano anterior e o maior volume da série histórica do órgão.
Alpha for MenO resultado são dois mercados andando em sentidos opostos: o café brasileiro abundante segura a cotação da bolsa, enquanto o de origens específicas, como o da América Central, fica mais caro por causa do prêmio. Para o produtor de Patrocínio, o prêmio do arábica importa porque o comprador que o paga costuma procurar qualidade e rastreabilidade, e é nesse ponto que o Cerrado Mineiro costuma disputar mercado.

O que a queda de Nova York fez com a saca em Patrocínio
O recuo da bolsa já chegou ao mercado físico da cidade. Na tabela do Notícias Agrícolas desta quinta, a Expocacer aparece com o café tipo 6/7 bebida dura bica corrida a R$ 1.645 a saca, o tipo 6 a R$ 1.680 e o cereja descascado a R$ 1.715. Na quarta, as mesmas qualidades estavam em R$ 1.670, R$ 1.705 e R$ 1.735. Foram R$ 25 a menos nos dois primeiros tipos e R$ 20 no terceiro.
A diferença é pequena diante do que a bolsa perdeu, mas confirma o caminho. A Folha não encontrou, até a publicação desta matéria, dado oficial de prêmio para o café do Cerrado Mineiro no mesmo período, de modo que a comparação com a América Central serve como indicador de mercado, não como previsão de preço local.
Patrocínio é o terceiro município do país em volume de café e o primeiro em valor da produção, segundo o IBGE, como a Folha mostrou na matéria sobre a produção municipal. A cidade abriga a sede da Expocacer, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado, fundada em 1993. Para quem produz aqui, outubro junta duas contas: decidir quando vender o café que restou da safra 2026 e fechar a compra de adubo para a próxima, que o Cepea calcula estar 19,4% mais cara em sacas de café do que em agosto.
O que observar nos próximos dias
O preço deve seguir a chuva no Cerrado e no Sul de Minas, que define o pegamento da florada e, com ela, o tamanho da safra de 2027. Também contam a revisão das estimativas de Honduras e da Guatemala, que pode reforçar o prêmio do arábica se vier abaixo do esperado, e o câmbio, com o dólar perto de R$ 5,00, que muda quanto o produtor recebe em reais pelo mesmo preço em dólar.
A Folha acompanha as cotações do café todos os dias e volta ao assunto quando a tabela das cooperativas refletir novos movimentos.
Fontes: Reuters (publicada pelo Notícias Agrícolas), Conab, Secex, Cepea/Esalq e tabela do mercado físico do Notícias Agrícolas de 8/10.
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