O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), voltaram a se falar diretamente depois de meses de distanciamento. O encontro entre Lula e Alcolumbre aconteceu na noite de terça-feira (4), num jantar de mais de três horas na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em Brasília, com a presença também do ministro Cristiano Zanin.
O que motivou o afastamento entre Lula e Alcolumbre
A relação entre os dois políticos ficou estremecida em novembro do ano passado, quando Lula indicou o então advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no STF com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. O Senado, sob a presidência de Alcolumbre, rejeitou a indicação de Messias, impondo ao governo uma derrota considerada histórica. Desde então, os dois presidentes praticamente pararam de conversar diretamente.

Antes do jantar mediado por Moraes e Zanin, outros interlocutores já vinham tentando reaproximar Executivo e Legislativo: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e os ministros José Guimarães (Relações Institucionais) e José Múcio (Defesa) atuaram nos bastidores para viabilizar uma conversa direta entre Lula e Alcolumbre. Foi a articulação dos dois ministros do STF, no entanto, que conseguiu colocar os dois na mesma mesa.
O que foi discutido no encontro
Segundo relatos veiculados pela imprensa nacional, Lula e Alcolumbre expuseram mágoas acumuladas nos últimos meses, mas encerraram a reunião com a avaliação de que a relação está com o “jogo zerado”. Para evitar novo desgaste, os dois evitaram tratar diretamente sobre uma eventual nova indicação de Lula ao STF. Em reserva, o presidente já admite que essa indicação só deve ocorrer depois do resultado das eleições de outubro.
Na pauta prática entre os dois presidentes estão temas que o governo considera prioritários e que dependem do Senado: o fim da escala de trabalho 6×1, promessa de campanha de Lula à reeleição, e a PEC da Segurança Pública. A proposta do fim da escala 6×1 já foi aprovada na Câmara e está parada no Senado desde 28 de maio. O Congresso retoma os trabalhos após o recesso em 10 de agosto, com o primeiro turno das eleições marcado para 4 de outubro.

Repercussão e debate sobre a proximidade entre os Poderes
A notícia do jantar, mediado por dois ministros do STF na casa de um deles, repercutiu nas redes sociais e reacendeu um debate recorrente na política brasileira: até que ponto é adequado que integrantes do Judiciário atuem como articuladores diretos de acordos entre Executivo e Legislativo. Críticos do governo e do STF usaram o episódio para questionar os limites entre os Poderes, enquanto outros analistas apontam que reuniões de bastidor entre autoridades para destravar impasses institucionais não são incomuns na história política do país, ainda que reuniões promovidas na casa de um ministro do Supremo sejam pouco usuais.
Não há, até o momento, irregularidade formal apontada por órgãos de controle em relação ao encontro. O debate público gerado pelo episódio é sobre a percepção de proximidade entre os Poderes às vésperas de uma eleição presidencial, não sobre qualquer apuração ou investigação em curso.
Parte da repercussão nas redes sociais levantou um ponto específico: se caberia a um ministro do STF, cuja função pressupõe independência e imparcialidade em relação a Executivo e Legislativo, promover pessoalmente um encontro de reaproximação política entre os chefes dos outros dois Poderes. Usuários também questionaram se um episódio semelhante, promovido por um ministro indicado por um governo de outro espectro político, receberia a mesma cobertura discreta da imprensa. A Folha de Patrocínio não encontrou, até a publicação desta reportagem, um precedente direto e equivalente para comparação, mas registra que o debate sobre os limites da atuação de ministros do Supremo fora de suas funções jurisdicionais já é recorrente na política brasileira, independentemente do partido no poder.
Contexto eleitoral
O encontro entre Lula e Alcolumbre acontece a menos de dois meses do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Alcolumbre preside o Senado num momento de forte polarização em torno da votação de pautas prioritárias do governo, e a articulação política entre os dois nos próximos meses deve influenciar diretamente a tramitação de projetos como o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública antes do período eleitoral mais decisivo.
Reportagem em contexto
Esta reportagem foi apurada a partir de cobertura da imprensa nacional sobre o encontro entre Lula e Alcolumbre, incluindo a reportagem da CNN Brasil, que confirmou a data, os participantes e a duração do jantar. A Folha de Patrocínio segue acompanhando os desdobramentos da retomada das conversas entre o Palácio do Planalto e o Senado Federal, e mantém cobertura permanente de política no Brasil e na região.
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