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Política

Lula é o único candidato à Presidência na história a ser chamado de ladrão pelo seu próprio vice

Em 2006, Alckmin comparou o petista a um "ladrão de carro" e o TSE deu direito de resposta; em 2017, disse que Lula queria "voltar à cena do crime".

Chamado de ladrão em 2006: Alckmin e Lula se cumprimentam em 2022, quando selaram a aliança
Chamado de ladrão em 2006: Alckmin e Lula se cumprimentam em 2022, quando selaram a aliança

Lula foi chamado de ladrão pelo homem que hoje é o vice dele. Em setembro de 2006, numa entrevista de rádio, o então candidato tucano Geraldo Alckmin comparou o petista a um ladrão de carro. Vinte anos depois, os dois disputam juntos o segundo turno de 25 de outubro. A frase rendeu direito de resposta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e voltou a circular nas redes nesta reta final, junto com outras falas duras de Alckmin contra o presidente.

Os adversários da chapa usam esse passado como munição. Alckmin e Lula se enfrentaram no segundo turno de 2006 e passaram mais de uma década em lados opostos, num período em que PSDB e PT disputaram quase todas as eleições presidenciais entre si.

Chamado de ladrão de carro: a fala de 2006 que foi parar no TSE

A declaração mais pesada saiu em 21 de setembro de 2006, no Jornal da CBN. Alckmin falava do caso do dossiê, o episódio em que petistas foram presos com R$ 1,7 milhão para comprar um material contra candidatos tucanos. “É como o ladrão de carro, que rouba e continua roubando porque sabe que dificilmente será preso”, disse o tucano, segundo o registro da entrevista publicado na época.

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Na mesma conversa, ele afirmou que “ninguém mais acredita no Lula” e citou o mensalão e o valerioduto. A coligação de Lula foi ao TSE. Por 5 votos a 1, a corte concedeu quatro minutos de direito de resposta ao petista na própria CBN. O relator, ministro Ari Pargendler, entendeu que houve excesso na fala do candidato do PSDB.

Foi também naquela campanha que Alckmin disse, num debate, que Lula “não tem compromisso com a verdade”. O petista venceu o segundo turno de 2006 e foi reeleito.

“Voltar à cena do crime”: o discurso de 2017

Onze anos depois de o petista ser chamado de ladrão de carro, em 9 de dezembro de 2017, Alckmin assumiu a presidência nacional do PSDB numa convenção em Brasília, eleito por 470 votos a 3. No discurso, mirou Lula, que já tinha sido condenado em primeira instância na Lava Jato e dizia que seria candidato em 2018. “Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder. Ou seja, ele quer voltar à cena do crime”, afirmou.

Na mesma fala, o tucano disse que os brasileiros estavam “vacinados contra o método lulopetista de confundir para dividir, iludir para reinar” e previu que o petista seria “condenado nas urnas pela maior recessão da história”. Na campanha de 2018, Alckmin repetiu o tom contra o PT e descartou qualquer aliança com o partido. Terminou aquela eleição em quarto lugar.

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Alckmin chamou Lula de ladrão em 2006; em 2026, os dois erguem os braços juntos na convenção do PT
Alckmin e Lula na convenção nacional do PT, em 2 de agosto de 2026, em São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert/PT

Da troca de partido à chapa de 2022

A virada começou em dezembro de 2021, quando Alckmin deixou o PSDB depois de 33 anos no partido. Em março de 2022 ele se filiou ao PSB, e em abril o acordo com o PT foi fechado. Quando os filhos de Jair Bolsonaro resgataram os vídeos de 2017 e 2018, o agora candidato a vice disse ter sido “iludido” e passou a defender que Lula tinha sido preso injustamente. O petista teve as condenações da Lava Jato anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021.

Lula falou do assunto na época e disse que a decisão de Alckmin de ser seu vice era a demonstração de que as críticas tinham ficado no passado. A chapa venceu Bolsonaro em 2022, e Alckmin assumiu a Vice-Presidência e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Alckmin e Lula de novo juntos em 2026

Em 2 de agosto, a convenção nacional do PT oficializou a candidatura de Lula à reeleição com Alckmin outra vez como vice. A chapa já foi alvo de pedidos de cassação no TSE, como a ação apresentada por Flávio Bolsonaro e o pedido do Novo pelo desfile de carnaval.

A entrevista em que Lula foi chamado de ladrão de carro voltou a circular junto com outros ataques ao governo na última semana de campanha, que também tem a entrevista de Roberta Luchsinger contra o presidente.

Em Patrocínio, o primeiro turno deu vantagem larga ao adversário da chapa: Flávio Bolsonaro teve 61,18% dos votos válidos e Lula, 30,44%, segundo o TSE. As sondagens mais recentes estão na página de pesquisas do segundo turno, e a contagem do dia 25 terá apuração em tempo real. Os resultados oficiais ficam no site do TSE.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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