A proposta de Augusto Cury para colocar influenciadores nas embaixadas brasileiras voltou a ser tema de debate depois que o pré-candidato à Presidência foi questionado sobre o assunto pela jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo. Ele recuou da ideia de transformar diplomatas de carreira em criadores de conteúdo, mas manteve a defesa de equipes profissionais dedicadas às redes sociais dentro das embaixadas.

Influenciadores nas embaixadas: o que Cury disse na entrevista

Na conversa, veiculada por O Globo, Valor e CBN, Malu Gaspar pressionou Cury sobre a ideia de usar influenciadores para representar o país no exterior. Ele rejeitou a proposta de simplesmente converter diplomatas de carreira em criadores de conteúdo, mas defendeu que as embaixadas brasileiras tenham equipes profissionais e criadores locais para promover a imagem, a produção e o potencial econômico do Brasil fora do país.

“Nós temos que usar o digital para vender o país”, afirmou o pré-candidato, que também resumiu sua visão sobre a imagem internacional do Brasil com a frase “nós temos que vender o país como supermercado do mundo, e não como fazenda”.

A proposta completa no plano de governo

A ideia de reforçar a presença digital das embaixadas não nasceu na entrevista a Malu Gaspar. Segundo o plano de governo de Augusto Cury, a proposta prevê pelo menos dez influenciadores digitais em países com até 50 milhões de habitantes, e ao menos vinte em nações maiores ou consideradas estratégicas para o Brasil. Como alternativa, o pré-candidato já mencionou também a possibilidade de capacitar o próprio corpo diplomático para atuar de forma mais intensa nas redes sociais.

Cury tem criticado publicamente a atuação do Itamaraty, dizendo que o órgão representa mal os interesses brasileiros num cenário de guerras, tarifas comerciais e disputas entre Estados Unidos e China que afetam diretamente o Brasil. Ao mesmo tempo, ele fez questão de separar as tarefas: para as negociações mais sensíveis, ligadas à pacificação e a temas de alto nível, defendeu que o trabalho continue nas mãos de diplomatas de carreira.

Augusto Cury durante entrevista sobre influenciadores nas embaixadas brasileiras
Augusto Cury durante entrevista concedida a Malu Gaspar. Imagens: reprodução O Globo, Valor e CBN

Repercussão da proposta

A proposta de influenciadores nas embaixadas já havia repercutido antes, em entrevista ao Jornal Nacional, quando Cury chegou a dizer que queria formar diplomatas e colaboradores “para ser influenciador, para vender melhor o Brasil”. A ideia gerou piadas e críticas nas redes sociais, com internautas questionando, de forma irônica, a lógica de colocar criadores de conteúdo para representar o país em negociações formais no exterior, segundo reportagem do ND+.

Nenhum valor de investimento ou cronograma de implementação para o programa de influenciadores nas embaixadas foi detalhado publicamente até agora. A proposta segue sendo um dos pontos de maior repercussão do plano de governo do pré-candidato, ao lado de outras ideias como o uso de drones no combate ao feminicídio, apresentada na mesma leva de propostas que chamou atenção nas redes.

O debate sobre influenciadores nas embaixadas também expôs uma tensão maior no discurso de Cury: de um lado, a defesa de uma diplomacia mais agressiva e comercial, nos moldes do que ele chama de “vender o Brasil”; de outro, o reconhecimento de que negociações de alto nível, ligadas a temas de guerra, tarifas e relações entre grandes potências, exigem a experiência acumulada do corpo diplomático tradicional. Embaixadas brasileiras já mantêm perfis institucionais nas redes sociais, mas ligados à comunicação oficial dos governos, não à lógica de influenciadores digitais remunerados para gerar engajamento, que é o formato que Cury propõe ampliar.

Quem é Augusto Cury

Augusto Cury é psiquiatra, escritor e palestrante, conhecido por livros de autoajuda e psicologia com grande volume de vendas no Brasil. Filiado ao Avante, ele se apresenta como uma candidatura fora do eixo tradicional da política brasileira, buscando atrair eleitores insatisfeitos com os nomes já estabelecidos na disputa presidencial de 2026.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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