Apurou a Folha de Patrocínio, com fonte direta e próxima ao parlamentar, que Leonídio Bouças estaria avaliando não disputar a reeleição a deputado estadual em 2026. Uma eventual desistência de Bouças ainda não tem qualquer confirmação oficial: até a conclusão desta reportagem, o registro dele na Justiça Eleitoral seguia ativo como “Concorrendo”, pelo PSDB, número 45999.

O que se sabe até agora sobre a desistência de Bouças

A possível desistência de Bouças foi relatada à Folha de Patrocínio nesta semana. Não há, até o momento, nenhuma nota oficial do parlamentar, do PSDB ou da Federação PSDB Cidadania confirmando a informação, nem qualquer registro de pedido de cancelamento de candidatura protocolado na Justiça Eleitoral. Uma desistência formal só produz efeito jurídico depois desse protocolo no TRE-MG, o que, segundo a consulta mais recente ao sistema DivulgaCandContas do TSE, ainda não havia ocorrido.

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Por isso, esta reportagem trata a informação como apuração em andamento, e não como fato consumado. Diante da relevância do parlamentar para o resultado da federação, no entanto, a Folha de Patrocínio optou por levantar o que está em jogo nos dois cenários possíveis: com Bouças na disputa, e sem ele.

Com Bouças candidato: o retrato de hoje

Leonídio Bouças é, hoje, o nome mais consistente do PSDB na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Ele foi eleito deputado estadual em três eleições seguidas: 2014 (por média), 2018 e 2022 (por quociente partidário, nas duas últimas). Em 2022, recebeu 69.355 votos, o maior número entre todos os 32 candidatos que o PSDB lançou naquele ano para a Assembleia.

Esse número tem um peso desproporcional dentro do partido. Do total de 299.427 votos que o PSDB somou em 2022, os 69.355 de Bouças representam sozinhos 23% de toda a votação do partido no estado. Nenhum outro candidato do PSDB chegou perto: o segundo colocado, Dalmo Roberto Ribeiro Silva, teve 62.236 votos, mas não está na chapa de 2026.

Sem Bouças: o que estaria em jogo para a federação

Se a desistência de Bouças se confirmar, a federação PSDB Cidadania perderia o único nome, entre os 39 candidatos do PSDB inscritos para 2026, com histórico comprovado de eleição. Nenhum dos outros candidatos da chapa atual já foi eleito deputado estadual antes. A Folha de Patrocínio já mostrou, em reportagem anterior sobre a disputa interna do PSDB, como a chapa do partido mudou radicalmente de 2022 para 2026.

Leonídio Bouças, deputado estadual, alvo da possível desistência de Bouças da disputa em 2026
Leonídio Bouças (PSDB), deputado estadual por Minas Gerais. Foto: divulgação/ALMG

O cenário fica mais delicado quando se olha para o Cidadania, o outro partido da federação. Ele também encolheu de forma acentuada: eram 24 candidatos em 2022, com três eleitos (João Bosco, João Vitor Xavier Faustino e Raul Belém), e caiu para apenas 3 candidatos em 2026: nenhum deles entre os que venceram em 2022. Ou seja, a federação corre o risco real de entrar em 2026 sem nenhum dos quatro deputados que elegeu em 2022, caso a informação sobre Bouças se confirme.

Maria Clara Marra: reeleição mais desafiadora sem o principal puxador de votos

Dentro desse cenário, o caso de Maria Clara Marra chama atenção. Ela foi eleita deputada estadual em 2022, mas pelo partido Democracia Cristã (DC), com 42.415 votos, não pelo PSDB. Para 2026, migrou para a federação e passa a concorrer pelo PSDB, sem qualquer histórico de votação prévio dentro do próprio partido que agora a abriga.

O sistema eleitoral proporcional brasileiro reparte cadeiras a partir do total de votos do partido ou federação, não apenas do desempenho individual de cada candidato: o chamado quociente partidário. Isso significa que a votação pessoal de Marra terá de competir por espaço dentro de um cálculo que, no cenário de desistência de Bouças, ficaria sem os 69.355 votos dele e com uma base consideravelmente menor de largada. Não existe hoje nenhuma pesquisa ou dado que permita estimar um percentual de chance de reeleição para ela. O que existe, e é verificável, é que a federação perderia de uma só vez quase um quarto da votação que o PSDB somou em 2022, justamente o ano em que o partido mal conseguiu manter uma única cadeira.

Quanto vale uma cadeira na Assembleia

Para entender a dimensão do problema, vale explicar como funciona a conta. Em 2022, a Assembleia teve 77 cadeiras em disputa e 11.048.642 votos válidos para deputado estadual em Minas Gerais. Dividindo um pelo outro, chega-se ao quociente eleitoral: 143.489 votos válidos equivaliam a uma cadeira garantida na primeira etapa da distribuição.

Mesmo com 299.427 votos, mais que o dobro do quociente, o PSDB fechou 2022 com uma única cadeira: a de Bouças. Isso mostra como a distribuição final depende do desempenho de todos os outros partidos e federações na disputa pelas vagas restantes, calculadas pelo método das médias maiores. Um partido não garante duas cadeiras só por ultrapassar duas vezes o quociente: a matemática final é mais complexa e comparativa.

O que falta para confirmar a desistência de Bouças

Até a publicação desta matéria, a Folha de Patrocínio não obteve resposta do PSDB, da Federação PSDB Cidadania nem de Leonídio Bouças sobre a possível desistência. O registro dele segue ativo no TSE. Uma desistência formal, caso se confirme, precisa ser protocolada na Justiça Eleitoral. O partido teria então a opção de substituí-lo por outro candidato dentro do prazo legal, ou seguir sem repor o nome na chapa.

A Folha de Patrocínio segue apurando o caso e atualiza esta reportagem assim que houver confirmação oficial, de qualquer um dos lados.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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