Choveu 43,1 milímetros em Patrocínio só na primeira quinzena de setembro, contra 35,9 no mesmo ponto do ano passado. Para o cafeicultor isso é boa notícia. Para o Aedes aegypti também, e é por isso que a Secretaria Municipal de Saúde decidiu reforçar agora o aviso sobre a dengue em Patrocínio.
A campanha foi anunciada nesta terça-feira (15), no mesmo dia em que a Defesa Civil emitiu alerta de tempestade e um vendaval com granizo atingiu a zona rural. A previsão para esta quarta é de 57% de chance de chuva, e para quinta sobe a 71%.

O que a Secretaria de Saúde está pedindo
A lista de cuidados é a de sempre, e continua sendo a que resolve: eliminar água acumulada em vasos de plantas, pneus, garrafas, calhas, ralos e outros recipientes; manter as caixas-d’água tampadas; limpar quintais e terrenos; descartar corretamente material que possa acumular água; e manter piscina tratada e limpa.
“A dengue é uma doença que pode evoluir para quadros graves e a melhor forma de enfrentá-la é evitar a proliferação do mosquito. Cada morador precisa fazer a sua parte e reservar alguns minutos da semana para verificar o quintal, os vasos, calhas e todos os locais que possam acumular água”, disse a secretária municipal de Saúde, Luciana Rocha. Segundo ela, a prevenção precisa fazer parte da rotina, especialmente neste período.
Por que o calendário importa
O ovo do Aedes aegypti resiste meses em recipiente seco e eclode quando a água chega. É isso que transforma a virada do tempo em virada de risco: o criadouro que passou a seca parado volta a funcionar na primeira chuva.
O acumulado de 43,1 mm até 11 de setembro é medição da Expocacer para a região, e ficou 20% acima do mesmo período do ciclo anterior. O vendaval com granizo que atingiu a região de Moreiras na tarde de terça e o temporal da madrugada do mesmo dia são a mesma história vista de outro ângulo: água sobrando na cidade e no campo.
Sintomas da dengue em Patrocínio, e o remédio que não se deve tomar
Febre, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, manchas vermelhas na pele, náuseas e cansaço são os sinais que a Secretaria pede para levar a sério. A orientação é procurar um serviço de saúde para avaliação.
E há um alerta específico contra a automedicação, em especial com medicamentos que possam aumentar o risco de sangramento. Isso inclui ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios não hormonais, classe em que entram remédios de uso corriqueiro para dor e febre. Em quadro de dengue eles podem agravar hemorragia, e é por isso que a recomendação é não tomar nada por conta própria antes da avaliação.
Não é só dengue
O mesmo mosquito transmite chikungunya e zika. Eliminar o criadouro protege contra as três de uma vez, o que muda a conta de custo e benefício de gastar dez minutos por semana olhando o quintal. Quem combate a dengue em Patrocínio está combatendo outras duas doenças no mesmo esforço, e a vigilância municipal trata as três pelo mesmo indicador de infestação.
As orientações completas sobre sintomas, diagnóstico e prevenção estão no portal do Ministério da Saúde.
O dado que falta na campanha sobre dengue em Patrocínio
O comunicado da Prefeitura não traz nenhum número epidemiológico do município: nem casos confirmados no ano, nem notificações do mês, nem o resultado do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti, o LIRAa, que é o indicador usado para classificar o risco de um município em satisfatório, de alerta ou de risco.
Sem esses números o morador não tem como saber se Patrocínio está melhor ou pior do que no ano passado, nem quais bairros concentram focos. São dados públicos: qualquer cidadão pode pedi-los à Secretaria Municipal de Saúde, e as notificações de arboviroses por município também aparecem no painel aberto do Ministério da Saúde. A Folha vai atrás deles.
Enquete: avalie a gestão do prefeito de Patrocínio

A Folha de Patrocínio quer ouvir você: como está sendo, na sua avaliação, este 1 ano e 6 meses de gestão do prefeito Gustavo Brasileiro à frente da Prefeitura de Patrocínio? Vote na enquete abaixo.

