A defesa do condutor da caminhonete envolvida no acidente que matou o motociclista Paulo Eduardo de Mello Soares, no km 455 da BR-365, em Patrocínio, divulgou uma nota à imprensa para contestar a versão que circulou nos últimos dias sobre como a batida aconteceu. São duas páginas, assinadas pelo advogado Átila do Nascimento, com data de 2 de setembro. O documento passou a circular entre veículos locais nesta sexta-feira (4).

O ponto central é a negativa de que a caminhonete tenha cruzado para a pista contrária. Segundo o texto, a afirmação de que o motorista “teria invadido a faixa de sentido contrário e que essa circunstância teria sido apontada como causa determinante do acidente” não corresponde “aos elementos probatórios que já foram identificados e analisados pela defesa”.

O que diz a defesa do condutor da caminhonete

A defesa do condutor sustenta que testemunhas presenciais e outros elementos de prova apresentam “uma dinâmica dos fatos que contradiz a versão atualmente divulgada”, especialmente no ponto da invasão de faixa. O advogado lista o que, segundo ele, vai esclarecer o ocorrido: os vestígios encontrados no local, a posição dos veículos, a dinâmica da colisão, os depoimentos das testemunhas e a perícia oficial.

Outro trecho trata do teste de alcoolemia. Segundo a nota, o motorista da caminhonete passou pelo etilômetro e o resultado foi 0,0 mg/L, o que, no entendimento do escritório, afasta qualquer hipótese de ingestão de álcool ligada ao acidente. Esse ponto não está em disputa: as publicações anteriores sobre o caso também informavam que o teste tinha dado negativo.

A nota diz ainda que o condutor “lamenta profundamente o acidente e a perda da vida ocorrida” e se solidariza com os familiares da vítima, mas reafirma que “não praticou a conduta que lhe está sendo atribuída”. O escritório declara estar convicto de que as provas vão comprovar a inocência do motorista dentro do devido processo legal, ao fim das investigações.

A perícia da Polícia Civil ainda não foi concluída

O documento contesta também a existência de um laudo. “A perícia técnica da Polícia Civil ainda não foi concluída, inexistindo qualquer laudo, diferente do afirmado nas publicações à imprensa”, diz o texto. A partir disso, a defesa pede que se preserve a serenidade e que as autoridades terminem a apuração “sem que versões preliminares sejam tratadas como verdades definitivas”.

O condutor da caminhonete não foi identificado publicamente por nenhuma fonte, e o escritório também não divulgou o nome dele. Até esta publicação, não há informação de indiciamento, denúncia ou decisão judicial no caso. A Polícia Rodoviária Federal atendeu a ocorrência na madrugada do acidente e a perícia ficou com a Polícia Civil.

Documento da defesa do condutor sobre o acidente na BR-365 em Patrocínio
Primeira página da nota à imprensa assinada pelo advogado Átila do Nascimento. Documento: defesa do condutor da caminhonete

Entenda o caso

O acidente aconteceu na madrugada de domingo, 30 de agosto, por volta de 1h, no trecho da BR-365 entre Patrocínio e Guimarânia, nas imediações do trevo do Hotel Serra Negra e perto da unidade da Pif Paf. Uma caminhonete e uma motocicleta colidiram, e o motociclista morreu no local. A Folha publicou a informação naquele mesmo dia, em matéria sobre a morte de Paulo Eduardo de Mello Soares, de 31 anos, natural de Ipixuna do Pará e morador de Patrocínio.

Naquela cobertura inicial, a reportagem registrou que a dinâmica ainda estava sendo apurada pela Polícia Rodoviária Federal, sem atribuir a causa a nenhum dos dois veículos. Em 3 de setembro, publicações locais divulgaram um relato atribuído à PRF segundo o qual os veículos seguiam em sentidos opostos quando o maior deles teria cruzado para a faixa contrária. A mesma divulgação apontava que a caminhonete percorreu cerca de 29 metros após o impacto, com danos no lado esquerdo, e que a perícia investigava se sinalização deficiente, desgaste do asfalto e velocidade incompatível teriam contribuído para o acidente. É essa reconstituição que a nota questiona.

As duas versões que estão de pé

Enquanto o laudo pericial não sai, o que existe são duas leituras do mesmo acidente. Uma foi atribuída à PRF e divulgada na imprensa. A outra é a que a defesa do condutor apresenta agora. Cada uma se apoia em elementos que ainda serão confrontados pelas autoridades, e nenhuma das duas tem, por enquanto, respaldo de laudo oficial.

A divulgação da nota provocou forte reação nas redes sociais em Patrocínio, com familiares e amigos da vítima cobrando a identificação do motorista e o andamento das investigações. A Folha publicará o teor do laudo assim que a perícia for concluída.