Dança do ventre de Patrocínio leva 2º lugar em festival de Uberaba
Sete alunas da Companhia Rosa Helena levaram ao Movimenta Triângulo um projeto que começou em janeiro, com 21 mulheres e uma homenagem aos descendentes de árabes.

O troféu é redondo, traz a silhueta de uma bailarina e a inscrição “Grupo 40+ Danças Árabes, 2º lugar”. Ele saiu de Uberaba e veio para Patrocínio (MG) com sete alunas da Companhia Rosa Helena Dança do Ventre, que competiram no Festival Competitivo Movimenta Triângulo, realizado nos dias 9, 10 e 11 de outubro.
A dança do ventre que elas levaram ao palco nasceu de um trabalho maior. Em janeiro, as professoras Rosa Helena Borges Peres e Isaura Elias Jacome reuniram 21 mulheres para montar uma coreografia sobre a herança árabe da cidade. As sete que foram a Uberaba saíram desse grupo.

Pátria, Terra e Grão: de onde veio a coreografia
O projeto se chama Pátria, Terra e Grão. Segundo a companhia, ele foi pensado como um flashmob em homenagem aos descendentes de árabes que vivem em Patrocínio e mistura cultura, ancestralidade, poesia e identidade regional. O café está no nome e no cenário: nas fotos do festival, uma saca de juta aparece estendida no chão, entre vestidos vermelhos com faixas verdes e bastões de bambu.
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O bastão é um acessório comum em danças folclóricas árabes. No saidi, estilo do sul do Egito, a bengala remete ao tahtib, uma antiga arte marcial praticada com varas.

Nas aulas, segundo a companhia, as professoras não ensinam só a técnica. Elas dizem que o trabalho serve para acolher mulheres e fortalecer a autoestima delas, com a arte como forma de cuidado emocional, e que querem desfazer preconceitos sobre a dança árabe.
Sete alunas levam a dança do ventre de Patrocínio a Uberaba
Das 21 participantes, sete aceitaram um segundo desafio: apresentar o trabalho em um festival competitivo. A preparação teve ensaios e contou com o apoio das famílias, relata o grupo. Uma das imagens feitas em Uberaba mostra os punhos das bailarinas unidos em círculo, cada um com a pulseira rosa de identificação do evento.
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No palco, sob luz azul, elas dançaram em fila com os bastões nas mãos. A apresentação rendeu o segundo lugar na categoria Grupo 40+ em Danças Árabes, resultado gravado no troféu que o grupo trouxe para casa.

Fora do palco, o festival montou um painel com balões azuis, verdes e roxos, onde as bailarinas posaram com o figurino. Em um registro de 10 de outubro, feito de manhã, o grupo aparece no mesmo lugar ainda de roupa comum.

A avaliação de Shalimar Mattar
A companhia comemora também a avaliação positiva que recebeu de Shalimar Mattar, apresentada pelo grupo como referência internacional da dança árabe. Ela é a organizadora do Mercado Persa, festival de danças árabes realizado em São Paulo desde 1995, e filha da criadora do evento, a bailarina Samira Samia, uma das precursoras da dança árabe no Brasil. As informações são da Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA), que em 2017 registrou a expectativa de 8 mil participantes em três dias de festival.

Onde a dança do ventre aparece em Patrocínio
A modalidade também está na programação pública de cultura do município. A dança do ventre aparece entre as oficinas que a Fundação Casa da Cultura e a Secretaria de Cultura e Turismo mostraram no pelotão da cultura do desfile de 7 de Setembro, e fez parte das apresentações de alunos no Arraiá do Céu das Artes, em julho.
O troféu de Uberaba não é o único que chegou à cidade nas últimas semanas. Em 26 de setembro, Renata Zucoloto, Rainha Mundial do Café 2026, recebeu o Troféu Jovens Estrelas, em Varginha.
Quem apoiou a companhia
No texto de agradecimento, a companhia cita os patrocinadores Agrokafra, Recanto Patrocínio, Doner Kebab, Nunes Coffee e Giselle Abreu (Amo Café). O agradecimento vai também para as 21 mulheres da primeira fase do projeto, as sete que foram ao festival, as famílias e quem torceu pelo grupo.

“O troféu veio para Patrocínio, mas a maior conquista é saber que, quando mulheres se unem por um propósito, a arte ultrapassa o palco e transforma histórias”, diz a companhia, que se apresenta com o lema “dançando histórias, honrando culturas e transformando vidas”.
O texto divulgado pelo grupo não informa datas de novas apresentações. Outras notícias de arte e eventos da cidade estão na editoria de Cultura da Folha.
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