Café de Patrocínio segura R$ 1.750 e outras praças caem
Com o dólar perto de R$ 5,00, Machado, Araguari e Franca recuaram na tabela do físico, mas a saca em Patrocínio ficou parada no topo, com Nova York em alta.

O café de Patrocínio fechou esta segunda-feira (5) a R$ 1.750 por saca de 60 quilos, sem variação, enquanto a maioria das praças acompanhadas pelo Notícias Agrícolas recuou. O dólar caiu forte depois das eleições, a bolsa de Nova York subiu, e o produtor brasileiro teve de lidar com as duas notícias ao mesmo tempo.
De manhã, a moeda americana chegou a cair 4,56%, para R$ 4,979, segundo a Agência Safras. No fechamento, a tabela do Notícias Agrícolas registrava o dólar em R$ 5,00. Para a consultoria, com a moeda em queda os produtores tendem a ficar mais retraídos e esperar preço melhor para voltar a vender.
Café de Patrocínio fica parado e abre vantagem na tabela
O arábica tipo 6 de Patrocínio, cotado pela Expocacer na tabela do físico, ficou em R$ 1.750. Foi o maior valor da lista do dia. Ao redor, a história foi outra: Machado, no Sul de Minas, caiu 4,05% e foi a R$ 1.660. Araguari, vizinha no Cerrado Mineiro, recuou 2,40%, para R$ 1.630. Franca (SP) perdeu 3,57%, e foi a R$ 1.620, e Campos Gerais cedeu 2,05%, a R$ 1.670. Varginha ficou parada em R$ 1.650, e Guaxupé, em R$ 1.648.
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Vale um cuidado ao comparar números. A Safras, que acompanha o mercado por outra metodologia, apontou o café do Cerrado Mineiro (bebida dura, safra nova, com 15% de catação) entre R$ 1.660 e R$ 1.665 na sexta, estável, e o do Sul de Minas entre R$ 1.650 e R$ 1.655. São bases de qualidade e de negociação diferentes da tabela do Notícias Agrícolas, e por isso não se misturam as duas séries.
Nova York sobe e o dólar tira parte do ganho
Na bolsa de Nova York, o contrato de dezembro do arábica fechou a 292,55 centavos de dólar por libra-peso, depois de encerrar a sexta a 288,75. Pela Reuters, o café acompanhou o açúcar, que chegou à maior cotação em 19 meses. O relatório da CFTC, com dados até 29 de setembro, mostrou que os grandes fundos aumentaram a posição comprada de 10.273 para 13.492 contratos.
Mas o café é cotado em dólar, e o produtor recebe em reais. Uma conta simples da Folha mostra o tamanho do efeito: a 292,55 centavos por libra, a saca de 60 quilos vale cerca de US$ 387 na bolsa. Com o dólar a R$ 5,00, isso dá aproximadamente R$ 1.935. Se a moeda estivesse a R$ 5,20, o mesmo preço lá fora renderia perto de R$ 2.012, uns R$ 77 a mais por saca. A conta ignora prêmios, descontos e custos, mas mostra por que o dólar baixo pesa no bolso do cafeicultor mesmo com a bolsa em alta.
O que o mercado mundial diz sobre a oferta
Ao fundo, a oferta mundial cresce. A Organização Internacional do Café (OIC) informou que as exportações mundiais somaram 12,58 milhões de sacas em agosto, 15% acima das 10,95 milhões do mesmo mês de 2025. Na temporada 2025/26, de outubro a agosto, o total chegou a 130,81 milhões de sacas, 1,1% a mais que um ano antes.
Por tipo de café, as exportações de arábica, que é o café de Patrocínio, somaram 81,39 milhões de sacas nos 12 meses até agosto, queda de 5%. As de robusta chegaram a 61,05 milhões, alta de 12%. Ou seja, o robusta, mais barato, ganha espaço nas vendas externas, e o arábica depende da origem e da classificação para segurar preço.
Em setembro, como a Folha mostrou na matéria sobre o balanço do mês, o contrato de dezembro perdeu 6,7% na bolsa de Nova York com a chegada da safra brasileira aos portos.

Como fica o produtor do Cerrado Mineiro
Para quem tem café guardado, a segunda-feira teve um lado bom e outro ruim. O preço em reais do café de Patrocínio segurou, e a bolsa mostra apetite dos fundos. Já o dólar perto de R$ 5,00 corta o ganho em reais e pode atrasar as vendas, como avaliou a Safras. O ritmo de negócios, que já vinha lento na sexta, tende a continuar assim enquanto o câmbio não se acomodar.
Patrocínio lidera o país em valor da produção de café, e a Expocacer, cooperativa com sede na Avenida Faria Pereira, 3945, é referência de preço para o Cerrado Mineiro. Quem planeja vender a safra 2026 costuma olhar a tabela da cooperativa.
Nos próximos dias, o mercado olha para a reação do dólar depois da eleição e para o clima no Brasil e no Vietnã, que segue no radar dos investidores, segundo o Notícias Agrícolas. A Folha acompanha as cotações do café de Patrocínio todos os dias. Quem vende ou compra deve conferir o preço direto com a cooperativa ou com o corretor antes de fechar negócio, já que a tabela é referência e os valores mudam ao longo do dia.
Fontes: Agência Safras, Notícias Agrícolas (tabela do mercado físico e bolsa de Nova York em 5/10), Reuters e Organização Internacional do Café.
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