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Pesquisa Veritá em Minas: Flávio tem 43,7% e Lula, 40%

O instituto põe Flávio 3,7 pontos à frente no estado, mas o carrossel traz duas versões do resultado nacional e contas que não fecham.

Fotos de Flávio Bolsonaro e Lula lado a lado, candidatos medidos pela pesquisa Veritá em Minas
Fotos de Flávio Bolsonaro e Lula lado a lado, candidatos medidos pela pesquisa Veritá em Minas

A pesquisa Veritá em Minas voltou a circular nesta quarta-feira (30), a quatro dias da votação, num carrossel de 13 imagens publicado pelo perfil Radar Político BR: Flávio Bolsonaro (PL) tem 43,7% dos votos válidos no estado, Lula (PT) tem 40% e os demais candidatos somam 16,3%. O levantamento é do Instituto Veritá e já havia sido noticiado em 21 de setembro pela Tribuna do Norte.

O material pede leitura com cuidado. Ele traz números que não batem entre si, e o instituto acumula contestações na Justiça Eleitoral em outros estados.

Flávio Bolsonaro e Lula lado a lado, os dois candidatos medidos pela pesquisa Veritá em Minas
Flávio Bolsonaro e Lula, os dois primeiros colocados na pesquisa. Fotos: Andressa Anholete/Agência Senado (Flávio) e Ricardo Stuckert/PR (Lula), licença CC BY-SA 4.0

O que mostra a pesquisa Veritá em Minas

No cenário de primeiro turno para presidente, a pesquisa Veritá em Minas dá a Flávio 43,7% e a Lula 40%, uma diferença de 3,7 pontos percentuais. Os demais candidatos somam 16,3%, o maior índice desse grupo entre os quatro estados do Sudeste. Os números são de votos válidos, que deixam de fora brancos, nulos e quem não soube responder. No mapa do instituto, Minas está entre as 17 unidades da Federação onde Flávio lidera numericamente. Lula lidera em 10, nove delas no Nordeste mais o Distrito Federal.

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No Sudeste, a diferença mineira é igual à do Espírito Santo (45,4% a 41,7%) e bem menor que as de São Paulo (48,9% a 39,8%) e do Rio de Janeiro (51,6% a 38,2%). O carrossel informa margens de erro de 2,0 a 3,5 pontos conforme o estado, mas não diz qual vale para Minas. Essa informação consta no registro BR-03240/2026, que a Folha não consultou no site do TSE. Com margem dessa ordem para cada candidato, uma diferença de 3,7 pontos pode ser empate técnico ou vantagem real, e a pesquisa sozinha não permite dizer qual. O próprio instituto avisa, nos slides regionais, que as diferenças devem ser lidas considerando a margem de erro.

Como foi feita a pesquisa Veritá em Minas

Segundo o carrossel, são 27 pesquisas, uma para cada unidade da Federação, feitas por iniciativa própria do instituto entre 10 e 19 de setembro, com 40.500 entrevistas no total e 95% de confiança. O resultado nacional não vem de uma amostra única do país: é a soma dos números de cada estado, ponderada pelo tamanho do eleitorado. Nos slides finais, o Veritá lembra que pesquisa não é apuração e não prevê o resultado da eleição.

A Lei das Eleições exige que pesquisas eleitorais sejam registradas na Justiça Eleitoral até cinco dias antes da divulgação, e que o registro informe quem contratou e quanto custou. Pesquisa paga pelo próprio instituto é prática comum e não tem nada de irregular. O carrossel diz que foi iniciativa própria, mas não informa o valor. Na rodada anterior, noticiada pela Folha em 13 de setembro, o Veritá havia declarado um custo de R$ 200 mil, como mostra a cobertura da pesquisa Veritá no primeiro turno. Aquela matéria também registra as decisões desfavoráveis que o instituto acumula na Justiça Eleitoral em outros estados.

Duas versões do resultado nacional

A capa do carrossel traz 45,73% para Flávio e 41,56% para Lula. Os slides seguintes trazem 45,53% e 41,76%, com vantagem de 3,77 pontos, o que é coerente com esses segundos números. Os dois pares circularam na imprensa. A Tribuna do Norte noticiou 45,53% a 41,76%, enquanto DMA Notícias e Classe Política publicaram 45,73% a 41,56%. A Folha não ouviu o instituto até a publicação e, por isso, usa nesta matéria os números do miolo, que fecham com a vantagem informada.

Há outras contas que não fecham. O slide com todos os candidatos lista dez nomes abaixo de Flávio e de Lula que somam 12,11%, mas indica 12,71% para os demais. No ranking de vantagens de Flávio, Santa Catarina aparece com 29,2 pontos e o Paraná com 24,7. A tabela do Sul, no mesmo carrossel, mostra 62,7% a 28,9% em Santa Catarina, ou 33,8 pontos, e 52,3% a 34,1% no Paraná, ou 18,2 pontos. Nada disso altera o número de Minas, mas são erros de montagem que justificam cautela na hora de repassar o material.

Pesquisa Veritá em Minas e Datafolha: os números divergem

No Datafolha divulgado em 25 de setembro, o primeiro turno em Minas tinha Lula com 39% e Flávio com 37%, empate técnico dentro da margem de três pontos, e o segundo turno aparecia com 46% para Flávio e 44% para Lula, como a Folha mostrou na matéria sobre o Datafolha no segundo turno em Minas. A comparação direta pede cuidado, porque a Veritá trabalha com votos válidos, e outros institutos divulgam números diferentes por metodologia. Ainda assim, a ordem muda: no Datafolha, Lula aparece à frente no primeiro turno mineiro, e na Veritá é Flávio quem lidera.

A divergência não aponta qual instituto está certo. Com os dois candidatos a poucos pontos um do outro e margens de erro de até 3,5, o estado continua em aberto nas pesquisas.

O que isso significa para o eleitor de Patrocínio

Minas tem o segundo maior eleitorado do país, e a disputa presidencial chegou às ruas de Patrocínio nas últimas semanas, com a carreata por Flávio Bolsonaro em Patrocínio e a visita de Cleitinho, candidato ao governo, a Patrocínio. A eleição acontece neste domingo, 4 de outubro.

A pesquisa Veritá em Minas é um retrato de 10 a 19 de setembro, tirado de 11 a 20 dias antes do voto. Quem for comparar números de institutos diferentes deve olhar a data da coleta, a margem de erro e se o resultado é de votos válidos ou do total de entrevistados. A Folha atualiza esta matéria se o Instituto Veritá esclarecer as divergências do carrossel.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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