Quatro proposições assinadas pelo mesmo parlamentar voltaram à estaca zero na última sessão da Câmara Municipal de Patrocínio. Os projetos de Ricardo Balila foram devolvidos ao autor depois de rejeição na Comissão de Legislação, Justiça e Redação, na 25ª Reunião Ordinária, realizada em 21 de setembro, às 18h.
A sessão foi presidida pelo vereador Nikolas Elias e integra a 2ª Sessão Legislativa da legislatura 2025/2028.
Quais projetos de Ricardo Balila foram devolvidos
São quatro textos, de temas distintos:
- Projeto de Lei 275/2026, que criava o programa “Arena do Amanhã”, de incentivo escolar, esportivo e tecnológico;
- Projeto de Lei 282/2026, que instituía o Programa de Apoio aos Atletas;
- Projeto de Lei 299/2026, sobre controle da leucena no município;
- Projeto de Lei 300/2026, que criava a “Fazendinha do Autista”.
A leucena, alvo do PL 299, é uma árvore de origem centro-americana usada no Brasil como forrageira e para sombreamento. Ela se espalha com facilidade em terreno degradado e beira de estrada, e é tratada como espécie exótica invasora em vários municípios, que editam leis para conter a propagação.

O que significa a devolução
A Comissão de Legislação, Justiça e Redação é a primeira barreira técnica por onde passa qualquer proposta na Câmara. Cabe a ela avaliar se o texto é juridicamente viável, se respeita a competência do município e se está em forma para tramitar. Quando o parecer é contrário e a comissão o aprova, a proposição não segue para as comissões de mérito nem para o plenário: volta ao autor.
Devolução não encerra o assunto. O vereador pode corrigir os pontos apontados e reapresentar o texto como proposta nova. O que a devolução faz é zerar a tramitação e devolver o trabalho ao ponto de partida.
Ter quatro textos barrados de uma vez chama atenção pelo volume, não pelo ineditismo. Parecer contrário da comissão jurídica é rotina em qualquer Casa legislativa, e costuma atingir propostas que criam programa, estrutura ou obrigação para a prefeitura, porque aí entra a discussão sobre iniciativa privativa do Executivo. O que a sessão de segunda-feira concentrou foi a devolução de quatro proposições de um único autor no mesmo dia.
A Folha não obteve manifestação do vereador sobre a decisão até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Balila apresentou outro projeto na mesma sessão
No mesmo dia em que os quatro projetos de Ricardo Balila voltaram para as mãos dele, o vereador protocolou uma proposta nova: o Projeto de Lei 352/2026, sobre acesso a órteses e próteses. O texto foi encaminhado às comissões e agora percorre o mesmo caminho que barrou os outros quatro.
Também entrou na pauta o Projeto de Decreto Legislativo 46/2026, de autoria de Nikolas Elias, que concede título de cidadã honorária a Gabrielle Pereira Queiroz.
O que a Câmara aprovou
Em segunda discussão e votação, o plenário aprovou dois projetos de denominação de vias públicas, ambos do vereador Prof. Emerson Caixeta. Um deles dá a uma rua o nome de Renato José de Souza Magalhães. O outro homenageia Michel Willian Nunes.
Denominação de logradouro é o tipo de matéria que costuma tramitar sem atrito, porque está dentro da competência municipal e não cria despesa. É o contraste que explica parte do que aconteceu com os outros textos: programas que criam estrutura, atribuem tarefa ao Executivo ou preveem gasto entram em terreno onde a comissão jurídica examina com lupa.
Onde acompanhar a tramitação
Quem quiser conferir a situação atual dos projetos de Ricardo Balila ou de qualquer outro vereador não depende do noticiário. O andamento de cada proposição fica disponível no portal SAPL da Câmara de Patrocínio, onde é possível consultar o texto integral, os pareceres das comissões e o histórico de votação por número de projeto e por autor.
As sessões ordinárias também são transmitidas pela TV Câmara e pela Rádio Legislativa de Patrocínio, e os áudios e vídeos ficam arquivados para consulta posterior. É o caminho mais direto para ouvir a discussão de um parecer sem depender de resumo.
A transparência das sessões já rendeu discussão na própria Casa. Em setembro, a Folha registrou que a Câmara votou um projeto sobre publicidade de bets sem divulgar o resultado no material oficial da sessão.
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