Um mês depois da morte da gestante Nayara Oliveira Silva e da filha que ela esperava, Ayla, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que o laudo de necropsia já foi concluído. Segundo a corporação, os detalhes dos procedimentos não podem ser divulgados neste momento, para preservar o sigilo e a eficácia das investigações. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (15/09) pelo Patrocínio Online.
Nayara tinha 26 anos e estava grávida de oito meses quando morreu, na madrugada de 12 de agosto, dentro da Santa Casa de Patrocínio. A família da jovem sustenta, desde o início, que ela passou horas pedindo uma cesárea antes de sofrer uma parada cardiorrespiratória. O caso levou moradores e familiares a protestarem em frente ao hospital, cobrando explicações sobre o atendimento.

O que diz o laudo de necropsia
De acordo com a Polícia Civil, o laudo de necropsia foi concluído, mas o conteúdo segue sob sigilo enquanto a apuração avança. A corporação não informou uma data para a divulgação dos resultados nem antecipou qualquer conclusão sobre a causa das mortes. A expectativa da família é que o documento ajude a esclarecer se houve falha no atendimento prestado a Nayara na noite em que ela e a filha morreram.
Além do laudo de necropsia, a Polícia Civil informou que diversas oitivas já foram realizadas e que a análise de imagens e de dispositivos eletrônicos está em fase final. Concluída essa etapa, o procedimento deve ser encaminhado à Justiça, que decidirá os próximos passos do caso.
O que a Santa Casa de Patrocínio já disse sobre o caso
A Santa Casa de Patrocínio nega qualquer falha no atendimento prestado a Nayara e afirma que aguarda a conclusão da perícia para se manifestar com mais detalhes. Em nota divulgada logo após as mortes, o hospital disse acompanhar a apuração da Polícia Civil e reafirmou compromisso com a qualidade do atendimento prestado aos pacientes.
A Prefeitura de Patrocínio também se manifestou sobre o caso, lamentando as mortes de Nayara e Ayla e prestando solidariedade aos familiares. A Secretaria de Saúde do município informou, à época, que acompanha a apuração conduzida pela Polícia Civil.
Relembre o caso
Nayara nasceu em 4 de março de 2000 e era moradora de São João da Serra Negra, distrito rural de Patrocínio. Ela e o companheiro esperavam a chegada de Ayla, primeira filha do casal. Segundo relato da família, Nayara deu entrada na Santa Casa de Patrocínio horas antes de morrer, já em trabalho de parto, e pediu repetidas vezes por uma cesárea. Ela sofreu uma parada cardiorrespiratória antes de ser operada, e a bebê não resistiu.
A morte de Nayara e Ayla mobilizou a cidade: familiares, amigos e moradores foram até a Santa Casa de Patrocínio para protestar e cobrar explicações, com cartazes pedindo justiça pelo caso. Passado um mês, a conclusão do laudo de necropsia é o primeiro avanço formal confirmado publicamente pela Polícia Civil desde então.
O que acontece depois do laudo de necropsia
Com o laudo de necropsia concluído e as oitivas em fase final, a etapa seguinte é o encerramento do inquérito policial e o envio de todo o material ao Ministério Público, que decide se há elementos para oferecer denúncia contra alguém ou se pede o arquivamento do caso por falta de provas. Nenhuma dessas decisões foi tomada até a publicação desta matéria. A Polícia Civil trata o caso como investigação em andamento, sem indicar prazo para conclusão.
Esta reportagem se baseia em apuração da Polícia Civil de Minas Gerais divulgada pelo Patrocínio Online, em notas oficiais da Santa Casa de Patrocínio e da Prefeitura de Patrocínio, e em reportagens já publicadas por esta redação sobre o caso, disponíveis na editoria de Polícia do site.

