A deputada federal Greyce Elias (PL-MG), nascida em Patrocínio e vereadora da cidade entre 2013 e 2016, usou as redes sociais nesta terça-feira (15/09) para comentar a sessão do STF que decide se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do falido Banco Master. “A Justiça precisa ser justa, imparcial e estar acima de qualquer lado”, escreveu Greyce Elias, pedindo que “a lei valha para todos, sem exceção e sem dois pesos e duas medidas”.
A sessão, com transmissão ao vivo pela TV Justiça, começou às 10h e marca a primeira vez que o plenário do STF analisa a abertura de investigação contra um dos próprios ministros. Antes de decidir sobre o mérito, os onze ministros discutem a validade do material produzido pela Polícia Federal e a forma como as informações foram obtidas.
O que motivou a sessão

O caso chegou ao plenário pelas mãos do ministro André Mendonça, ex-relator da investigação sobre o Banco Master, depois que a Polícia Federal identificou contato entre Vorcaro e um número de celular atribuído a Alexandre de Moraes. As mensagens foram obtidas após a quebra de sigilo telefônico de Vorcaro, banqueiro preso em 17 de novembro de 2025 quando tentava embarcar num jato particular com destino a Malta.
Segundo o relatório da PF, Vorcaro trocou cerca de 50 mensagens com o número atribuído ao ministro antes de ser preso, período em que o banqueiro demonstrou preocupação com as investigações que se aproximavam e chegou a mencionar autoridades como o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Moraes não se manifestou publicamente sobre o teor das mensagens desde que a troca veio a público.
O pano de fundo: a quebra do Banco Master
O Banco Master funcionava, segundo apurações da própria Polícia Federal, como um esquema de pirâmide financeira: oferecia títulos de investimento com retorno alto sem lastro suficiente, usando o dinheiro de novos clientes para cobrir as retiradas dos antigos. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em 18 de novembro de 2025, um dia depois da prisão de Vorcaro. Ele foi preso outra vez em 4 de março deste ano.
A apuração da Polícia Federal, batizada de Operação Compliance Zero, mapeou quatro frentes: fraude na estruturação financeira do banco, corrupção de servidores do Banco Central, ocultação de patrimônio por meio de empresas de fachada e intimidação de opositores e jornalistas. Antes da quebra, o Banco de Brasília (BRB) havia tentado comprar o Master; o negócio foi barrado pelo Banco Central em setembro de 2025, mas o BRB ainda assim precisou reservar mais de R$ 5 bilhões para cobrir operações feitas com a instituição.
Outro elemento citado nas apurações é o contrato do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, com o Banco Master: o acordo previa pagamentos de R$ 131 milhões ao longo de 36 meses.
A fala de Greyce Elias
No texto publicado nas redes, Greyce Elias evitou apontar culpados e concentrou a mensagem no funcionamento das instituições: “O que está em jogo é muito maior do que interesses políticos: é a confiança do povo brasileiro nas instituições. Esperamos que cada ministro cumpra o seu papel, com responsabilidade e respeito à Constituição.” A publicação foi ilustrada com uma reprodução da sessão do STF e alcançou, até o fim da tarde, dezenas de curtidas e compartilhamentos.
Greyce Elias integra a bancada mineira na Câmara dos Deputados e, antes de se eleger deputada federal, começou a carreira política como vereadora em Patrocínio. A manifestação desta terça-feira soma-se a outras ocasiões em que a deputada cobrou publicamente posicionamento do STF em casos que envolvem o ministro Alexandre de Moraes.
Os próximos passos
Até o fechamento desta matéria, a sessão seguia em andamento, sem decisão anunciada sobre a abertura ou não de investigação contra o ministro. Caso o plenário decida investigar, Alexandre de Moraes fica, a princípio, impedido de votar nos desdobramentos do próprio caso. A Folha de Patrocínio acompanha o julgamento, com base na cobertura ao vivo do Poder360, e atualiza esta matéria conforme o STF confirmar o resultado da sessão.
O caso Master também é acompanhado pela Folha desde o início da investigação, incluindo o momento em que Fachin derrubou o sigilo do processo antes desta sessão de 15 de setembro.
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