Um bebê dado como morto por uma maternidade do interior de São Paulo voltou a respirar dentro do próprio saco funerário, minutos antes de seguir para o velório. O caso aconteceu em Rio Claro, a cerca de 190 km da capital paulista, e ganhou repercussão nacional depois que a funcionária que percebeu os sinais de vida contou os detalhes a uma emissora de TV local.
Como o bebê dado como morto foi encontrado com vida
Noah Gabriel da Cruz Santos nasceu prematuro, em 15 de junho, com fenda palatina já diagnosticada, e ficava internado na UTI neonatal da Santa Casa de Rio Claro. Ao completar um mês de vida, em 15 de julho, ele apresentou piora clínica e sofreu uma parada cardiorrespiratória.

Segundo o hospital, a equipe médica manteve cerca de 45 minutos de manobras de reanimação, seguindo os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria. Sem resposta clínica, o óbito foi declarado no fim da tarde.
O corpo ficou ainda cerca de uma hora na UTI, período reservado a trâmites legais e ao acolhimento da família, antes de ser encaminhado a outro setor do hospital para aguardar o serviço funerário. Foi cerca de duas horas depois da declaração de óbito, já com o bebê fora do ambiente hospitalar, que a agente funerária Regina Célia Paschoal notou algo estranho ao manusear o saco de transporte: pequenos movimentos, quase imperceptíveis à primeira vista.

O relato da agente funerária que percebeu o bebê se mexer
Em entrevista à EPTV, afiliada da Globo, Regina descreveu o momento exato em que teve certeza de que o bebê ainda estava vivo. “Abri o saco e o neném começou a mexer”, contou. Segundo ela, a criança fazia um pequeno barulho, como se estivesse tentando respirar.
A funcionária acionou imediatamente o colega Matheus Batagello, e os dois avisaram a equipe médica sem perder tempo. Noah foi levado de volta ao hospital e reavaliado às pressas pelos profissionais que, poucos instantes antes, haviam assinado o atestado de óbito.
O que diz a Santa Casa de Rio Claro sobre o caso
Reavaliado pela equipe médica, Noah voltou a apresentar sinais vitais e foi reinternado na UTI neonatal. Em nota, a Santa Casa de Rio Claro afirmou que todos os protocolos técnicos e legais para a constatação de óbito foram rigorosamente cumpridos e que não identificou falha assistencial ou conduta a ser revista diante das evidências disponíveis no momento. O hospital destacou ainda que o protocolo brasileiro de declaração de óbito é reconhecido por seu rigor e segurança, e que o médico responsável pelo atendimento tem 14 anos de experiência em neonatologia.
Até a publicação desta matéria, não havia informação pública sobre abertura de sindicância interna ou manifestação da Secretaria de Saúde de Rio Claro sobre o caso.
Como está o bebê hoje
Estabilizado em Rio Claro, Noah Gabriel foi transferido dois dias depois, na sexta-feira, para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP, o Centrinho, em Bauru, referência no país para o tratamento da fenda palatina. Ele segue internado na unidade, recebe cuidados especializados e a família tem evitado dar entrevistas adicionais desde que o caso viralizou.
O relato, publicado originalmente pelo perfil @plenonews no Instagram, passou de 3 mil curtidas e mais de 160 comentários em poucas horas. O caso também foi coberto pelo Estado de Minas, que trouxe mais detalhes da apuração da EPTV.
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