A perícia da Polícia Civil derrubou parte da versão que circulou nos primeiros dias sobre o homicídio na penitenciária de Patrocínio, registrado na manhã de sexta-feira (4). Segundo informações preliminares divulgadas nesta terça-feira (9) pela Rádio Difusora 95.3 FM, o exame não encontrou sinais aparentes de traumatismo nem fraturas nos ossos do detento morto, ao contrário do que se noticiou logo depois do caso, quando se falou em fraturas nas pernas.

A vítima foi identificada como Misael da Silva Basílio, de 22 anos, natural de Flores de Goiás, no nordeste goiano. A identificação partiu da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e foi publicada pela imprensa de Patrocínio em 5 de setembro, um dia depois da morte.

O que mudou na versão sobre o homicídio na penitenciária

Na manhã do dia 4, quando o corpo foi encontrado durante a abertura do pavilhão, por volta das 7h30, a informação repassada pela Sejusp era de que o detento estava caído dentro da cela com uma perna aparentemente fraturada, e que a causa da morte ainda seria esclarecida por investigação técnica. Foi essa a versão que circulou no fim de semana.

O laudo preliminar aponta em outra direção. De acordo com o relato divulgado pela Difusora 95.3 FM, a perícia não identificou traumatismo nem osso quebrado. A morte teria ocorrido por estrangulamento.

Ainda segundo o mesmo relato, vítima e suspeito estavam sozinhos na cela, e o autor teria usado conhecimento de jiu-jítsu para aplicar o golpe conhecido como mata-leão. No local, os investigadores também teriam encontrado uma folha pautada com dizeres atribuídos ao suspeito, em que ele afirmava ser o responsável pela morte.

Nenhuma dessas informações tinha confirmação oficial da Polícia Civil ou da Sejusp até a publicação desta reportagem. O detento apontado como autor não foi identificado publicamente.

Portão da Penitenciária de Patrocínio I, unidade onde ocorreu o homicídio na penitenciária, com agente da Polícia Penal de Minas Gerais na entrada
Entrada da Penitenciária Deputado Expedito de Faria Tavares, em Patrocínio. Foto: Patos1

Uma correção sobre a idade da vítima

As primeiras informações sobre o homicídio na penitenciária, apuradas por veículos locais e reproduzidas também pela Folha de Patrocínio no dia 5, davam conta de um homem de 47 anos. A identificação divulgada pela Sejusp e confirmada por veículos da região natal da vítima aponta idade bem menor: 22 anos. A Folha corrigiu o dado na reportagem publicada em 5 de setembro, com nota explicando a mudança.

Segundo homicídio na penitenciária em menos de um mês

Este é o segundo caso do tipo na mesma unidade em pouco mais de três semanas. Em 12 de agosto, Wyrlem Douglas da Silva, de 29 anos, foi encontrado morto dentro de uma cela durante conferência de rotina. Também naquele caso o companheiro de cela foi apontado como responsável, segundo nota divulgada pela Sejusp na ocasião.

A repetição chama atenção porque a dinâmica declarada é a mesma nos dois episódios: morte dentro da cela, atribuída ao preso que dividia o espaço com a vítima. Segundo o relato preliminar sobre o caso de setembro, os dois detentos envolvidos agora já haviam participado do homicídio ocorrido cerca de um mês antes, na mesma unidade prisional.

Se confirmada, essa informação liga os dois casos e coloca em questão o critério de distribuição de presos nas celas depois da primeira morte. A Folha de Patrocínio não localizou manifestação pública da Sejusp sobre mudanças na fiscalização interna adotadas entre agosto e setembro.

Sobre a unidade prisional

A Penitenciária Deputado Expedito de Faria Tavares, conhecida também como Penitenciária de Patrocínio I, é administrada pela Sejusp e integra o sistema prisional mineiro, vinculado ao Departamento Penitenciário estadual. Recebe presos do regime fechado de Patrocínio e de municípios vizinhos do Alto Paranaíba.

Nos casos de homicídio na penitenciária, os corpos são encaminhados ao Instituto Médico-Legal de Patos de Minas, cidade que concentra os serviços de necropsia da região. As investigações criminais cabem à Polícia Civil, enquanto a direção da unidade abre apuração administrativa própria para reconstituir as circunstâncias de cada morte.

O que ainda falta esclarecer

Três pontos seguem em aberto neste homicídio na penitenciária: o resultado definitivo do laudo necroscópico, a autenticidade e o teor do bilhete encontrado na cela, e a eventual ligação entre os dois detentos e a morte de agosto. Nenhum deles depende apenas do relato preliminar que veio a público nesta terça.

Esta reportagem parte das notas anteriores da Sejusp e ao material já publicado por esta redação sobre os dois casos. A Folha de Patrocínio vai atualizar esta matéria assim que a Polícia Civil ou a Sejusp se manifestarem oficialmente sobre a perícia e sobre a identificação do suspeito.