Um caso de suspeita de compra de votos em Patrocínio levou a Polícia Militar a apreender R$ 20 mil em espécie e um lote de material de campanha eleitoral no porta-malas de um veículo parado na Rua Itália, no bairro Nações, na tarde de quarta-feira (26). Três homens foram abordados e liberados após o registro da ocorrência; o caso foi encaminhado à 9ª Delegacia de Polícia Civil de Patrocínio para apurar possível prática de ilícito eleitoral.

O que a PM encontrou no veículo

Segundo o Boletim de Ocorrência (REDS nº 2026-039496398-001), uma guarnição do 46º BPM fazia patrulhamento preventivo quando avistou um Ford EcoSport prata, placa OJI-0D18, estacionado com as portas abertas, enquanto alguns homens permaneciam na calçada nas proximidades. Na revista ao veículo, os policiais localizaram, no porta-luvas, um maço de vinte mil reais em notas de R$ 100 dentro de uma sacola de papel, e, no porta-malas, uma quantidade de material de propaganda eleitoral (os chamados “santinhos”) dos candidatos a deputado federal Lafayette Andrada e a deputada estadual Maria Clara Marra.

Nenhum dos três homens abordados portava qualquer material ilícito no momento da busca pessoal, segundo o registro policial.

Santinhos de campanha e dinheiro apreendidos pela PM em Patrocínio, caso de suspeita de compra de votos
Material apreendido pela Polícia Militar no porta-malas do veículo. Foto: apuração da Folha de Patrocínio
Foto anexada ao boletim de ocorrência mostrando os santinhos de campanha apreendidos em Patrocínio
Registro fotográfico anexado ao boletim de ocorrência. Foto: PMMG
Foto anexada ao boletim de ocorrência mostrando o dinheiro apreendido em Patrocínio, caso de suspeita de compra de votos
Dinheiro apreendido dentro do veículo, conforme registro fotográfico do boletim de ocorrência. Foto: PMMG

O que os abordados disseram à polícia

De acordo com o histórico da ocorrência, os três homens informaram à equipe policial que trabalhavam para Carlos Alberto Silva. Questionado sobre a origem e o destino do dinheiro, Carlos Alberto Silva teria demonstrado nervosismo e apresentado versões contraditórias, segundo o relato dos policiais no boletim. Posteriormente, ele informou à guarnição que teria recebido o numerário em Belo Horizonte, das mãos de uma mulher identificada como Sara, que seria assessora do candidato Lafayette Andrada, e que o dinheiro seria destinado às campanhas de Lafayette Andrada e de Maria Clara Marra.

Essa é a versão relatada por um dos abordados à polícia, registrada no boletim de ocorrência, e não representa confirmação policial nem afirmação de fato sobre a conduta dos candidatos citados. Não há, até a publicação desta reportagem, indiciamento, denúncia ou decisão judicial relacionados ao caso.

Quem são os homens abordados

O boletim qualifica os três abordados como suspeitos, sem lesões aparentes e sem antecedentes de porte de material ilícito no momento da revista. Carlos Alberto Silva, de 53 anos, é identificado no histórico da ocorrência como ex-vereador de Patrocínio, conhecido pela alcunha de “Carlão”, e teria se apresentado aos policiais como assessor parlamentar. Vitor Silva Coelho, de 28 anos, trabalhador da área de segurança privada, é apontado no registro como funcionário de Carlos Alberto Silva. Um terceiro homem, identificado no histórico da ocorrência apenas pelo nome Isac, é descrito no boletim como já conhecido no meio policial por envolvimento em ocorrências anteriores de tráfico de drogas e roubo, informação atribuída ao registro policial, sem confirmação de condenação.

Boletim de ocorrência da PMMG sobre suspeita de compra de votos em Patrocínio, REDS número 2026-039496398-001
Trecho do Boletim de Ocorrência (REDS nº 2026-039496398-001) com os dados da ocorrência. Documento obtido pela Folha de Patrocínio.

O que diz a lei sobre a compra de votos em Patrocínio

A compra de votos é crime eleitoral previsto no artigo 299 do Código Eleitoral (Lei 4.737/1965), que tipifica dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber dinheiro, dádiva ou qualquer outra vantagem para obter ou dar voto, com pena de reclusão de até quatro anos. A caracterização do crime depende de investigação e, eventualmente, de decisão da Justiça Eleitoral: o registro policial por si só não configura condenação.

Histórico da ocorrência do boletim policial sobre o caso de suspeita de compra de votos em Patrocínio
Histórico da ocorrência descrito no boletim policial. Documento obtido pela Folha de Patrocínio.

O que dizem os candidatos citados

A Folha de Patrocínio não obteve, até a publicação desta matéria, contato com as assessorias dos candidatos Lafayette Andrada e Maria Clara Marra. Este espaço permanece aberto para publicação de nota ou direito de resposta de ambos, caso enviada. A reportagem sobre o caso de compra de votos em Patrocínio será atualizada caso novas informações surjam durante a investigação.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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