A declaração pública de apoio a Cleitinho Azevedo (Republicanos) feita pela prefeita de Frei Gaspar, Jackeliny Nascimento (PT), colocou a gestora na mira do próprio partido. Segundo reportagem do Diário do Poder, a direção estadual petista avalia se a manifestação da prefeita, publicada nas redes sociais, configura infração ao estatuto da legenda.

Cleitinho, hoje senador por Minas Gerais, é candidato ao governo do estado na eleição de outubro. O gesto da prefeita chama atenção porque parte de uma filiada ao PT, partido que historicamente disputa o eleitorado mineiro com candidatura própria ou dentro de alianças formais.

O que aconteceu

De acordo com a publicação, a prefeita declarou o apoio em um post nas redes sociais, sem consulta prévia à direção estadual. A manifestação foi suficiente para acender o alerta no diretório mineiro, que agora analisa o caso sob a ótica disciplinar. Até a publicação desta matéria, nem a prefeita nem o PT de Minas haviam se pronunciado oficialmente sobre o desfecho da análise.

Frei Gaspar é um município de pequeno porte do interior mineiro. Mesmo assim, o episódio ganhou repercussão estadual: declarações de prefeitos costumam funcionar como termômetro do alinhamento político regional em ano de eleição, e movimentos desse tipo raramente passam despercebidos pelas direções partidárias.

Apoio a Cleitinho: senador durante sessão no plenário do Senado Federal
Cleitinho Azevedo durante sessão no Senado. Foto: Reprodução/Redes sociais

Apoio a Cleitinho pode custar punição no partido

O estatuto do PT trata o apoio público a candidatos de legendas adversárias como possível infração disciplinar. As sanções previstas variam conforme a gravidade atribuída ao caso e vão de advertência interna até a expulsão do quadro de filiados, passando por suspensão. A decisão cabe às instâncias partidárias, com direito de defesa da filiada.

Casos assim se repetem a cada ciclo eleitoral, em vários partidos. A lógica é a mesma: siglas investem estrutura e fundo partidário para construir suas candidaturas, e a adesão de um prefeito eleito pela legenda a um adversário direto enfraquece o palanque local. Por outro lado, prefeitos costumam argumentar que o alinhamento com candidatos bem posicionados nas pesquisas ajuda a garantir investimentos para seus municípios.

Vale lembrar que a regra de fidelidade partidária, que permite a perda do mandato por desfiliação, vale apenas para cargos proporcionais, como vereador e deputado. Prefeitos são eleitos pelo sistema majoritário e não perdem o cargo por trocar de partido ou por divergir da orientação da sigla. Na prática, o apoio a Cleitinho não ameaça o mandato de Jackeliny Nascimento na prefeitura: a eventual consequência é interna, restrita à relação dela com o PT.

Quem é Cleitinho

Cleitinho Azevedo começou a carreira política como vereador em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, e chegou à Assembleia Legislativa em 2018. Em 2022, foi eleito senador como o nome mais votado do estado para a Casa, impulsionado por uma presença forte nas redes sociais e por um discurso de fiscalização de gastos públicos. Depois da eleição, trocou o PSC pelo Republicanos, partido pelo qual agora disputa o governo mineiro.

Disputa pelo governo de Minas em 2026

A corrida pelo Palácio Tiradentes está aberta. O governador Romeu Zema (Novo) cumpre o segundo mandato e não pode disputar a reeleição, o que transformou a sucessão mineira numa das disputas estaduais mais observadas do país. Cleitinho, eleito senador em 2022 com votação expressiva em Minas, aposta na popularidade construída nas redes sociais para chegar ao governo.

Do lado petista, a orientação é de construção de palanque alinhado à candidatura nacional do partido, e é justamente esse o pano de fundo que torna o apoio a Cleitinho um problema interno. O caso da prefeita de Frei Gaspar deve servir de teste para o rigor com que a direção estadual vai tratar filiados fora da linha na campanha que começa. A Folha acompanha o cenário eleitoral deste ano, incluindo a situação das candidaturas do PT em 2026.

A reportagem completa sobre o caso está no site do Diário do Poder.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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