Uma reunião informal entre Lula e ministros do STF, acompanhada de uísque e de conversas sobre a disputa de outubro, aconteceu há cerca de um mês, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo. Participaram do encontro, de acordo com a publicação, os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Ainda segundo o jornal, o presidente aproveitou a ocasião para sinalizar que pretende indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A informação não tinha sido confirmada oficialmente pelo Palácio do Planalto até a publicação desta matéria.
O que diz a reportagem sobre o encontro
De acordo com O Globo, a conversa entre Lula e ministros do STF ocorreu em caráter reservado e tratou do cenário eleitoral deste ano, das perspectivas para a próxima eleição e da composição futura da Corte. O clima teria sido descontraído, com direito a uísque servido durante a conversa.
Dois dos quatro ministros presentes foram indicados ao Supremo pelo próprio presidente: Flávio Dino, que ocupou o Ministério da Justiça antes de assumir a cadeira, e Cristiano Zanin, que atuou como advogado pessoal de Lula nos processos da Operação Lava Jato. Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes completavam a mesa.

Encontro de Lula e ministros do STF em ano eleitoral
O momento do encontro chama atenção pelo calendário. O país vai às urnas em outubro para eleger presidente, governadores, senadores e deputados, e reuniões reservadas entre o chefe do Executivo e integrantes da mais alta Corte do país, em pleno ano de disputa, costumam alimentar o debate sobre os limites da relação entre os Poderes. O peso aumenta quando o tema da conversa, segundo a reportagem, incluiu justamente o quadro eleitoral.
Não há impedimento legal para que o presidente converse com ministros do Supremo, e encontros institucionais entre chefes de Poderes são comuns. O que costuma gerar controvérsia é o caráter privado dessas agendas, sem registro oficial, principalmente quando a Justiça Eleitoral e o STF devem julgar, nos próximos meses, casos com potencial de influenciar a corrida eleitoral.
A vaga de Barroso e o nome de Jorge Messias
A cadeira em aberto no Supremo é consequência da aposentadoria de Luís Roberto Barroso, anunciada em 2025, antes de o ministro atingir a idade limite de 75 anos. Barroso presidiu a Corte entre 2023 e 2025 e foi relator de casos de grande repercussão. Desde a saída dele, o nome de Jorge Messias, chefe da Advocacia-Geral da União e homem de confiança do presidente, aparece como favorito nos bastidores para a indicação.
Caso o presidente formalize a escolha, Messias ainda precisará passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ter o nome aprovado pelo plenário da Casa, por maioria absoluta dos votos. Se confirmado, Lula chegará à terceira nomeação para o STF neste mandato, depois de Zanin e Dino. Como os ministros permanecem no cargo até os 75 anos, cada indicação molda a composição da Corte por décadas.
Cenário eleitoral segue em formação
A reunião entre Lula e ministros do STF acontece num momento em que o tabuleiro da eleição presidencial ainda está sendo montado. Partidos concluíram suas convenções recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral analisa os registros de candidatura para a disputa de outubro e as campanhas começam a ganhar as ruas. Na região, a corrida também movimenta os diretórios locais, como a Folha mostrou na cobertura sobre as candidaturas do PT para 2026.
Procurados pela imprensa nacional, nem o Planalto nem o Supremo comentaram oficialmente o teor da reunião até a publicação desta matéria. A reportagem completa está disponível no site do jornal O Globo.
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