O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais que rejeite o registro de candidatura de Leonídio Bouças (PSDB) à Assembleia Legislativa. A peça foi protocolada em 15 de agosto de 2026 e sustenta que o parlamentar está inelegível por causa de uma condenação por improbidade administrativa ligada à campanha que ele disputou em 2002.

O documento tem 13 páginas e corre no processo nº 0601488-61.2026.6.13.0000. A Folha de Patrocínio teve acesso à íntegra da manifestação, assinada pela Procuradoria Regional Eleitoral em Minas Gerais, e disponibiliza o arquivo ao final desta reportagem.

O que diz o pedido contra a candidatura de Leonídio Bouças

A Procuradoria invoca o artigo 3º da Lei Complementar nº 64/90 e o artigo 40 da Resolução nº 23.609/2019 do Tribunal Superior Eleitoral. Com base nesses dispositivos, o órgão apresenta impugnação ao pedido de registro para o cargo de deputado estadual e pede que a Justiça Eleitoral negue a candidatura.

O fundamento central é a alínea “l” do inciso I do artigo 1º da mesma Lei Complementar, dispositivo que torna inelegível quem foi condenado por improbidade administrativa em decisão de órgão colegiado, quando o ato envolve enriquecimento ilícito e dano ao erário.

Esse é o ponto decisivo da peça. O que aciona a alínea “l” não é a sentença de primeiro grau, e sim a confirmação em segunda instância: segundo a Procuradoria, um órgão colegiado da Justiça Estadual de Minas Gerais lavrou acórdão condenatório confirmatório em 3 de dezembro de 2024, publicado em 9 de dezembro de 2024. A partir dessa data o órgão conta o prazo e sustenta que a inelegibilidade se estende até, ao menos, 9 de dezembro de 2032.

Vale a distinção: o que existe até aqui é um pedido. A palavra final sobre o registro cabe ao TRE-MG, e o candidato tem direito de apresentar defesa antes de qualquer decisão.

Deputado estadual alvo do pedido de impugnação da candidatura de Leonídio Bouças na Justiça Eleitoral
Leonídio Bouças, deputado estadual por Minas Gerais. Foto: Assembleia Legislativa de Minas Gerais/Divulgação

A origem: a campanha de 2002 em Uberlândia

O caso que sustenta a impugnação nasceu de uma ação de improbidade administrativa que tramitou na 2ª Vara de Fazenda Pública e Autarquias de Uberlândia, registrada sob o número 702 03 061440-9. Conforme descrito na manifestação, o Ministério Público de Minas Gerais imputou aos réus o uso da estrutura, de servidores públicos municipais e de prestadores de serviço da Prefeitura de Uberlândia para trabalhar na campanha eleitoral de Leonídio Henrique Corrêa Bouças ao cargo de deputado estadual, em 2002.

Em 27 de outubro de 2006, o juízo de primeiro grau julgou procedentes os pedidos, por entender comprovadas práticas de improbidade que geraram lesão ao erário e afrontaram os princípios da legalidade e da moralidade administrativa, segundo consta no documento.

Na época dos fatos, conforme a peça, Bouças era secretário municipal de Serviços Urbanos. O Ministério Público o descreve como mentor e principal beneficiário do esquema. As penalidades listadas contra ele incluem perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por seis anos e oito meses, proibição de contratar com o poder público por cinco anos, multa civil de 1,5 vez o valor do dano, ressarcimento solidário de R$ 42.045,06 e indisponibilidade de bens.

O documento cita ainda outros envolvidos, entre eles Renato César Corrêa Bouças, irmão do deputado e secretário municipal que o sucedeu no cargo, apontado como conivente e ordenador do desvio de servidores e veículos da pasta, e Ronaldo Alves Pereira, então assessor especial do gabinete, descrito como coordenador geral e financeiro da campanha.

Quem é o alvo da impugnação

Leonídio Bouças é médico e político com trajetória longa em Uberlândia. Iniciou a vida pública como vereador em 1988 e chegou à presidência da Câmara Municipal em 1991. Depois passou pela administração municipal e se elegeu para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, casa em que já presidiu a Comissão de Administração Pública.

A impugnação da candidatura de Leonídio Bouças entra num calendário apertado. Os pedidos de registro passam por análise da Justiça Eleitoral antes da votação, e é nessa janela que partidos, coligações, candidatos e o próprio Ministério Público podem contestar quem pediu para disputar.

O que diz Leonídio Bouças

Em nota divulgada no domingo (16), o deputado afirmou que segue na disputa e tratou o caso como uma discussão jurídica antiga, que segundo ele já apareceu em eleições anteriores.

“SOU CANDIDATO, SIM! Essa questão jurídica que está circulando nas redes não é nova. Já esteve presente em outras eleições que disputei, venci e cumpri meus mandatos. Ela continua sendo tratada na Justiça, com absoluta tranquilidade. Seguimos em frente.”

A nota não detalha os argumentos que a defesa vai apresentar ao TRE-MG nem cita o acórdão do TJMG de dezembro de 2024 em que a Procuradoria baseia o pedido. Até a publicação desta reportagem, a candidatura de Leonídio Bouças seguia registrada e à espera de análise.

O que acontece agora

O TRE-MG deve abrir prazo para a defesa antes de julgar. Se a impugnação for acolhida, o registro é negado. Se for rejeitada, a candidatura de Leonídio Bouças segue de pé. Em qualquer cenário cabe recurso, o que pode levar a discussão ao Tribunal Superior Eleitoral.

Casos assim costumam se arrastar até perto da eleição, e não é raro que candidatos disputem o pleito com o registro ainda pendente de decisão definitiva, situação em que os votos ficam condicionados ao resultado do processo.

O espaço segue aberto ao parlamentar e a seus advogados para detalhar os argumentos da defesa, e esta reportagem será atualizada se houver manifestação. Acompanhe a cobertura de política no site.

Leia o documento na íntegra

A manifestação completa da Procuradoria Regional Eleitoral contra a candidatura de Leonídio Bouças está disponível abaixo, nas 13 páginas originais, sem cortes. O leitor pode conferir diretamente na fonte cada ponto resumido nesta reportagem.

Baixar o documento em PDF (13 páginas)

Informações sobre o mandato e a atuação parlamentar do deputado estão no perfil oficial mantido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais.


Enquete: avalie a gestão do prefeito de Patrocínio

Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

A Folha de Patrocínio quer ouvir você: como está sendo, na sua avaliação, este 1 ano e 6 meses de gestão do prefeito Gustavo Brasileiro à frente da Prefeitura de Patrocínio? Vote na enquete abaixo.