A Polícia Federal apura três inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula, autorizados pelo ministro do STF André Mendonça. A investigação envolvendo Lulinha mira suspeita de tráfico de influência e corrupção em contratos de tecnologia com o governo federal e uma possível ligação com o esquema de fraude no INSS.

O que a PF apura na investigação envolvendo Lulinha

Um dos focos da apuração é a proximidade de Lulinha com o lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso por liderar um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias. A PF investiga se Lulinha atuou para facilitar, junto ao Ministério da Saúde, a autorização de comercialização de produtos derivados de cannabis medicinal ligados à empresa World Cannabis, na qual Antunes é sócio.

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Outra frente da investigação envolvendo Lulinha trata de uma viagem a Portugal supostamente bancada pelo mesmo lobista. Roberta Luchsinger, associada de Lulinha, afirmou que a viagem teve caráter de prospecção de negócios, justificada pelo uso de medicamento à base de canabidiol na família.

A PF também investiga se Lulinha usou a condição de filho do presidente para favorecer empresas de tecnologia em contratos com órgãos federais, entre elas a Dataprev e a 3Structure IT LTDA. Segundo levantamento de veículos que acompanham o caso, a 3Structure mantém quatro contratos ativos com o governo federal que somam R$ 55,7 milhões, entre o Ministério do Desenvolvimento Social, o Exército e o Instituto Nacional de Educação de Surdos, e já recebeu R$ 46,9 milhões em pagamentos.

A empresa aberta na Espanha

Lulinha mora na Espanha desde julho de 2025, poucos meses depois de seu nome ter aparecido nas investigações da fraude do INSS. Em janeiro deste ano, ele abriu uma empresa em Madri, batizada Synapta, registrada oficialmente em 6 de fevereiro na Junta Comercial da capital espanhola. A PF quer saber se Lulinha foi beneficiário oculto do esquema do INSS, hipótese que motivou o pedido de quebra de sigilo bancário dele, autorizado pelo ministro André Mendonça.

O que diz a defesa

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, classificou a investigação como uma “fishing expedition descarada”, termo usado para descrever apurações genéricas que buscam provas sem indício concreto de irregularidade. Já o presidente Lula declarou publicamente que não haverá “privilégio” para o filho e que ele responderá à Justiça como qualquer cidadão, caso comprovada alguma irregularidade.

Até a publicação desta matéria, nenhum dos inquéritos havia resultado em denúncia formal contra Lulinha, e as suspeitas seguem em fase de apuração pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal.

Não é a primeira vez

A investigação envolvendo Lulinha reabre um capítulo que remonta a quase vinte anos atrás: em 2005, ele já havia sido citado na CPI dos Correios, um dos episódios que resultaram no escândalo do mensalão durante o primeiro mandato do pai na Presidência. Na época, as suspeitas também giravam em torno de uso de influência política para benefício de terceiros, sem que Lulinha tenha sido formalmente condenado naquele processo.

O esquema de fraude no INSS que agora aparece ligado ao nome de Lulinha é considerado um dos maiores casos de desvio de recursos públicos investigados nos últimos anos, com descontos associativos indevidos aplicados a milhões de aposentados e pensionistas em todo o país. A prisão de Antônio Camilo Antunes, apontado como um dos operadores centrais do esquema, foi o que trouxe o nome do filho do presidente de volta ao radar da Polícia Federal.

Próximos passos

A quebra de sigilo bancário autorizada por André Mendonça deve fornecer à PF elementos para avançar nas três frentes da investigação envolvendo Lulinha. Não há data prevista para a conclusão dos inquéritos nem para eventual manifestação do Ministério Público Federal sobre o caso.

Presidente Lula em foto oficial, no dia em que investigação envolvendo Lulinha avança na PF
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto oficial: Ricardo Stuckert/PR

Mais informações sobre a tramitação de inquéritos no STF estão disponíveis no site oficial do Supremo Tribunal Federal.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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