Charge: o sócio-torcedor do CAP e a carteirinha antes do time
Seu Tonico já quer a carteirinha, mas Dona Cida cobra o time: a diretoria do CAP estuda um sócio-torcedor de R$ 100 por mês, ainda sem aprovação.

Seu Tonico subiu na arquibancada do estádio com uma carteirinha grená na mão e a xícara de café na outra. Dona Cida, de braços cruzados, olhou para o campo vazio e fez a pergunta que muito torcedor faria: e o time? A cena é a Charge da Folha desta segunda-feira, e o ponto de partida é uma notícia real do Clube Atlético Patrocinense: a diretoria estuda lançar um programa de sócio-torcedor do CAP, com mensalidade de R$ 100 e acesso aos jogos do time principal.

O que diz a charge desta segunda
Na charge, Seu Tonico levanta a carteirinha como quem ergue um troféu e anuncia a Dona Cida que, por cem reais, o degrau do estádio passa a ser dele. Ela não se abala. Responde que primeiro vem o time, depois a carteirinha. Os dois personagens são inventados e fixos da série, e a piada é com o entusiasmo do torcedor que já quer garantir lugar antes de saber quem vai vestir a camisa.
A resposta de Dona Cida tem fundamento. O CAP ainda monta a equipe da próxima temporada, e a ideia do sócio-torcedor do CAP, por enquanto, é só proposta. Foi isso que a charge quis mostrar: a vontade de apoiar o clube existe, e o que falta é o time entrar em campo.
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A informação vem da reunião de prestação de contas da diretoria e do Conselho Deliberativo do Patrocinense, noticiada pela Rede Hoje. Segundo a reportagem, a diretoria estuda uma nova campanha de sócio-torcedor com mensalidade de R$ 100. Quem aderisse teria direito de entrar nos jogos da equipe principal.
A meta dos dirigentes é aumentar a arrecadação mensal do clube. Para isso, pretendem contar com os torcedores que já acompanham o CAP e atrair novos associados. A receita recorrente ajudaria a pagar as contas do dia a dia sem depender só de patrocínio e de ajuda pontual. A proposta, vale repetir, ainda não foi aprovada, e detalhes como benefícios, número de vagas e data de lançamento não foram divulgados.
As contas que o clube ainda precisa fechar
O programa de sócio-torcedor do CAP chega num momento de reorganização financeira. Na mesma reunião, a diretoria informou que restavam cinco parcelas para quitar a dívida trabalhista acordada na Justiça do Trabalho. Uma foi paga na semana da reunião, e o dinheiro da seguinte já está garantido. Esse assunto foi tema da charge de segunda-feira passada, com o recibo do clube na mão de Seu Tonico.
O clube também começou o planejamento esportivo de 2027. Os dirigentes iniciaram a busca por jogadores e pela futura comissão técnica, com a ideia de estruturar o departamento de futebol com antecedência. A Federação Mineira de Futebol ainda define o calendário, e o CAP precisa fechar elenco e orçamento antes de saber em qual competição vai estrear.
O ano de 2026 já foi de sobressalto para o clube. Em fevereiro, a desistência do grupo que administrava o Patrocinense deixou a disputa do Módulo II em dúvida. Depois, o time chegou às quartas de final, como mostra a matéria sobre o Atlético Patrocinense nas quartas do Mineiro Módulo 2. O sócio-torcedor do CAP seria mais uma peça para dar estabilidade a esse caminho.
Base e torcida entram na conta
Outro ponto da reunião foi a base. Em 2026, as categorias de base do CAP voltaram a disputar competições oficiais depois de cerca de 30 anos, com atletas formados em Patrocínio. O time sub-15 terminou em terceiro lugar no Grupo D do estadual, com 11 pontos em oito jogos. Pela legislação, o dinheiro destinado à base só pode ser gasto com a base, e a formação de jogadores segue como prioridade para abastecer o time principal nos próximos anos.
A reportagem também destaca que torcedores e colaboradores voluntários sustentam o dia a dia do clube em várias frentes. Um programa de mensalidade formaliza esse apoio e dá ao torcedor uma forma simples de ajudar, sem precisar esperar a próxima campanha de arrecadação.
Por que o CAP entra na charge de segunda
Toda segunda-feira, a Charge da Folha é dedicada ao CAP, fundado em 19 de março de 1954. A regra da série é partir sempre de um fato real e positivo: vitória, classificação, trabalho na base, obra no estádio ou, como hoje, uma ideia para fortalecer o caixa. Quando o resultado em campo não ajuda, a charge fica com a torcida e com o próximo jogo.
Nenhum jogador, técnico ou dirigente é desenhado. Quem aparece são Seu Tonico, Dona Cida e torcedores inventados, que não representam nenhum morador real da cidade. A cada semana, a série tenta olhar para o clube pelo lado de quem fica na arquibancada, torcendo na vitória e na dívida.
O que falta para o sócio-torcedor sair do papel
Para o sócio-torcedor do CAP virar realidade, a diretoria precisa aprovar a proposta, definir o que o associado recebe em troca dos R$ 100 mensais e escolher quando abrir as adesões. Também será preciso saber onde e quando o time vai jogar. Até lá, Seu Tonico continua com a carteirinha guardada no bolso da camisa, ao lado da xícara esmaltada, e Dona Cida segue com a mesma resposta: primeiro o time.
Charge de Eric Fernando. Ilustração feita com inteligência artificial.
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