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Internacional

Novo presidente da Colômbia toma posse e encerra era de esquerda

Abelardo de la Espriella assumiu a presidência da Colômbia nesta sexta-feira (7), pondo fim ao governo de Gustavo Petro após eleição apertada em junho.

O novo presidente da Colômbia tomou posse nesta sexta-feira (7), encerrando o único governo de esquerda da história do país. Abelardo de la Espriella, advogado ligado ao Movimento de Salvação Nacional (MSN), assumiu o cargo numa cerimônia na Universidade Santiago de Cali, sucedendo Gustavo Petro, que governou a Colômbia desde 2022 e não podia disputar a reeleição pela Constituição.

Como o novo presidente da Colômbia venceu a eleição

De la Espriella derrotou Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico e nome escolhido por Petro para tentar dar sequência ao projeto de governo, no segundo turno de 21 de junho. A disputa terminou apertada: 49,66% contra 48,70% dos votos, uma das margens mais estreitas já registradas numa eleição presidencial colombiana. Cepeda reconheceu a derrota só em 24 de junho, três dias depois da votação, enquanto o próprio Petro chegou a questionar publicamente a lisura do processo eleitoral sem apresentar provas, mesmo depois da recontagem confirmar o resultado.

A cerimônia de posse reuniu mais de mil convidados, entre eles os ex-presidentes colombianos César Gaviria, Andrés Pastrana, Álvaro Uribe Vélez e Iván Duque. O primeiro discurso de De la Espriella no cargo tratou de segurança pública, saúde, educação, economia e reforma do sistema de justiça, temas que dominaram sua campanha contra o legado de Petro.

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A margem apertada da eleição já era esperada. Pesquisas feitas nas semanas anteriores ao segundo turno mostravam empate técnico entre os dois candidatos, e a Colômbia registrou a maior participação eleitoral desde 1998, com 58,17% dos eleitores votando e o menor índice de votos nulos e em branco em mais de vinte anos. O resultado apertado ajuda a explicar por que Petro relutou em aceitar a derrota mesmo depois da recontagem confirmar a vitória de De la Espriella.

novo presidente da Colômbia: foto oficial do ex-presidente colombiano Gustavo Petro, que deixou o cargo em agosto de 2026
Gustavo Petro governou a Colômbia entre 2022 e 2026, no único mandato de esquerda da história do país. Foto: Departamento Nacional de Planeación (Colômbia)

O que muda com o fim do governo de Gustavo Petro

Petro chegou ao poder em 2022 prometendo reformas na saúde, na previdência e no mercado de trabalho, mas passou boa parte do mandato em atrito com o Congresso colombiano, que barrou ou esvaziou várias dessas propostas. Nos últimos meses de governo, escândalos como o caso batizado de “Nannygate” e a prisão do filho dele por lavagem de dinheiro derrubaram sua popularidade, embora as pesquisas mostrassem recuperação de apoio já em fevereiro deste ano, quando ele voltou a bater cerca de 49% de aprovação.

De la Espriella representa uma guinada à direita na política colombiana, e sua eleição foi comemorada por lideranças conservadoras da região, incluindo o presidente argentino Javier Milei, que se encontrou com o colombiano ainda como presidente eleito. Nas redes sociais brasileiras, o resultado ganhou leitura política imediata, com perfis de oposição ao governo Lula tratando a Colômbia como o último domínio de esquerda a cair na América do Sul. O quadro real é mais amplo: governos identificados com a esquerda seguem no poder em países como Venezuela, Bolívia e Chile, então a disputa por espaço ideológico no continente está longe de se resumir a Brasil e Colômbia.

Para o Brasil, a mudança em Bogotá tem peso concreto nas relações bilaterais: Petro e Lula construíram uma parceria próxima em temas como a crise da Venezuela e a Amazônia, e o novo governo colombiano já sinalizou que pretende revisar essa agenda. Acordos comerciais e de cooperação ambiental firmados nos últimos quatro anos devem entrar em discussão assim que a nova equipe de governo tomar posse nos ministérios. Com o novo presidente da Colômbia alinhado a Milei e a outros líderes de direita da região, o Itamaraty já se prepara para uma relação mais fria do que a mantida com Petro nos últimos quatro anos.

A Folha de Patrocínio acompanha os primeiros passos do novo presidente da Colômbia e os efeitos da mudança de governo sobre a política externa brasileira. Mais matérias internacionais ficam reunidas na editoria de Internacional do site.


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