A eleição sem mulheres de 2026 chegou a um marco que o Brasil não via desde o início do século: nenhuma candidata está nas seis chapas presidenciais consideradas competitivas nas pesquisas. O quadro se fechou na quarta-feira (5), quando o senador licenciado Flávio Bolsonaro (PL) anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice, consolidando a eleição sem mulheres nos partidos com força eleitoral real.
Como a corrida chegou a uma eleição sem mulheres
Das 13 candidaturas já confirmadas ao Palácio do Planalto, todas as chapas ligadas a partidos com representação no Congresso Nacional trazem só homens, tanto para presidente quanto para vice. Mulheres aparecem apenas em legendas sem cadeira na Câmara ou no Senado, caso da Unidade Popular (UP), que lançou Samara Martins para presidente e Raquel Bricio para vice, mas soma cerca de 1% nas pesquisas mais recentes. As candidaturas confirmadas podem ser consultadas no portal de dados abertos do TSE.

Bolsonaro chegou a avaliar nomes femininos para a vaga de vice, numa tentativa de reduzir a rejeição que carrega entre eleitoras. A escolha final, porém, recaiu sobre Alfredo Gaspar, fechando o time só de homens nas seis chapas que hoje lideram as pesquisas.
Vinte e quatro anos de mulheres nas chapas presidenciais
Da eleição de 2002 até a de 2022, toda disputa presidencial teve ao menos uma mulher concorrendo em chapa competitiva, seja como candidata a presidente, seja como vice. O marco mais alto dessa sequência foi 2010, quando Dilma Rousseff se tornou a primeira mulher eleita presidente do Brasil, e segue sendo a única até hoje. Ela disputou a reeleição em 2014 ao lado de Marina Silva e Luciana Genro, também candidatas ao Planalto naquele ano.
O contraste com o Legislativo ajuda a dimensionar o problema. A Câmara dos Deputados elegeu, em 2022, sua maior bancada feminina da história, ainda assim menos de um quinto das 513 cadeiras. No Senado, a proporção de mulheres é ainda menor. Enquanto o Congresso avança devagar em direção a mais equilíbrio, a corrida presidencial de 2026 caminha para trás nesse quesito específico, num retrocesso que analistas eleitorais associam à falta de investimento dos partidos grandes em pré-candidatas mulheres desde as prévias internas.
Em 2018, quatro mulheres concorreram à vice-presidência em chapas competitivas, além de Marina Silva de novo na cabeça de chapa. Já em 2022, três candidaturas presidenciais tiveram mulheres: Simone Tebet (MDB) concorreu à Presidência, Soraya Thronicke (União Brasil) também encabeçou chapa própria, e Ana Paula Matos apareceu como vice de Ciro Gomes (PDT). É essa sequência de mais de duas décadas que se interrompe em 2026.

O que muda com uma eleição sem mulheres nas chapas grandes
Sem candidatas em chapas competitivas, pautas como violência de gênero, licença-maternidade e representatividade tendem a perder espaço no debate presidencial. Nas campanhas anteriores, esses temas ganhavam força justamente quando havia disputa direta entre candidatas mulheres, algo que simplesmente não vai acontecer em 2026 nas seis chapas favoritas. Há também um efeito de longo prazo a considerar: sem nenhuma mulher concorrendo ao posto mais alto do Executivo, fica mais difícil formar a próxima geração de lideranças femininas nos partidos maiores.
O caso de Dilma Rousseff segue como referência nessa discussão. Eleita em 2010 e reeleita em 2014, ela governou o país até sofrer impeachment em 2016, episódio que dividiu opiniões. Mas passados dez anos, nenhuma outra mulher chegou perto de repetir o feito em chapa com chance real de vitória, e o recorde de Dilma continua sozinho.
A Folha de Patrocínio acompanha o cenário eleitoral de 2026 e volta a publicar atualizações conforme novas chapas forem confirmadas pelo TSE. Mais matérias sobre o assunto ficam reunidas na editoria de Política do site.
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