A candidatura de Cleitinho ao governo de Minas Gerais volta à mesa nesta sexta-feira (7), quando a cúpula nacional do Republicanos se reúne em São Paulo para tentar encerrar o impasse que já dura semanas. O encontro foi confirmado pelo presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira, e pode definir de uma vez se o senador terá ou não o aval da sigla para disputar o Palácio Tiradentes.

A reunião acontece em meio a uma pressão organizada por aliados do senador. O ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo, irmão gêmeo de Cleitinho, organizou para esta sexta uma caminhada de cerca de 40 quilômetros entre Itaúna e Divinópolis, batizada de “Caminhada de Fé e Espiritualidade”, com o objetivo declarado de sensibilizar Marcos Pereira. Um segundo grupo de apoiadoras, autodenominado “Mulheres Republicanas”, articula um trajeto ainda mais longo, saindo de Juatuba até se juntar à caminhada de Gleidson.

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Como chegou a esse ponto a candidatura de Cleitinho

O impasse vem de longe. Depois de sucessivos adiamentos do senador sobre sua decisão, o Republicanos recuou e sinalizou, em 29 de julho, que Cleitinho ficaria fora da disputa pelo governo estadual. No mesmo dia, pressionado, o senador afirmou que concorreria mesmo sem o apoio formal do partido.

Dias depois, em vídeo ao lado de Marcos Pereira e do presidente estadual Euclydes Pettersen, Cleitinho anunciou que não seria candidato, chorou e pediu perdão, citando a falta de condições emocionais após a morte do irmão mais novo, Matheus Azevedo. Menos de 24 horas depois, voltou atrás outra vez e, durante a convenção nacional do partido em Brasília, pediu pessoalmente a Marcos Pereira para concorrer ao governo de Minas.

Pereira rejeitou o pedido na ocasião, citando a instabilidade do senador. “Exatos 10 minutos depois desse vídeo, depois que recebeu duas ligações, ele me procura dizendo: ‘agora quero gravar outro vídeo dizendo que sou candidato’. Nós não podemos brincar com a vida das pessoas. Eu seria irresponsável com o povo de Minas ao colocar o estado nas mãos de uma pessoa que ora pensa uma coisa, 5 minutos depois pensa outra”, disse o presidente do partido, segundo apuração do jornal O Tempo.

Senador Cleitinho Azevedo discursa no plenário do Senado, no centro da candidatura de Cleitinho ao governo de Minas
Senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). Foto: Agência Senado

Falcão como plano alternativo

Enquanto a candidatura de Cleitinho seguia indefinida, o Republicanos passou a tratar publicamente de um plano alternativo. Na quinta-feira (6), Marcos Pereira informou que o ex-presidente da Associação Mineira dos Municípios, Luís Eduardo Falcão, poderia ser o candidato do partido ao governo de Minas. Até então, Falcão era cotado apenas para a vaga de vice na chapa do próprio Cleitinho, cenário que a Folha de Patrocínio já acompanhou na cobertura sobre a ata da convenção estadual do Republicanos.

O quadro ficou ainda mais complexo com o nome de Gleidson Azevedo. O irmão gêmeo do senador ganhou força nos últimos dias para disputar uma vaga ao Senado em uma chapa pura do Republicanos em Minas Gerais, o que abriria espaço para o partido acomodar as duas famílias políticas dentro da mesma legenda sem depender exclusivamente da candidatura de Cleitinho ao governo.

O que muda com a reunião desta sexta

A expectativa dentro do partido é de que a reunião em São Paulo sirva para encerrar as idas e vindas dos últimos dias, com uma posição definitiva sobre quem representará o Republicanos na disputa pelo governo mineiro. O prazo para o registro oficial de candidaturas na Justiça Eleitoral se encerra em 15 de agosto, o que reduz a margem para novas reviravoltas.

A ata da convenção estadual do Republicanos, protocolada na quarta-feira (5), já havia confirmado a intenção do partido de lançar um candidato ao governo de Minas, mas sem indicar nomes, deixando a decisão final para a cúpula nacional. A reunião desta sexta-feira é o próximo capítulo dessa definição.

Onde a disputa se encaixa no cenário eleitoral

A indefinição em Minas Gerais ocorre em paralelo à formação das chapas para a Presidência da República, com 11 candidaturas já oficializadas em todo o país após o fim das convenções partidárias. O desfecho da candidatura de Cleitinho, ou de um eventual nome alternativo como Falcão, deve influenciar diretamente a configuração de alianças estaduais do Republicanos para o restante da campanha em Minas.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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