Posse do Compir em Patrocínio põe Luiz Ricardo Prado na presidência até 2028
A Chapa 1 venceu a disputa com outra chapa e assume a diretoria do conselho de igualdade racial. Lei federal prioriza repasses a cidades que mantêm esse tipo de conselho.

O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Patrocínio (MG), o Compir, tem presidente para os próximos dois anos. Luiz Ricardo Prado vai comandar o colegiado no mandato 2026-2028, escolhido na assembleia que marcou a posse do Compir, na quinta-feira (15), no Auditório Geraldo Campos. Os conselheiros titulares e suplentes assumiram as cadeiras e, na mesma assembleia, elegeram a nova Diretoria Executiva.
A Prefeitura divulgou o resultado na segunda-feira (19), em texto publicado no portal oficial do município. Pelo comunicado, o conselho está vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
Quem forma a diretoria eleita na posse do Compir
Duas chapas se inscreveram para disputar a Diretoria Executiva depois da posse. Venceu a Chapa 1, com esta composição:
Drogaria CentroAqui tem cuidado para todos.
Disk Cerveja do RenatinhoCerveja gelada na sua porta.
Monteiro Casa de CarnesO corte certo para o seu churrasco e o dia a dia.
OnNet TelecomMuito mais opções para viver cada história do seu jeito.
ACIP e CDL PatrocínioJuntos pelo comércio de Patrocínio.
Digital Comunicação VisualFachadas, placas, adesivos e impressão.
Zé do LancheBateu a fome? O Zé resolve.
Rivelini DesentupidoraDesentupimento em Patrocínio e região
Restaurante GuritaA melhor comida da cidade.
Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.- Presidente: Luiz Ricardo Prado
- Vice-presidente: Polidoro Camilo de Souza
- Primeira secretária: Lilia Maria de Oliveira Gonçalves
- Segunda secretária: Andresa Borba da Silva
A Prefeitura não divulgou quem formava a Chapa 2 nem o placar da votação. Acompanharam a assembleia a secretária municipal de Cultura e Turismo, Ana Valéria de Rezende Cunha, e o vereador Paulinho “Peuca”. A mesma secretaria conduz hoje o diagnóstico do turismo que vai embasar o plano municipal do setor.
Segundo a Prefeitura, a diretoria responde pelo funcionamento do conselho: organiza os trabalhos, conduz as atividades e faz a ponte entre o Compir, o poder público e a sociedade civil.
O que o Compir faz pelo morador
O Compir é um conselho de participação social, como os de saúde, assistência ou desenvolvimento rural. Representantes do governo e da sociedade civil sentam à mesma mesa para acompanhar as políticas públicas ligadas à igualdade racial. A Prefeitura define o conselho como espaço para discutir demandas da população e propor ações contra o racismo e a discriminação.
Na prática, o conselho é um canal entre o morador e o poder público. Quem identifica um problema, como discriminação no atendimento de um serviço, falta de ação nas escolas ou necessidade de apoio a uma manifestação cultural afro-brasileira, pode levar a demanda a um órgão que tem a função de cobrar resposta. Pelo comunicado, os conselheiros também vão mapear essas demandas e incentivar iniciativas de equidade e garantia de direitos.
O conselho não substitui a polícia nem a Justiça. Racismo e injúria racial são crimes e devem ser registrados na Polícia Civil ou comunicados à Polícia Militar, pelo 190.
Alpha for MenA lei federal que dá peso ao conselho
Conselhos como o de Patrocínio têm base no Estatuto da Igualdade Racial, a Lei federal 12.288, de 2010. O artigo 50 autoriza estados e municípios a criar conselhos de promoção da igualdade étnica, permanentes e consultivos, com número igual de representantes do poder público e de organizações da sociedade civil ligadas à população negra.
O mesmo artigo traz um efeito prático para o caixa da cidade: o governo federal deve dar prioridade, no repasse de recursos dos programas previstos no Estatuto, aos municípios que tenham criado esses conselhos. A lei também permite que os municípios façam adesão ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, o Sinapir. Por isso, manter o conselho funcionando, com diretoria eleita, pesa a favor da cidade quando ela disputa esse dinheiro.
Um conselho que voltou a ganhar estrutura
A reestruturação do Compir começou antes desta posse. Em janeiro de 2025, a Prefeitura informou que o conselho estava sendo reestruturado e que tinha recebido um veículo para apoiar as atividades. No balanço do primeiro ano de governo, em janeiro de 2026, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania citou a reestruturação do Compir entre os destaques da área. O comunicado da posse vincula a iniciativa à Secretaria de Cultura e Turismo.

Fora do conselho, a Prefeitura tem outras ações na área. Na rede municipal de ensino, a Coordenação de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) promoveu cursos de letramento racial para professores no primeiro semestre e instituiu um protocolo antirracista para as escolas. Em agosto, o mesmo Auditório Geraldo Campos recebeu uma formação sobre equidade na gestão pública para servidores municipais.
Em setembro, o tema chegou aos concursos. O processo seletivo para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias teve etapa de heteroidentificação para 89 candidatos às vagas reservadas a pretos e pardos, procedimento que confirma a autodeclaração feita na inscrição.
A primeira data de peso para a nova diretoria chega em pouco mais de um mês: 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, feriado nacional desde 2024. Na data, a cidade costuma reunir congadeiros e comunidade em celebrações como a do ano passado, na Igreja do Rosário.
O que o comunicado não informa
O texto da Prefeitura deixa de fora informações que interessam a quem quer participar ou levar uma demanda ao conselho. Não diz quantas cadeiras o Compir tem nem quais entidades da sociedade civil ocupam as vagas. Também não informa quando e onde acontecem as reuniões, se elas são abertas ao público, nem por qual canal o morador pode procurar os conselheiros. O número da lei municipal que criou o conselho também não aparece no comunicado.
A Folha vai acompanhar o calendário do Compir e as primeiras decisões da diretoria eleita.
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