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Checagem do debate da Band: 68,1% das falas de Lula e 55,2% das de Flávio

Levantamento analisou 47 afirmações de Lula e 29 de Flávio; só 19,1% das falas de Lula e 10,3% das de Flávio foram classificadas como falsas, o resto é impreciso ou verdadeiro.

Lula fala ao microfone em entrevista; checagem do debate da Band analisou as falas dos dois candidatos
Lula fala ao microfone em entrevista; checagem do debate da Band analisou as falas dos dois candidatos

A checagem do debate da Band, realizada no domingo (18) entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), virou o número mais repetido nas redes nesta segunda-feira (19): 68,1% das falas verificáveis de Lula teriam algum problema. O dado existe e vem de um levantamento publicado no mesmo dia do debate pelo Ranking dos Políticos. Só que o número, sozinho, conta metade da história. Pelo mesmo método, 55,2% das falas verificáveis de Flávio também tiveram problema, e o que entra na conta como “problema” é bem diferente de “mentira”.

A seis dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a Folha reuniu o que as checagens publicadas até agora mostram, lado a lado e sem escolher candidato. O resumo dos confrontos já está nas páginas da cobertura dos debates do segundo turno, e as pesquisas mais recentes aparecem no levantamento BTG/Nexus e no PoderData desta segunda.

Os números da checagem, lado a lado

O levantamento leu a transcrição inteira do debate e separou apenas afirmações factuais que podem ser conferidas em dados públicos. Perguntas dos mediadores, opiniões, ataques pessoais e promessas de campanha ficaram de fora, e afirmações repetidas foram contadas uma única vez. No total, foram 76 afirmações: 47 de Lula e 29 de Flávio.

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Nas falas de Lula, 15 foram classificadas como verdadeiras (31,9%), 23 como imprecisas (48,9%) e 9 como falsas (19,1%). Somando imprecisas e falsas, chega-se aos 68,1% que circulam. Nas falas de Flávio, 13 foram verdadeiras (44,8%), 13 imprecisas (44,8%) e 3 falsas (10,3%), o que dá 55,2% com algum problema.

O próprio levantamento avisa que as proporções comparam o que era verificável em cada fala, e não o tempo total de cada candidato no ar. Quem falou mais fatos checáveis tem mais chances de errar em números absolutos, e Lula teve 18 afirmações a mais na conta do que o adversário.

Card com a checagem do debate da Band: percentual de falas verdadeiras, imprecisas e falsas de Lula e Flávio Bolsonaro
Percentuais da checagem do debate da Band, por candidato. Fonte: Ranking dos Políticos. Retratos: TSE (CC BY 4.0) e Ricardo Stuckert/Lula Oficial (CC BY-SA 4.0)

O que a checagem chama de impreciso e de falso

O critério é público. “Verdadeiro” é o que corresponde aos dados disponíveis. “Falso” é o que os dados contrariam. “Impreciso” fica no meio: a afirmação tem base real, mas números, datas ou contexto incorretos alteram o sentido. Por isso, quase metade das falas de cada candidato cai nessa faixa intermediária, que não equivale a invenção.

Onde Lula errou, segundo a checagem

Entre as 9 falas de Lula classificadas como falsas, estão a de que o governo teria recuperado R$ 100 bilhões da fraude do INSS (o ministro da Previdência citou bloqueios judiciais de mais de R$ 6 bilhões), a de que o país não tinha reservas em 2003 (o Banco Central registrava US$ 37,65 bilhões em janeiro daquele ano) e a de que a pandemia deixou 780 mil mortos (o registro oficial era de 716.075 em abril de 2025).

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Outra fala marcada como falsa foi o “déficit de 2,8%” herdado do governo anterior: segundo o levantamento, o governo central teve superávit de R$ 54,1 bilhões em 2022, e o déficit de 2023 ficou em 2,1% do PIB. Entre as imprecisas, aparecem os R$ 725 bilhões “aplicados” na Nova Indústria Brasil, que correspondem a recursos disponíveis, e o “golpe de R$ 60 bilhões” atribuído a Vorcaro, já que o prejuízo confirmado ao FGC é de R$ 51,8 bilhões.

Onde Flávio errou, segundo a checagem

Nas 3 falas falsas de Flávio, estão a de que as armas e munições liberadas pelo governo anterior “não existem” (o arsenal de caçadores, atiradores e colecionadores superou 1 milhão de armas), a de “recorde de criminalidade” (o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 registrou a menor taxa de mortes violentas intencionais desde 2012) e a de que o governo “não mandou ninguém” aos Estados Unidos durante o tarifaço, quando o vice-presidente Geraldo Alckmin liderou negociações e o chanceler foi a Washington.

Entre as imprecisas, o levantamento incluiu a afirmação de que Lula foi “condenado várias vezes pelo TSE”: há uma decisão contra uma peça da campanha, sem registro de várias condenações.

Outras agências, outros critérios, outros resultados

Quem compara agências precisa lembrar que cada uma usa uma régua. A checagem do Aos Fatos, publicada na noite do debate, trabalha com selos e itens por tema, sem um placar único. Ela classificou como falsa a afirmação de Flávio de que a criminalidade explodiu no país e a de que Lula e Janja gastaram R$ 7 bilhões em viagens, tema que a Agência Lupa também tratou como falso em sua checagem ao vivo. A Folha acompanhou os momentos mais tensos do embate em outra reportagem sobre o debate.

Do lado de Lula, o Aos Fatos marcou como falsas as falas sobre demarcação de terras indígenas e sobre o país só ter voltado a crescer acima de 3% depois do retorno do petista ao Planalto. Também considerou verdadeira a afirmação de que o governo pagou o FMI e deixou R$ 270 bilhões em reservas.

As diferenças de classificação são reais. Sobre o escritório que Flávio disse não manter com o chamado “careca do INSS”, o Ranking dos Políticos classificou como imprecisa, porque as reportagens citadas não documentam sociedade entre os dois, enquanto o Aos Fatos considerou a fala falsa. O mesmo trecho, portanto, recebeu rótulos diferentes.

Como ler esses percentuais

Um percentual de falas com problema não mede quem “mentiu mais” nem quem ganhou o debate. Ele depende de quantas afirmações foram escolhidas, de como cada uma foi classificada e de quanto o candidato falou em números. Os dois lados tiveram afirmações falsas e imprecisas, e nenhum levantamento isolado fecha a conta. A pergunta sobre quem foi melhor segue sem resposta oficial: a Folha mostrou, em outra matéria, que ainda não havia pesquisa sobre o desempenho dos candidatos.

Para o eleitor, o caminho mais seguro é consultar a checagem original de cada afirmação, com a fonte oficial do dado, em vez de se apoiar no número-resumo. O levantamento completo do Ranking dos Políticos traz cada uma das 76 afirmações e a justificativa da classificação. A apuração dos votos do segundo turno poderá ser acompanhada na página de apuração em tempo real, no domingo, dia 25.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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