Ato de Flávio na Paulista reuniu 71,9 mil no pico, estima o Monitor da USP
Estimativa do Monitor do Debate Político tem margem de 12%, vem de fotos de drone e IA e vale só para o pico, às 12h20. O ato de Lula, no dia 11, não teve contagem independente.

Quantas pessoas foram ao ato de Flávio na Paulista? A estimativa do Monitor do Debate Político, grupo de pesquisadores da USP e do Cebrap, é de 71,9 mil pessoas no momento de maior concentração, às 12h20 deste domingo (18), uma semana antes do segundo turno. A margem de erro é de 12%, o que leva o público a uma faixa de 63,3 mil a 80,5 mil. O Monitor fez a contagem em parceria com a organização More in Common.
Como o Monitor chegou aos 71,9 mil
O método combina fotografias aéreas, feitas por drone, e um programa de inteligência artificial que identifica e marca cabeças nas imagens. O resultado é uma contagem do público presente em um instante, e não uma soma de todas as pessoas que passaram pela avenida ao longo do dia. Por isso o número diz respeito ao pico, registrado às 12h20, e não ao total de gente que esteve no local entre a abertura e o fim do ato.
A margem de 12% existe porque a contagem depende da qualidade das imagens e de trechos em que a multidão fica mais compacta. O próprio grupo trabalha com uma faixa, e a Folha usa os dois extremos nesta reportagem, porque o número isolado passa uma precisão que a metodologia não promete. Os relatórios do grupo ficam no site do Monitor do Debate Político.
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O que dá para comparar com o ato de 7 de setembro
O mesmo Monitor contou o ato de Flávio na Paulista no 7 de Setembro deste ano e estimou 28,5 mil pessoas, com margem de 3,4 mil para mais ou para menos. O número de domingo é cerca de duas vezes e meia maior. A comparação é válida porque as duas contagens usam o mesmo grupo e a mesma metodologia, o que não acontece quando se põem lado a lado estimativas de fontes diferentes.
Por que o ato de Lula, no dia 11, não entra nessa conta
É aí que a comparação costuma escorregar. A caminhada de Lula na mesma avenida, no domingo anterior, não teve contagem do Monitor. Segundo as entidades, a campanha do presidente não autorizou o sobrevoo de drone para a medição. A campanha petista falou em 1 milhão de apoiadores, uma estimativa de quem organizou o evento, sem contagem independente que a confirme ou a contradiga.
Na prática, não existe hoje um número do mesmo método para os dois atos. Quem afirmar que o ato de Flávio na Paulista foi “maior” ou “menor” que o de Lula está comparando uma estimativa de pesquisadores com a cifra de uma das campanhas. A Folha não faz essa conta.
Por que contagem de público vira disputa
Estimativa de multidão é terreno de briga há anos. Em 25 de fevereiro de 2024, no ato de Jair Bolsonaro na mesma avenida, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo divulgou 750 mil pessoas, enquanto pesquisadores da USP calcularam cerca de 185 mil. A diferença mostra como a fonte da conta pesa tanto quanto o número. Contagem feita por organizadores tende ao teto, e levantamento acadêmico, com método aberto e margem declarada, costuma ficar mais baixo e mais fácil de checar.
Alpha for MenO que o tamanho do ato muda na eleição
Pouco, em termos de voto. O ato de Flávio na Paulista, como qualquer ato de rua, mede mobilização, ou seja, a capacidade de uma campanha de levar apoiadores a um ponto da cidade num domingo de sol. Não mede intenção de voto, e quem vai à Paulista não representa o eleitorado inteiro. Para saber como está a disputa, o caminho são as pesquisas: o agregador de pesquisas da Folha reúne os levantamentos do segundo turno, e as pesquisas do segundo turno ficam numa página que a Folha atualiza a cada divulgação.
A votação é no domingo, 25 de outubro. Quem quiser acompanhar o resultado em tempo real terá a apuração em tempo real da Folha naquela noite. Até lá, a Folha atualiza esta reportagem se o Monitor ou outra fonte técnica divulgar novos números sobre os atos das duas campanhas.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






