Lula e Trump: na Globo, presidente aposta em acordo e só usaria reciprocidade se for necessário
Em sabatina na TV Globo, Lula cita três reuniões com o americano e diz que quem deve se preocupar são os EUA. A tarifa de 25% segue em negociação entre os dois governos.

O que o presidente Lula (PT) espera de Donald Trump a dez dias do segundo turno? Na sabatina da TV Globo, nesta quinta-feira (15), ele respondeu que acredita em um acordo sobre o tarifaço e que o Brasil só vai aplicar a lei da reciprocidade se for necessário. Ao falar da relação entre Lula e Trump, o candidato à reeleição disse que ela foi a mais civilizada, mesmo depois de um início tenso, e afirmou que “quem deve estar preocupado conosco nesse momento são os Estados Unidos”.
O que Lula disse sobre a relação com Trump
Lula contou que, no começo, a conversa com o presidente americano foi difícil. Segundo ele, os dois já fizeram três reuniões, e o diálogo evoluiu com o tempo. Ele também relatou uma frase que teria dito a Trump em um desses encontros: “dois homens de 80 anos tinham que ter juízo” e se entender. Lula disse ainda ter se queixado a Trump sobre o Conselho de Segurança da ONU.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.“Eu acho que vamos chegar a um acordo”, afirmou o presidente. Os negociadores seguem em campo: o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, continuam conversando com representantes do governo Trump, segundo a descrição dada na própria sabatina.

Tarifaço e reciprocidade na pauta de Lula e Trump
O tarifaço é uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, em vigor desde julho, com base em uma investigação conduzida pelo governo americano pela Seção 301 da lei de comércio dos Estados Unidos. É esse o pano de fundo da conversa entre Lula e Trump.
Sobre a lei da reciprocidade, que permite ao Brasil responder a medidas comerciais de outros países, Lula disse que o governo não a aplicou e que não quer fazê-lo, porque prefere continuar negociando. Em seguida, deixou a porta aberta: “se for necessário, faremos”. Para ele, os americanos teriam mais a perder do que o Brasil em um confronto, porque o país tem produtos de que os Estados Unidos precisam mais do que o Brasil precisa dos americanos.
Comércio com outros países
Lula afirmou que a perda de comércio com os Estados Unidos foi compensada pelo crescimento nas relações com outros parceiros, e citou China, Indonésia e Alemanha. Ele apresentou percentuais para cada um deles, mas a Folha não localizou dados oficiais que confirmem esses números e, por isso, não os reproduz. Os números do comércio exterior brasileiro são divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e a conferência cabe a essas séries.
Alpha for MenO que a fala muda na campanha
A relação com os Estados Unidos virou tema do segundo turno por causa do tarifaço, que atinge exportadores brasileiros. As candidaturas de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL) são alvo das mesmas perguntas sobre o que fazer diante de Washington, e o eleitor tem a chance de comparar as respostas no debate da Band, no domingo (18), como mostra o guia de debates do segundo turno.
No campo das pesquisas, o Datafolha de hoje trouxe Flávio com 51% e Lula com 49% nos votos válidos, um empate dentro da margem de erro de 2 pontos. O tema dos Estados Unidos já tinha aparecido na cobertura quando o Brasil ficou fora do Escudo das Américas, iniciativa do governo americano.
Para Patrocínio (MG), o assunto tem interesse prático. A cidade é a maior produtora de café do país, e os Estados Unidos estão entre os compradores do café brasileiro. Qualquer mudança nas tarifas americanas pode pesar na renda do produtor, e por isso a Folha acompanha o desenrolar entre Lula e Trump. Quem quiser conferir a íntegra da entrevista pode procurar a gravação da sabatina nos canais oficiais da emissora.
Fontes: sabatina da TV Globo com o presidente Lula (15/10/2026). Fotos: Lula Oficial, licença CC BY-SA 4.0 (encontro com Donald Trump, em maio de 2026), e Ricardo Stuckert/PR/Agência Brasil, licença CC BY 3.0 BR (encontro em 26 de outubro de 2025).
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