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Terras raras em Patrocínio: Oceana perfura a Serra Negra com três sondas e prevê 20 mil metros

Comunicado à bolsa australiana registra cinco furos e 542 metros até 8 de outubro. Base de amostras fica na Avenida Faria Pereira e mais de 30 pessoas trabalham no projeto.

Sonda de perfuração em operação no campo, com operários ao lado, na pesquisa de terras raras da Serra Negra, em Patrocínio
Sonda de perfuração em operação no campo, com operários ao lado, na pesquisa de terras raras da Serra Negra, em Patrocínio

Três sondas perfuram a Serra Negra, em Patrocínio (MG), desde o início de setembro, e uma quarta está a caminho. Os números constam de um comunicado da mineradora australiana Oceana Metals à bolsa de valores da Austrália, publicado em 8 de outubro: cinco furos concluídos, 542 metros perfurados e uma campanha prevista de cerca de 20 mil metros para medir a concentração de terras raras e nióbio no Complexo Carbonatítico de Serra Negra.

A geóloga-chefe da Oceana no Brasil, Natalia Brunacci, confirmou que a pesquisa de terras raras está concentrada na região central da serra, tendo o Chapadão de Ferro como comunidade mais próxima, e não na área de São João da Serra Negra, citada nas primeiras informações sobre o trabalho. A empresa ressalta que o projeto está em fase de pesquisa mineral: não há decisão sobre a abertura de uma mina, e qualquer definição depende de anos de estudos geológicos, ambientais e econômicos.

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O que a Oceana procura: terras raras e nióbio na Serra Negra

O Projeto Serra Negra reúne seis direitos minerários, quatro em áreas de Patrocínio e dois em áreas que abrangem Patrocínio e Guimarânia (MG). O alvo é um complexo carbonatítico com cerca de 10 quilômetros de largura, descrito pela empresa como a maior intrusão desse tipo na Província Ígnea do Alto Paranaíba, a mesma formação que abriga a mina de nióbio da CBMM em Araxá. A área já foi pesquisada no passado para fosfato e titânio, com 102 furos e 13,8 mil metros de testemunhos, mas esse material nunca tinha sido analisado para terras raras ou nióbio.

Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em ímãs de motores elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos militares. O nióbio, do qual o Brasil é o maior produtor mundial, entra na fabricação de aços especiais. A China domina o refino de terras raras, e projetos fora do país atraem investidores por isso.

A Oceana anunciou em abril a compra do projeto da brasileira Songeo Mineração, por até US$ 10,3 milhões entre dinheiro, ações e pagamentos por metas, com royalty de 2,5% sobre a produção futura. Em outubro a empresa informou que a conclusão da operação societária está em fase final e que tem cerca de US$ 18 milhões em caixa para a campanha de perfuração.

Sonda de perfuração da pesquisa de terras raras da Oceana Metals na Serra Negra, em Patrocínio, com operários trabalhando sobre tablado de madeira
Sonda em operação na Serra Negra, em Patrocínio. Foto: divulgação/Oceana Metals

Como a pesquisa de terras raras funciona no campo

As sondas abrem furos verticais com cerca de 150 metros de profundidade, espaçados 100 metros entre si, no alvo central do projeto, uma área de 1,5 por 1,5 quilômetro. A terceira sonda, operada pela canadense Energold Drilling, começou a perfurar em 7 de outubro, e a quarta deveria chegar na semana seguinte. A Energold atua apenas como prestadora do serviço de sondagem, sem participação na propriedade do projeto.

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Os testemunhos de rocha são levados para uma base da Oceana na Avenida Faria Pereira, em Patrocínio, onde as amostras são registradas, fotografadas e analisadas com um equipamento portátil de fluorescência de raios X, que indica a composição química antes dos exames de laboratório. Mais de 30 pessoas trabalham no projeto, entre funcionários das empresas e prestadores de serviço, com contratação de mão de obra local.

A reanálise de 68 furos antigos já rendeu resultados divulgados em julho e setembro. Um deles, o furo LG42, mostrou 50 metros com 4% de óxidos de terras raras a partir de 53 metros de profundidade, e a área com mineralização conhecida passou de 4,5 quilômetros quadrados. Os ensaios de outros 45 furos históricos, cerca de 4.750 metros, ainda não saíram.

Geólogas da Oceana Metals analisam testemunhos de rocha da pesquisa de terras raras com equipamento portátil na base da empresa em Patrocínio
Geólogas analisam amostras das sondagens na base da Oceana em Patrocínio. Foto: divulgação/Oceana Metals

Quando saem os resultados

O cronograma indicativo da empresa prevê novos resultados da reanálise dos furos antigos e a interpretação de um levantamento aeromagnético por drone, com 1.304 quilômetros de linhas, ainda em outubro. Os ensaios dos furos da própria campanha devem sair ao longo do último trimestre de 2026, e uma primeira estimativa de recursos minerais está prevista para os próximos meses, sem tamanho informado.

Segundo a Oceana, o trabalho tem as autorizações necessárias, e a empresa mantém contato com os proprietários rurais e as comunidades próximas às áreas pesquisadas. A pesquisa mineral no Brasil é autorizada pela Agência Nacional de Mineração, e a abertura de uma mina exige licenciamento ambiental separado, que ainda não foi pedido.

O que muda para Patrocínio

Por enquanto, o efeito direto é a presença de equipes e equipamentos na zona rural e a base de amostras na cidade. A experiência de Tapira, vizinha de Araxá, mostra o outro lado: a Folha registrou em setembro como a queda dos royalties da mineração apertou o orçamento daquele município. Se a pesquisa de terras raras avançar para uma mina, Patrocínio passaria a receber a Compensação Financeira pela Exploração Mineral, a CFEM, mas isso depende de resultados que a própria empresa diz levar anos.

A Serra Negra também é tema de outras frentes da cidade. A Prefeitura trabalha na regularização fundiária do bairro Serra Negra, que leva o nome da serra, e abriu ruas para as 200 casas populares na mesma região. A Folha acompanha o projeto e publica os resultados de laboratório quando a empresa os divulgar. Outras notícias da cidade estão na seção Cidade.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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