Rede de saúde de Patrocínio chega a 121 médicos, diz a Prefeitura
Ao comentar o 10º lugar no ranking nacional, o Governo Municipal listou consultas, exames, cirurgias e filas zeradas. O ranking, porém, mede mortalidade e desnutrição, não atendimento.

A rede de saúde de Patrocínio chegou a 121 médicos somando Atenção Básica, Policlínica e Centro Estadual de Atenção Especializada (CEAE), de acordo com a Prefeitura. O Governo Municipal usou esses números, e uma lista de consultas, exames e cirurgias, para explicar o 10º lugar do município no pilar de Qualidade da Saúde do Ranking de Competitividade dos Municípios 2026, do Centro de Liderança Pública (CLP).
A Folha já havia mostrado a posição de Patrocínio no ranking, que é a 5ª do Sudeste e a 2ª de Minas Gerais. O que muda agora é a explicação oficial, divulgada em comunicado da Prefeitura nesta terça-feira (6), com dados que a administração não havia reunido antes.
Quantos médicos a rede de saúde de Patrocínio ganhou
Segundo o comunicado, o quadro de médicos passou de 34 para 41 na Atenção Básica, de 27 para 48 na Policlínica e de 20 para 32 no CEAE. A soma vai de 81 para 121 profissionais, um aumento de 40. A Prefeitura não informa em que período a ampliação aconteceu, e o texto fala apenas em “evolução”. Em setembro, a Folha publicou que a Prefeitura já tinha divulgado o primeiro lugar de Minas em Oferta de Cuidados Integrados, outro indicador que a gestão costuma citar.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O prefeito Gustavo Brasileiro disse que o resultado “mostra a importância de investir na estrutura da saúde e ampliar a capacidade de atendimento”. A secretária municipal de Saúde, Luciana Rocha, atribuiu o avanço ao conjunto da rede, “da Atenção Básica aos serviços especializados e à regulação”, e afirmou que a gestão busca reduzir o tempo de espera.

Exames, cirurgias e filas, segundo o Governo Municipal
O comunicado lista volumes de atendimento, sem informar o período a que se referem. Foram mais de 157 mil consultas na Atenção Básica, mais de 54 mil na Policlínica, mais de 72 mil no CEAE e mais de 137 mil na UPA 24 horas. Entre os exames, 49.040 de raios-X, 3.541 tomografias, 1.041 ressonâncias magnéticas, 3.361 ultrassonografias e 11.755 exames especializados. Também foram realizadas 2.802 cirurgias eletivas.
A Prefeitura afirma ainda que passou a oferecer em Patrocínio procedimentos que exigiam o envio de pacientes a outras cidades: cirurgias cardíacas, neurocirurgias, bariátricas, de catarata e de pterígio, além de reconstrução do trato intestinal. Houve ampliação de serviços de hematologia, oftalmologia, polissonografia e eletroneuromiografia.
Sobre as filas, o texto diz que a demanda foi zerada em cateterismo, angioplastia, tomografia, MAPA (monitorização da pressão), cirurgia de catarata, ultrassonografia de vias urinárias e litotripsia extracorpórea. Todos esses números são da própria administração, e a Folha não os auditou de forma independente.
Alpha for MenO que vem pela frente
Para a rede de saúde de Patrocínio, o Governo Municipal prevê, nos próximos meses, novos mutirões: 1.000 ressonâncias magnéticas, 500 tomografias, 425 densitometrias ósseas, 100 ecocardiogramas e 105 ultrassonografias. A lista inclui ainda endoscopias, colonoscopias, urodinâmicas, gasometrias, eletroneuromiografias, biópsias, aparelhos ortodônticos infantis e cirurgias de pterígio, sem quantidades definidas no comunicado.
O que o ranking mede de fato
Há uma diferença entre a explicação da Prefeitura e o critério do ranking. O pilar de Qualidade da Saúde do CLP usa cinco indicadores de bases do Datasus e do Sisvan: mortalidade materna, desnutrição e obesidade em crianças de até cinco anos, mortalidade na infância e mortalidade por causas evitáveis entre 5 e 49 anos. Ou seja, mede resultados na população, e não número de médicos, filas ou exames.
Isso não invalida os dados da Prefeitura, e é razoável imaginar que mais atendimento ajude a reduzir mortes evitáveis ao longo do tempo. Mas o CLP não atribui a posição de Patrocínio a nenhuma dessas ações, e os indicadores do ranking costumam responder a fatores de longo prazo. Também vale lembrar que o pilar pesa 6,4% na nota geral de competitividade.
Para o paciente da rede de saúde de Patrocínio, o que decide a avaliação do dia a dia é o tempo para marcar consulta e fazer exame, informação que o ranking não traz e que a Prefeitura só apresenta por meio de números que ela mesma produz. O período de cada série e a fonte dos dados de fila zerada não foram detalhados no comunicado.
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