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Sanderson e Van Hattem são eleitos senadores do Rio Grande do Sul

Só 4.263 votos separaram o deputado do PL do colega do Novo. Manuela D'Ávila (PSOL) ficou em terceiro, quase 1,5 milhão de votos atrás da segunda vaga.

Os novos senadores do Rio Grande do Sul lado a lado: Sanderson (PL), de terno azul, à esquerda, e Marcel van Hattem (Novo), discursando ao microfone na Câmara, à direita
Os novos senadores do Rio Grande do Sul lado a lado: Sanderson (PL), de terno azul, à esquerda, e Marcel van Hattem (Novo), discursando ao microfone na Câmara, à direita

Os deputados federais Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) foram eleitos senadores do Rio Grande do Sul neste domingo (4) e tomam posse em fevereiro de 2027. Com 100% das seções totalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h12, Sanderson teve 3.453.316 votos, ou 30,11% dos votos válidos para o Senado. Van Hattem somou 3.449.053, ou 30,08%.

No mesmo horário, o sistema de divulgação do TSE já marcava os dois como eleitos. Van Hattem, o segundo colocado, terminou com 1.491.356 votos a mais que a terceira colocada, Manuela D’Ávila (PSOL).

Para escolher os dois senadores do Rio Grande do Sul, cada eleitor votou em dois nomes. Por isso os percentuais são calculados sobre os 11.465.782 votos válidos dados aos candidatos, número que soma as duas escolhas de cada eleitor. Esse total não se confunde com o comparecimento: 6.697.424 pessoas foram às urnas no estado, de um eleitorado de 8.516.465.

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Como ficou a disputa entre os candidatos a senadores do Rio Grande do Sul

A diferença entre os dois primeiros foi de 4.263 votos. Sanderson e Van Hattem concorreram pela mesma coligação, O Rio Grande Pode Mais, formada por PL, Novo, PP, Republicanos, União Brasil, Podemos e DC. Juntos, ficaram com 6.902.369 votos, 60,2% dos válidos.

Manuela D’Ávila terminou em terceiro, com 1.957.697 votos (17,07%). Logo atrás veio o deputado federal Paulo Pimenta (PT), com 1.870.301 (16,31%). Os dois concorreram pela Coligação Com o Povo, de PT, PSOL, PDT, PSB, PCdoB, PV, Avante e Rede. Ex-deputada federal, Manuela deixou o PCdoB depois de mais de duas décadas no partido e se filiou ao PSOL para disputar o Senado, segundo a CNN Brasil. Pimenta comandou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência nos dois primeiros anos do terceiro governo Lula.

O ex-governador Germano Rigotto (MDB) ficou em quinto, com 420.722 votos (3,67%), seguido por Frederico Antunes (PSD), com 223.643 (1,95%). Os outros sete candidatos tiveram, cada um, menos de 0,3% dos votos válidos. Ao todo, 13 nomes disputaram as duas cadeiras.

Sanderson (PL), um dos senadores do Rio Grande do Sul eleitos em 2026, de terno e gravata azul-clara, em evento da Marinha em 2022
Sanderson (PL), deputado federal e policial federal, teve 3.453.316 votos para o Senado no Rio Grande do Sul. Foto: 1º SG Helton/Marinha do Brasil (CC BY-SA 2.0), via Wikimedia Commons

Quem é Sanderson

Ubiratan Antunes Sanderson tem 56 anos e nasceu em Erechim, no norte gaúcho. Policial federal de carreira, elegeu-se deputado federal pela primeira vez em 2018, pelo PSL, e foi reeleito em 2022, já no PL, segundo o perfil de candidatos da Agência Senado.

Na Câmara, trabalhou na pauta da segurança pública. Em março de 2023 foi eleito presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. O site Congresso em Foco o descrevia na época como integrante ativo da Frente Parlamentar da Segurança Pública, a chamada bancada da bala, e citava entre as prioridades dele a flexibilização do porte de armas e penas maiores para o tráfico de drogas.

Marcel van Hattem (Novo), um dos senadores do Rio Grande do Sul eleitos em 2026, discursa ao microfone no plenário da Câmara dos Deputados
Marcel van Hattem (Novo), deputado federal, teve 3.449.053 votos para o Senado no Rio Grande do Sul. Foto: Câmara dos Deputados (CC BY 3.0), via Wikimedia Commons

Quem é Marcel van Hattem

Marcel van Hattem tem 40 anos e se apresenta como jornalista e cientista político. Foi eleito vereador em Dois Irmãos em 2004, aos 18 anos, e cumpriu o mandato de 2005 a 2009. Depois foi deputado estadual de 2015 a 2018, pelo PP.

Em 2018 trocou o PP pelo Novo e foi o deputado federal mais votado do Rio Grande do Sul, com cerca de 349 mil votos. Em 2019 assumiu a liderança da primeira bancada do Novo na Câmara, escolhido por unanimidade pelos oito deputados eleitos pelo partido, segundo o Congresso em Foco. Foi reeleito em 2022 e, em fevereiro de 2025, foi o candidato do Novo à presidência da Câmara.

Paim e Heinze deixam o Senado sem tentar a reeleição

As duas cadeiras de senadores do Rio Grande do Sul em jogo neste domingo eram de Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP), eleitos em 2018. Nenhum dos dois concorreu de novo. Segundo o Brasil de Fato, foi a primeira vez desde 1986 que uma eleição para duas vagas gaúchas no Senado não teve candidato à reeleição.

Paim, de 76 anos, está no Senado desde 2003 e venceu três eleições para a Casa, depois de quatro mandatos de deputado federal. Ele decidiu não buscar o quarto mandato e deixa o Congresso após 40 anos de atuação parlamentar, como informou o Congresso em Foco. Heinze anunciou em março que não concorreria a nenhum cargo em 2026. Na ocasião, recusou o convite para ser vice na chapa de Luciano Zucco (PL) ao governo do estado e disse que encerraria a carreira eleitoral ao fim do mandato, depois de quase três décadas no Congresso.

O terceiro senador gaúcho, Hamilton Mourão (Republicanos), eleito em 2022, fica no cargo até janeiro de 2031. No mesmo domingo, Zucco foi eleito governador do Rio Grande do Sul no primeiro turno.

O que muda a partir de 2027

Os novos senadores do Rio Grande do Sul tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, para mandatos de oito anos, até 2035. Em 2026 o Senado renovou dois terços das cadeiras, 54 das 81, duas por estado. Com a posse, a bancada de senadores do Rio Grande do Sul passa a ser formada por Sanderson, Van Hattem e Mourão.

Cada senador é eleito com dois suplentes, que podem assumir a cadeira quando o titular se afasta. Os de Sanderson são Ireneu Orth (PP) e Ernani Mello (PL). Os de Van Hattem são Sérgio Turra (PP) e Ricardo Jobim (Novo). Como os dois eleitos são deputados federais, deixam a Câmara em 31 de janeiro de 2027, quando termina a atual legislatura.

Os números completos estão no portal de resultados do TSE, e a trajetória dos 13 candidatos está na página da Agência Senado sobre a eleição no estado.


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