O governo federal publicou nesta terça-feira (25) no Diário Oficial da União o decreto que regulamenta o Sistema de Compras Expressas, batizado de Sicx, uma espécie de marketplace para compras públicas. O texto detalha como órgãos federais vão poder comprar bens e serviços padronizados de fornecedores já credenciados, sem abrir um novo processo de licitação para cada aquisição.

Como funciona o Sistema de Compras Expressas

O decreto nº 13.106/2026 foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na segunda-feira (24), durante reunião do Contrata+Brasil, programa que conecta órgãos públicos a microempreendedores individuais. Na ocasião, Lula também formalizou a adesão de estatais, ministérios e bancos públicos à plataforma.

Na prática, o sistema funciona como uma prateleira virtual. Fornecedores previamente credenciados cadastram ofertas de produtos e serviços padronizados, com especificações de mercado já uniformes, e os órgãos públicos escolhem entre elas sem montar um edital específico para cada compra.

Sem edital por compra, mas não sem regras

Dispensar um novo processo licitatório a cada aquisição não significa ausência de controle. O credenciamento já é uma hipótese prevista na Lei de Licitações, e a contratação pelo Sistema de Compras Expressas ocorre por inexigibilidade de licitação, mecanismo legal usado quando há viabilidade de competição entre fornecedores previamente habilitados.

Em vez de um edital por compra, o Sicx opera com o que o decreto chama de editais permanentes de credenciamento, além da padronização prévia dos bens e serviços e do cadastro contínuo de ofertas. As propostas dos fornecedores são organizadas por um ranqueamento automatizado, calculado a partir de estimativas de preços tiradas das próprias ofertas cadastradas, de outras plataformas de compras e de bases públicas de referência.

O decreto também prevê critérios de reputação para os fornecedores credenciados, parametrizados pelo órgão central do sistema de forma auditável e sujeitos a revisão periódica. As compras feitas pelo Sicx precisam ser integradas ao Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), o que mantém a publicidade das contratações exigida pela legislação, segundo apurou o Congresso em Foco junto ao texto do decreto.

Lula segura documento assinado cercado de ministros, imagem ilustrativa do Sistema de Compras Expressas
Imagem de arquivo do presidente Lula em cerimônia de sanção no Palácio do Planalto (evento diferente do decreto do Sicx). Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Quem pode usar o novo sistema

O Sicx nasce voltado à administração pública federal, mas o decreto prevê que o sistema também possa ser disponibilizado a estados, municípios, empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias, além de serviços sociais autônomos e entidades privadas sem fins lucrativos.

Para os fornecedores, o acesso ao sistema é permanente, feito por integração com o registro cadastral unificado do governo federal. Já os órgãos públicos que quiserem comprar pelo Sicx precisam aderir formalmente à plataforma antes de fazer as primeiras aquisições.

Segundo o governo, a expectativa é lançar um projeto-piloto do Sicx ainda neste ano, antes de uma expansão gradual para mais órgãos e categorias de compra.

O que já havia sido decidido sobre o Sicx

O decreto publicado nesta terça regulamenta uma lei sancionada em novembro de 2025, que já tinha criado formalmente o Sistema de Compras Expressas dentro da legislação de licitações e contratos administrativos. Faltava, até agora, o detalhamento operacional de como o sistema funcionaria na prática, e é esse o papel do novo decreto.

A Lei de Licitações e Contratos Administrativos, em vigor desde 2021, já previa hipóteses de contratação mais ágeis para casos específicos, como o credenciamento e a dispensa em compras de pequeno valor. O Sicx reúne esses mecanismos numa plataforma única, com ranqueamento automatizado das ofertas, em vez de cada órgão negociar separadamente com cada fornecedor credenciado.

Próximos passos

Com o decreto publicado, o governo ainda precisa definir o cronograma de adesão dos órgãos federais e abrir o ambiente eletrônico do Sicx para os primeiros fornecedores se credenciarem. Segundo o governo, o projeto-piloto deve servir para calibrar os critérios de reputação e o ranqueamento automatizado antes de uma expansão mais ampla do sistema para estados, municípios e as demais entidades já autorizadas pelo decreto.


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