O Republicanos confirmou nesta quarta-feira (29) que o senador Cleitinho Azevedo não será o candidato do partido ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Ao anunciar que o Republicanos exclui Cleitinho da disputa, o partido encerrou meses de expectativa em torno do nome que liderava as pesquisas. Horas depois do comunicado, o próprio senador convocou a imprensa para uma coletiva à noite, em Divinópolis, prometendo esclarecer a verdade sobre o caso.

Republicanos exclui Cleitinho após meses de indefinição

Em nota assinada pelas executivas estadual e nacional, o Republicanos afirmou que manteve diálogo aberto com Cleitinho durante meses, ofereceu condições políticas para viabilizar a candidatura e chegou a atrasar decisões estratégicas do partido esperando uma posição do senador. Segundo o texto, isso não foi suficiente: “Uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu.”

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O presidente nacional da sigla, deputado federal Marcos Pereira, disse à imprensa que Cleitinho “perdeu o timing” ao não comparecer à convenção estadual do partido, realizada em 25 de julho. A ausência foi atribuída ao luto pela morte do irmão caçula do senador, Matheus Augusto Azevedo, dias antes, mas o partido considerou que o episódio já havia produzido “consequências inevitáveis” para os planos de outras siglas aliadas.

Marcelo Aro é o nome que ganha força no Republicanos depois que o partido exclui Cleitinho da disputa
Marcelo Aro (PP), ex-secretário de Governo e da Casa Civil de Minas Gerais. Foto: Câmara dos Deputados

Cleitinho promete “esclarecer a verdade” em coletiva

A resposta do senador não demorou. Sua equipe informou à imprensa que ele está tentando reverter a decisão da cúpula nacional do partido e insiste que será, sim, candidato ao governo mineiro em 2026. À noite, Cleitinho confirmou uma coletiva de imprensa marcada para as 20h30, na Praça Santuário de Divinópolis, sua cidade natal. “Conto com o apoio de vocês do povo. Vamos esclarecer a verdade”, declarou o senador ao anunciar o pronunciamento.

O impasse chama atenção porque Cleitinho lidera com folga as pesquisas de intenção de voto para o Palácio Tiradentes. Em levantamentos de abril, o senador aparecia entre 30% e 37% das intenções no primeiro turno, na frente de nomes como Alexandre Kalil, Rodrigo Pacheco e o governador Mateus Simões. Em discurso recente no Plenário do Senado, Cleitinho havia afirmado que recebeu uma oferta em dinheiro para desistir da pré-candidatura, sem apresentar provas ou identificar quem fez a proposta, e disse que não estava “à venda”.

Marcelo Aro desponta como principal alternativa do PP

Com o caminho de Cleitinho pelo Republicanos praticamente fechado, o nome que ganha força nos bastidores é o de Marcelo Aro, do PP. Aro é advogado, jornalista e mestre em Direito Constitucional, foi vereador de Belo Horizonte e cumpriu dois mandatos como deputado federal antes de assumir cargos de confiança no governo de Romeu Zema: primeiro a Casa Civil, depois a Secretaria de Estado de Governo. Nos bastidores, ele já era tratado como o plano B do PL e de partidos aliados para encabeçar a chapa em Minas.

Aro se reuniu esta semana com a direção nacional do Republicanos numa negociação paralela ao impasse com Cleitinho. O deputado estadual Zé Guilherme (PP), pai de Aro, confirmou à imprensa que o Republicanos só formaliza o apoio ao filho depois de ouvir a palavra final do senador. A troca de perfil é significativa: enquanto Cleitinho construiu a carreira como voz de protesto fora do establishment partidário, Aro tem trânsito consolidado na Assembleia Legislativa e no Palácio Tiradentes, o que facilitaria a formação de uma chapa unificada da direita mineira.

O que ainda pode mudar

Segundo apurou a Rádio Itatiaia, o presidente Marcos Pereira afirmou que o martelo sobre o candidato do partido em Minas seria batido ainda nesta quarta-feira. As convenções partidárias em Minas Gerais precisam se encerrar até 5 de agosto, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, e o prazo final para registro de candidaturas é 15 de agosto. Até a coletiva marcada para a noite desta quarta, nem Cleitinho nem o Republicanos haviam formalizado perante a Justiça Eleitoral um desfecho definitivo para o episódio em que o Republicanos exclui Cleitinho da disputa.

Independentemente do desfecho, o episódio já entra para a história política mineira como o dia em que o Republicanos exclui Cleitinho de um dos páreos mais disputados do estado. Quem quiser acompanhar os próximos capítulos pode conferir a editoria de Política da Folha de Patrocínio.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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