Empresário, produtor rural e ex-diretor municipal de Desenvolvimento Econômico de Patrocínio, Pedro Lucas de Ávila Ferreira, o Pedro Bom Negócio, teve a candidatura a deputado estadual referendada nesta segunda-feira (27) pela Convenção Estadual do Partido Liberal (PL), em Belo Horizonte. Aos 23 anos, ele passa a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nas eleições de outubro.
Muito conhecido pela marca “Pedro Lucas Bom Negócio”, ele é o nome que a base do prefeito Gustavo Brasileiro escolheu para representar Patrocínio na disputa estadual. A adesão formal do grupo governista, incluindo vereadores e parte do secretariado municipal, foi anunciada em 30 de junho.


Quem é Pedro Bom Negócio
Formado em Administração de Empresas, Pedro Lucas conta que trabalha desde os 12 anos na empresa da família, a Bom Negócio, que também mantém produção de café na região. No material da pré-campanha, ele reúne uma série de credenciais pessoais: diz ter presidido a APJ, se apresenta como “homem do campo” e se define como cristão e defensor da família. Antes de se filiar ao PL, em abril deste ano, ocupava a Diretoria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Patrocínio, cargo do qual se afastou para se dedicar à pré-campanha.
À frente da pasta, ele lista entre os resultados da gestão o programa Asfalto Rural, de pavimentação de estradas do campo, a chegada do Grupo Cicopal ao município com geração de empregos, a implantação da UAI de Patrocínio com recursos municipais e o apoio a eventos como o Festival Gastronômico e o Seminário do Café. Esse histórico é a base do discurso de campanha que ele resume como “a voz do interior” e “a voz do bem”.
Como foi a filiação e os apoios
Pedro Lucas se filiou ao PL em 4 de abril, a convite da deputada federal Grace Elias, e cita o apoio do senador Domingos Sávio e do presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto. Em junho, ele já havia aparecido ao lado de Flávio Bolsonaro e do próprio Domingos Sávio em evento do PL Minas em Belo Horizonte, o que deixa claro o alinhamento da pré-candidatura com a ala bolsonarista do partido.
Segundo relato do próprio Pedro Lucas ao podcast Terra do Café, da Rádio Difusora, o caminho até o PL passou antes pela campanha do prefeito Gustavo Brasileiro: os dois se conheceram no ano anterior à eleição municipal, e Pedro Lucas trabalhou voluntariamente na campanha, sem cargo ou remuneração, antes de ser convidado para a Diretoria de Desenvolvimento Econômico depois da vitória. Ele diz ter sido o melhor aluno da turma na graduação em Administração e credita ao pai, também empresário do ramo cafeeiro, a decisão de fazer os filhos “começarem de baixo” na empresa da família antes de assumir qualquer cargo de confiança.
Em Patrocínio, a candidatura tem o respaldo declarado do vice-prefeito Maurício Cunha e de vereadores da base aliada. São apoios que a Folha de Patrocínio vai acompanhar peça por peça ao longo desta semana, com vereadores que devem confirmar publicamente o apoio à candidatura nos próximos dias.
O peso do PL no tabuleiro estadual
O PL chega a essa convenção como a maior bancada da Câmara dos Deputados e principal legenda do bolsonarismo, presidida nacionalmente por Valdemar da Costa Neto. Em Minas Gerais, o partido tenta ampliar sua bancada na Assembleia Legislativa somando pré-candidatos com bases municipais fortes, caso de Pedro Bom Negócio em Patrocínio, região que concentra parte relevante da produção de café do estado.

A data da convenção mineira não é aleatória. O encontro estava marcado para 23 de julho e foi remarcado para esta segunda-feira, 27, para viabilizar a presença de Valdemar da Costa Neto em Minas. Segundo o presidente estadual do PL, o deputado federal Zé Vitor, em entrevista ao jornal O Tempo, o estado é considerado estratégico para a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, e o diretório mineiro preferiu esperar a convenção nacional do partido, em São Paulo, para alinhar “procedimentos, posicionamentos e discursos”. Pela mesma reportagem, o encontro na Assembleia Legislativa de Minas Gerais também definiu a chapa ao Senado, com o próprio Domingos Sávio como um dos nomes indicados, e a lista de candidatos a deputado federal e estadual pela sigla.
O calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral reserva de 20 de julho a 5 de agosto para as convenções partidárias em todo o país. Em Minas, a ALMG virou sede de uma maratona de encontros no período: o PDT convencionou no domingo (26), o PL nesta segunda (27) e o MDB fará o mesmo em 1º de agosto, todos no mesmo prédio. É nesse calendário apertado, com o Palácio da Liberdade e as duas vagas ao Senado mineiro ainda em negociação entre os partidos, que a candidatura de Pedro Bom Negócio a deputado estadual foi encaixada.
Pré-candidatura, não campanha
Como o período eleitoral oficial ainda não começou, Pedro Bom Negócio segue tecnicamente como pré-candidato: a legislação eleitoral veda pedido explícito de voto ou menção a número de urna antes da data prevista no calendário do TSE. Por isso, a movimentação em torno do nome dele nesta fase se concentra em apresentar biografia, bandeiras e realizações, sem caracterizar propaganda eleitoral antecipada.
Para outubro, a expectativa da base aliada é que a candidatura de Pedro Bom Negócio sirva como extensão do projeto do prefeito Gustavo Brasileiro na esfera estadual, com bandeiras concentradas em agropecuária, geração de emprego e infraestrutura para o interior.
