Os nomes de urna das Eleições 2026 estão rendendo assunto nas redes sociais. Entre os mais de 13 mil registros de candidatura em análise no Tribunal Superior Eleitoral, apareceram opções inusitadas, como “Farofa”, “Bomba”, “Bad Boy” e até uma referência direta ao apresentador Gugu Liberato, ao lado de escolhas mais estratégicas, caso de dezenas de candidatos que adotaram o sobrenome de figuras políticas conhecidas.

O caso que virou piada e virou candidatura de verdade

O exemplo mais comentado é o do empresário Plínio Vicentin Junior, que registrou candidatura a deputado federal por Minas Gerais pelo partido Novo com o nome de urna “Plínio Trump”. A escolha não é acaso: a foto enviada ao TSE mostra um homem de cabelo claro penteado para o lado, com traços que lembram o presidente americano Donald Trump. Segundo o registro protocolado no TSE, o candidato declarou patrimônio de R$ 1,67 milhão.

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Casos assim se repetem a cada eleição porque a legislação eleitoral dá bastante liberdade na escolha do nome de urna, desde que ele permita identificar o candidato e não induza o eleitor a erro. Nome civil, sobrenome, apelido, nome abreviado ou até o nome pelo qual a pessoa é mais conhecida na comunidade podem ser usados, o que abre espaço tanto para nomes criativos quanto para escolhas puramente estratégicas.

nomes de urna: registros de candidatos das eleições 2026 com apelidos curiosos nas redes sociais
Registros de candidatura com nomes de urna curiosos têm circulado nas redes durante o período de registro das Eleições 2026. Imagens: arquivo

Sobrenomes famosos também viram estratégia de campanha

Ao lado da onda de nomes inusitados, outro fenômeno chama atenção neste ciclo eleitoral: pelo menos 16 candidatos registraram “Bolsonaro” como parte do nome de urna, mas apenas quatro deles têm parentesco real com o ex-presidente. Quinze desses registros são de candidatos do PL e um do PP, uma estratégia clara para aproveitar a força eleitoral do sobrenome junto ao eleitorado. Entre os que de fato são da família estão nomes como Jair Renan Bolsonaro, candidato a deputado federal por Santa Catarina, e Rogéria Bolsonaro, no Rio de Janeiro.

O TSE já previu esse tipo de disputa: quando duas ou mais candidaturas pedem o mesmo nome de urna, a resolução do tribunal estabelece critérios de prioridade, como ocupar cargo eletivo ou já ter concorrido antes com aquele mesmo nome. Isso significa que nem todo candidato que quer usar um sobrenome famoso consegue aprovação, o que também explica por que boa parte da criatividade nos nomes de urna acaba migrando para apelidos originais em vez de tentativas de cópia.

Nomes de urna fora do comum não são novidade no Brasil. Em pleitos anteriores, eleitores já votaram em candidatos registrados como “A Dama” e “Orlando Cannabis”, provas de que a criatividade na hora de escolher como aparecer na urna eletrônica atravessa gerações e ciclos eleitorais. A lógica por trás dessas escolhas costuma ser simples: um nome que provoca risada ou estranhamento tem mais chance de ficar na memória do eleitor do que um nome civil comum, especialmente em disputas proporcionais, como as de deputado, em que dezenas de candidatos concorrem pelo mesmo cargo dentro do mesmo partido.

O prazo para os partidos pedirem o registro de candidaturas nas Eleições 2026 vai até 15 de agosto, então a lista de nomes de urna curiosos ainda deve crescer nas próximas semanas. Depois do registro, cada pedido passa por análise da Justiça Eleitoral, que pode aprovar, aprovar com recurso, indeferir ou indeferir com recurso o nome escolhido, informação que já pode ser consultada por qualquer eleitor na plataforma DivulgaCandContas, do próprio TSE.

A Folha de Patrocínio acompanha o registro de candidaturas das Eleições 2026 e deve voltar ao tema conforme a lista de nomes de urna aprovados for fechada. Mais matérias sobre o assunto ficam reunidas na editoria de Política do site.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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