A novela política em torno do governo de Minas Gerais ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (4). Durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, o Marcos Pereira e Cleitinho protagonizaram um bate-boca público depois que o senador mineiro pediu, mais uma vez, uma nova chance para disputar o Palácio Tiradentes pela sigla.

Pereira, presidente nacional do partido e deputado federal por São Paulo, negou o pedido na frente de outras lideranças e afirmou que a decisão do Republicanos sobre a candidatura em Minas já estava tomada e não seria revista.

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O novo recuo de Cleitinho

O episódio aconteceu poucos dias depois de o próprio Cleitinho anunciar, na segunda-feira (3), que não seria candidato ao governo de Minas, atribuindo a decisão a um momento de fragilidade emocional ligado ao luto pela morte do irmão. Na ocasião, o senador chegou a dizer que havia mudado de posição depois de uma experiência espiritual.

Durante a convenção em Brasília, no entanto, Cleitinho voltou atrás mais uma vez e pediu a palavra para tentar reverter a própria desistência, buscando o apoio da cúpula do partido para retomar a candidatura. Foi nesse momento que o embate entre Marcos Pereira e Cleitinho ficou público, diante de dirigentes e lideranças de outros estados que participavam do evento.

A resposta pública de Marcos Pereira

Ao responder ao pedido, Marcos Pereira disse compreender o momento pessoal do senador, mas foi direto: “tudo tem o seu tempo” e um partido não pode ficar “indo e voltando” em decisões políticas já fechadas. Em um discurso de cerca de 30 minutos, ele relembrou as oportunidades dadas a Cleitinho ao longo dos últimos meses para definir se disputaria ou não o governo mineiro, e afirmou que o senador manifestou dúvidas sucessivas durante as negociações internas.

Marcos Pereira durante sessão na Câmara dos Deputados, protagonista da bronca em Cleitinho
Foto: Agência Câmara dos Deputados

A cena surpreendeu outras lideranças presentes na mesa principal da convenção, incluindo o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB). Segundo relatos do encontro, o pedido de Cleitinho não havia sido combinado previamente com a organização do evento, o que aumentou o climão diante da plateia de dirigentes partidários. Para quem acompanha o noticiário político de perto, o bate-boca entre Marcos Pereira e Cleitinho já entra para a lista de episódios mais tensos da pré-campanha ao governo de Minas em 2026.

Não é a primeira vez que o nome de Cleitinho gera esse tipo de reviravolta dentro do Republicanos. Nas últimas semanas, o senador já havia oscilado entre confirmar e negar a própria candidatura mais de uma vez, o que, segundo pessoas próximas à cúpula do partido, foi um dos motivos que levou Marcos Pereira a adotar um tom mais duro desta vez, cobrando uma posição definitiva em vez de mais uma promessa de reconsideração.

Quem é Marcos Pereira

Marcos Pereira é advogado, professor universitário e deputado federal por São Paulo, eleito em 2018 e reeleito para o mandato que vai até 2027. Ele já ocupou o cargo de ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços até janeiro de 2018 e hoje comanda a presidência nacional do Republicanos, partido que vinha sinalizando apoio à pré-candidatura de Cleitinho ao governo de Minas antes da sequência de idas e vindas dos últimos dias.

Cleitinho Azevedo, senador mineiro no centro do impasse com o Marcos Pereira e Cleitinho no Republicanos
Foto: reprodução O Tempo/João Godinho

O desfecho do embate entre Marcos Pereira e Cleitinho reacende as disputas dentro do campo de direita em Minas Gerais, que já vinha sendo acompanhado de perto pela Folha em outras reportagens sobre o mesmo imbróglio, como o episódio em que Cleitinho anunciou a desistência da candidatura. Mais detalhes sobre a movimentação dentro do Republicanos também podem ser conferidos na cobertura publicada pelo Brasil 247.

Enquanto o Republicanos não define um rumo definitivo para o governo de Minas Gerais, a expectativa em Patrocínio e no Alto Paranaíba é sobre qual candidatura vai conseguir consolidar o apoio das lideranças locais que já vinham se movimentando em torno do nome de Cleitinho.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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